segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

1a Caravana da Poesia.... Primeiro Sarau no Rio de Janeiro (em 2 dias)...no Complexo do Alemão (GROTA), evento Circulando.....




Parte dos poetas


Buzo no Alemão


Texto: Alessandro Buzo
Fotos: Marilda Borges e Jefferson Carvalho

Um momento único, fizemos o primeiro de 4 sarau em 2 dias no Rio de Janeiro, pela 1a Caravana da Poesia, no Complexo do Alemão, entrada da GROTA.
Depois da Ocupação das Forças Armadas, um momento de poesia e muito mais, uma série de eventos no Sétimo Circulando.
Chegamos de manhã ao Rio de Janeiro, no SESC RAMOS, fomos muito bem recebidos, tomamos banho e café da manhã na propria unidade.
Depois num restaurante do lado, um almoço com muita sustancia....comida boa e churrasco.
Só então fomos pro Alemão, chegamos lá e aquela cena que sabiamos que teria, pela avenida principal Tanque do Exército, soldados armados.
No local do evento, só a comunidade, tirando uma hora que o CABELEIRA do ELO declamava a poesia PAZ do Marcelino Freire e entrou o BOPE e ele lá interpretando a poesia, nem via os homi entrando e dizia: - A culpa é da paz, a paz não ta com nada.
Se vc não conhece o texto, está no livro RASIF do autor.
Aproveitei o rolê e gravei meu quadro Suburbano Convicto pro Manos e Minas sobre a nossa caravana e esse evento no Alemão.
O Sarau aconteceu na frente do palco onde depois teria show.
Na sequencia do SARAU 1a Caravana da Poesia, teve TEATRO DO OPRIMIDO.
E uma série de serviços pra comunidade, como tirar documentos e muito mais.
Um evento bacana, uma sensação de dever cumprido poder levar a poesia nesse momento que vive o Complexo do Alemão que é formado pelas favelas da GROTA, Morro da Baiana, Morro do Alemão, Alvorada, Matinha, Morro dos Mineiros, Nova Brasília, Pedra do Sapo, PAlmeiras, Fazendinha, Morro da Chatuba, Caracol, Favelinha, Caixa D'Agua e Morro do Adeus.
São 15 comunidades que formam o Complexo do Alemão e durante 10 anos, 14 dessas comunidades era dominada pela maior facção criminosa do estado do RJ e só o Morro do Adeus era de uma facção rival, cercada pelos inimigos, mantiveram a guerra por 10 anos, resistindo aos ataques e atacando outras vezes.
Uma realidade tão diferente de São Paulo, pra gente que fez parte da 1a Caravana da Poesia, foi um momento Único, poder conhecer todos os lados, fomos em comunidade dominada pelas forças armadas (Alemão), Facção criminosa (Fallet), pelo POVO (Enraizados) e pela UPP (Borel).
Cada um deve ter tirado sua conclusão, mas para os 40 poetas da caravana, foram momentos pra guardar pra sempre na memória.
Vi muitos amigos cariocas, satisfação rever cada um de vocês.
2011 tem muito mais..............encerro com essa CARAVANA DA POESIA as minhas (Alessandro Buzo) atividades de 2010.
Um ano que comemorei 10 anos de carreira, um ano que foi de muito progresso e conquistas.
Obrigado meu Deus, por tudo, disposição, oportunidades.
Obrigado minha família (Marilda e Evandro), sem vocês não existe.
Obrigado aos amigos verdadeiros, graças a Deus são muitos (as).
Obrigado aos que não gostam de mim, vocês também fazem parte, senão seria fácil demais e torço para que permaneça de pé, pra se não aplaudir, pelo menos acompanhar outras vitórias que virão em 2011, sempre com muito trabalho (trabalho sério) e humildade (quem tem ....tem, não da pra comprar).

Alessandro Buzo
extremamente feliz
www.buzo.com.br

Encerrando as atividades em 2010.

* Alessandro Buzo, 10 anos de carreira em 24 de Dezembro de 2010, dia que completa 10 anos do lançamento do seu primeiro livro, "O TREM - BASEADO EM FATOS REAIS"



Vagnão no SARAU da 1a Caranava da Poesia, no Complexo do Alemão



Estação do Teleferico


Alessandro Buzo grava pro Manos e Minas


Teleferico, era gratís no primeiro dia de funcionamento.


Tubarão representando o SARAU SUBURBANO


Luan (Sarau do Binho)


Eunice e João do Nascimento (ELO)


Camila Milani


Lids


Buzo,. Ecio Salles e Marilda Borges


Bebel e Marilda


Bantu e sua musicalidade


Zinho Trindade declama Solano Trindade


Elo da Corrente


Fernando (Sarau da Vila Fundão) e Augusto


Poesia de SP invadindo a comunidade


Crianças do Projeto CULTURA NA CESTA de Santa Cruz-RJ


Buzo entrevista organizador do evento CIRCULANDO no Alemão



* FORÇAS ARMADAS
O "Complexo do Alemão" se encontra ocupado pelo Exército.




Forças Armadas


Entrada da Grota no Alemão, parece filme, mas é a vida real.
Dezembro de 2010 no Rio de Janeiro


* SESC RAMOS





SESC RAMOS


Buzo, Anderson (SESC RAMOS) e Julio Ludemir


Encerrando as atividades em 2010 do escritor Alessandro Buzo e o ano comemorativo dos 10 anos de carreira
www.buzo.com.br


Quem venha 2011...............PAZ A TODOS, Saúde e sucesso.
Alessandro Buzo
Suburbano Convicto Produções

1a Caravana da Poesia.... Quarto e ultimo Sarau no Rio de Janeiro (em 2 dias)...foi na Comunidade Cantinho do Céu no BOREL


Comunidade chegou com a gente, Chacará Cantinho do Céu no BOREL


Vista do Borel


Alessandro Buzo no Boreu



Fomos ao Borel (19/12 - 20h).....
Saimos direto da praia pro Morro, que fica na Tijuca, area do Salgueiro.
Paramos nosso "Buzão" no SESC TIJUCA e embarcamos em Kombis (que fazem o transporte dos moradores) e estavam nos aguardando.
O onibus não sobe as ruas apertadas que a Kombi faz, alto, muito alto, uma vista deslumbrante, o primor da natureza.
Antes de ir pra Igreja Velha, do lado de um campo e da UPP BOREL (unica que fomos com UPP), paramos na casa do Gabeira, não o político e sim um senhor, lider comunitário, poeta e muito gente boa.
Na sua casa (pra 50 pessoas) foi servido uma galinhada maravilhosa e teve até sobremesa.
Ainda fomos na sua laje, que tem a vista incrivelmente linda, ali você pode afirmar.....o Rio de Janeiro continua lindo.
Depois desse tratamento EXTRA VIP, fomos pro ultimo dos 4 saraus da nossa 1a Caravana da Poesia, formado por 40 poetas de 8 coletivos que são ...Ademar, Binho, Elo Da Corrente, Sarau da Brasa, Binho, Suburbano, Circulo Palmarino e Poetas do Tietê.
O Sarau foi de alto nível, uma festa com a presença da comunidade.
Depois de um dia maravilhoso, esse sarau fechou muito bem nosso rolê poetico, voltamos pra São Paulo então, chegamos na manhã da segunda (20/12).
O tanto que a gente estava cansado nesse ultimo compromisso da maratona, nem vem ao caso, importante foi termos ido até o final, ninguém ganhou cachê, foi uma junção de pessoas interessadas em fazer, dos coletivos envolvidos e apoio de SESC RIO e todas comunidades onde estivemos, o cansaço não impediu de ter sido inesquecível.
Julio Ludemir (escritor e roteirista de cinema), foi peça fundamental na articulação no Rio de Janeiro.
2a Caravana da Poesia ? Quem sabe em 2011.....quem sabe.
Por: Alessandro Buzo
REPRESENTANDO O SARAU SUBURBANO: Alessandro Buzo, Tubarão e Zinho Trindade.
Além do fotografo Jefferson Carvalho e a Marilda Borges filmando.
Levei ainda o SUGITA (camera e edição) do meu quadro "Suburbano Convicto" do Manos e Minas da TV Cultura, gravei 2 na viagem, primeiro da CARAVANA e Alemão, outro com o Enraizados.


1a Caravana da Poesia


Guerreiros


As Camilas....da esq. p/ dir. MILANI, TRINDADE e CAETANO.


Tambor....tambor..... Vagnão da Brasa


O Sarau acabou numa grande ciranda

Julio Ludemir, Buzo, lider da comunidade e representante SESC Tijuca


Poetas de SP invadiram o RIO


Pow, Vagnão, Buzo e Jefferson Carvalho


Passamos pela UPP Borel.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GRANDES LIVROS - Resenhas de Jéssica Balbino

Em 2010, 10 anos, 10 crônicas, 10 reais
do livro “Buzo 10 Anos” de Alessandro Buzo

por Jéssica Balbino*

Autenticamente periférico, o livro Buzo 10 é acessível até mesmo no preço. Custa apenas R$ 10 e o melhor jeito de encontrar um exemplar é direto com o escritor. Sim, já vem autografado. Diferente do que se costuma observar nos autores, Alessandro Buzo faz questão de assinar aos fãs e amigos o livro comemorativo, que marca os 10 anos de carreira dele como escritor. Com 10 crônicas, ele conta, nas poucas páginas, como trilhou os caminhos da literatura periférica e se tornou uma das referências nacionais no segmento.
Como uma continuação de um dos livros, o Favela Toma Conta, este, editado de forma independente, faz o leitor pensar que o cara que escreveu as linhas, antes publicadas num blog na internet, sempre fez questão de tirar os sonhos da cabeça e colocá-los em prática.
Livro cheio de progresso, superação e curiosidades. Assim é a sexta obra do escritor que tem um estilo jornalístico direto, reto e cru e que não guarda para si a experiência e os perreios passados. Faz questão de dividir, através dos próprios relatos, os obstáculos que passou como o uso de drogas, os sub-empregos e o veneno dentro do trem do Itaim Paulista. Contudo, a obra Buzo 10 relata um pouco destas histórias, que hoje já recheiam livros como “ O Trem – BASEADO em fatos reais” e “Suburbano Convicto – O Cotidiano do Itaim Paulista”.
Com uma prosa fácil de ser entendida, humor ácido e muita personalidade, Alessandro Buzo marca, em 2010, os 10 anos como escritor e não há maneira, perifericamente melhor, de se comemorar do que lançando um livro que embora pareça simplório, guarda algo bastante singular. E mais, desperta o interesse e favorece o acesso a leitura.
Como diz o próprio autor: “Boa Leitura, a periferia tem livros e escritores, e a elite treme. Se não acredita, vai em um dos saraus espalhados pelas quebradas da sul, leste, oeste, centro norte. Muitos em bares, antigamente litros, hoje livros”. Recomendo em pequenas doses, a começar por este, de apenas 63 páginas e muitos ensinamentos.

* Jéssica Balbino é jornalista, escritora e blogueira
www.jessicabalbino.blogspot.com


www.buzo.com.br

Não sei o que fazer pra ganhar um Prêmio Hip Hop do MINC, mas sei o que não fazer....

* Desde 2004 no Itaim Paulista
* Sempre "Gratís"



www.favelatomaconta.blogspot.com


O QUE NÃO FAZER PARA GANHAR UM PRÊMIO CULTURA HIP HOP
Por Alessandro Buzo

Olá amigos (as) do BLOG
Eu não sei o que é preciso fazer pra ganhar um Prêmio Preto Ghóez do MINC, se eu soubesse teria ganho.
Mais sei 3 coisas que vc não deve fazer e alerto a todos pra não cometerem esses erros.
Viver 24 horas o Hip Hop, fazer um filme (Profissão MC) que traz o Hip Hop, apresentar um quadro na TV num programa de Hip Hop, fazer evento de Hip Hop o ano todo e prestigiar (cobertura), diversos outros eventos. Isso não vai te dar o Prêmio de Personalidade, então se pretende ganhar um dia, não faça isso.
Ser fotografa (Marilda Borges) e cobrir o Hip Hop constantemente a anos, mantendo o BLOG e ter nele os maiores monstros do RAP NACIONAL sempre, em eventos por todo país, algumas vezes pagando passagem do bolso. Isso não vai te dar o prêmio, então se pretende ganhar um dia, não faça essas coisas.

Agora a maior de todas.....

Se vc quiser um dia ganhar o Prêmio Cultura Hip Hop do MINC, não faça um evento gratuíto de Hip Hop de graça na periferia.
Porque o "Favela Toma Conta" , que existe desde 2004, já aconteceu 23 vezes, sempre de graça no extremo leste de SP, já tendo em algumas edições comido o pão que o diabo amassou, tendo dado prejuízo financeiro aos organizadores, e mesmo assim rolando de 3 a 4 vezes por ano, a 7 anos no Dia das Crianças do Itaim Paulista, mesmo sem dinheiro tendo conseguido levar ao Itaim Paulista nomes como Dexter, GOG, Realidade Cruel, Thaíde, Sandrão RZO, DMN, Função RHK, A Família, Ndee Naldinho, Criolo Doido, Inquerito, Lindomar 3 L, Dudu de Morro Agudo, Trilha Sonora do Gueto, Periafricania, De Menos Crime, Alvos da Lei, MC Merechal, PeVirgulaDez, Elly Pretoriginal entre tantos outros.....
Isso tudo junto, não vai te dar um Prêmio Cultura Hip Hop.
Então....se você sonha um dia ser reconhecido por tudo que você faz no (e pelo) Hip Hop, não faça essas coisas, porque se você fizer, você não vai ganhar.
Não sei se porque quem julgou não sabe nada de HIP HOP, nunca pisou no barro, nunca passou 1.000 B.O. pra realizar um evento na favela. Esse ano paguei um TAXI do Brás ao Itaim Paulista porque não tinha um único carro pra levar os doces que não foram doados por ninguém não, foram comprados com dinheiro VIVO, não vindo do crime e sim de apoio conseguido bem longe da quebrada.
Mas não estou aqui dizendo que não é merecedor os 135 projetos contemplados pelo Premio Preto Ghóez, do MINC.
PARABÉNS A TODOS !!!!
Esse desabafo é porque não consigo entender o que faltou pra o evento "Favela Toma Conta" ganhar. Acho uma injustiça e como não tenho rabo preso com ninguém, solto meu grito agora, pra não me sentir oprimido.
Mas..........PARABÉNS A TODOS GANHADORES !!!!
E quanto ao "Favela Toma Conta", nóis capota mais num breka.
Vamos seguir nossa caminhada que o reconhecimento das ruas vale mais do que dinheiro.
grato pela atenção e desculpa qualquer coisa.
Alessandro Buzo
organizador do evento
www.favelatomaconta.blogspot.com

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"CIDINHA", mineira, moradora do Rio de Janeiro, venho a São Paulo e lançou seus livros ontem no Bixiga


Livros incríveis


Cidinha autografa seus livros


Os escritores Alessandro Buzo e Cidinha

Texto: Alessandro Buzo
Fotos: Marilda Borges

Ontem (terça chuvosa em SP, 14/12/10), aconteceu o ultimo lançamento de livro do ano na Livraria Suburbano Convicto do Bixiga, foram muitos em 2010 e muitos outros virão em 2011.
E pra encerrar esse ciclo em 2010, uma das maiores escritoras do país, CIDINHA esteve com seus livros, um mais bonito que o outro.
Cidinha é um dos nomes mais respeitados da literatura afro brasileira, Cidinha é também muito simpática, encantadora ao falar e ler seus escritos para os privilegiados que compareceram ao evento.
Uma noite agradável, depois de um dia de muita chuva.
Os livros estão a venda na Livraria Suburbano, pra quem não pode aparecer ontem.


Tudo Nosso !!!!


Michel, Buzo, Cidinha e Raquel




Cidinha falou e leu


Michel (ELO) e a filha Yakini


Alessandro Buzo na sua livraria, mais que comercio, um espaço cultural


Público bastante interessado no Bate Papo com a Cidinha


Cidinha com seu ultimo livro, lançamento


www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com

Fotos: Marilda Borges
www.marildafoto.blogspot.com

domingo, 12 de dezembro de 2010

Numa cidade muito longe daqui / Arlindo Cruz

Numa cidade muito longe,
Muito longe daqui
Que tem problemas que parecem
Os problemas daqui
Que tem favelas que parecem
As favelas daqui
Existem homens maus
Sem alma e sem coração
Existem homens da lei
Com determinação
Mas o momento é de caos
Porque a população
Na brincadeira sinistra
De polícia e ladrão
Não sabe ao certo quem é
Quem é herói ou vilão
Não sabe ao certo quem vai
Quem vem na contramão
É, não sabe ao certo quem é
Quem é herói ou vilão
Não sabe ao certo quem vai
Quem vem na contramão
Porque tem homem mau
Que vira homem bom
Porque tem homem mau
Que vira homem bom
Quando ele compra o remédio
Quando ele banca o feijão
Quando ele tira pra dá
Quando ele dá proteção
Porque tem homem da lei
Que vira homem mal
Porque tem homem da lei
Que vira homem mal
Quando ele vem pra atirar
Quando ele caga no pau
Quando ele vem pra salvar
E sai matando geral
É parceiro
E aí é que a chapa esquenta
É nessa hora que a gente vê quem é fiel
Mas tanto lá como cá
Ladrão que rouba ladrão
Não tem acerto pedido, terror, terror
Terror não tem perdão
Quem fala muito é X-9
E desses a gente tem de montão
Mais o X do problema
Tá na corrupção
Um dia, o bicho pegou
O coro comeu
Polícia e bandido bateram de frente,
E aí meu cumpadre
Aí tu sabe
Aí foi chapa quente, chapa quente...
Bateu de frente
Um bandido e um
Sub-tenente lá do batalhão
Foi tiro de lá e de cá
Balas perdidas no ar
Até que o silêncio gritou
Dois corpos no chão, que azar
Feridos na mesma ambulância
Uma dor de matar
Mesmo mantendo a distância
Não deu pra calar
Polícia e bandido trocaram farpas
Farpas que pareciam balas
E o bandido falou:
Você levou tanto dinheiro meu
Agora vem querendo me prender
E eu te avisei você não se escondeu
Deu no que deu
E a gente tá aqui
Pedindo a Deus pro corpo resistir
Será que ele tá afim de ouvir?
Você tem tanta bazuca,
Pistola, fuzil e granada
Me diz pra que tu
Tem tanta munição?
É que além de vocês
Nós ainda enfrenta
Um outro comando, outra facção
Que só tem alemão sanguinário
Um bando de otário
Marrento, querendo mandar
Por isso que eu tô bolado assim
Eu também tô bolado sim
É que o judiciário tá todo comprado
E o legislativo tá financiado
E o pobre operário
que joga seu voto no lixo
Não sei se por raiva
Ou só por capricho
Coloca a culpa de tudo
Nos homens do camburão
Eles colocam a culpa de tudo
Na população
{E o bandido...}
E se eu morrer vem outro em meu lugar
{Polícia...}
E se eu morrer vão me condecorar
E se eu morrer será que vão chorar?
E se eu morrer será que vão lembrar?
E se eu morrer... {já era}
E se eu morrer
E se eu morrer... {foi!}
E se eu morrer
Chega de ser subjugado
Subtraído, um sub-bandido de um
Sub-lugar, sub tenente de um
Sub-país, um sub-infeliz
sub infeliz..
LaiálaiálaiálaiálaiáLaiálaiá
subjugado, Subtraído,
um sub-bandido de um sub-lugar,
sub tenente de um sub-país,
um sub infeliz..
Mas essa história
Eu volto a repetir
Aconteceu numa cidade
Muito longe daqui
Numa cidade muito longe,
Muito longe daqui
Que tem favelas que parecem
As favelas daqui
E tem problemas que parecem
Os problemas daqui
Daqui
Daqui
Daqui

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CARAVANA DA POESIA

CARAVANA DA POESIA
42 poetas de SP em 4 sarau em 2 dias no Rio de Janeiro

7 poetas dos saraus Brasa, Fundão, Elo da Corrente, Ademar, Suburbano e Binho.

* Alessandro Buzo grava 2 quadros "Suburbano Convicto" durante a caravana, um com a viagem e o sarau no Alemão.
Outro sobre o Movimento Enraizados.

Sábado 18/12
Complexo do Alemão
Comunidade Fallet (Sta Teresa)
ENRAIZADOS (Nova Iguaçu, Baixada)

domingo 19/12
Salgueiro

* Breve maiores informações..

Livraria Suburbano Convicto na reta final do ano....



* Clique na imagem para ampliar.......

Não somos apenas um comercio, somos um centro cultural.
A Periferia no Centro, em grande estilo.
Venha fazer parte desse time....
Alessandro Buzo

www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com

**** CONFIRA NOSSAS PROMOÇÕES !!!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

GRANDES LIVROS - Resenhas de Jéssica Balbino

Os fabulosos prazeres da periferia
do livro “Guia Afetivo da Periferia”, de Marcus Vinícius Faustini

Recheado de pequenos prazeres, o livro de Marcus Vinícius Faustini é diferente de tudo aquilo que já se leu. É simples. E por ser tão delicado, é delicioso. Mas, falo de uma delicadeza ácida, se é que isso é possível. O “Guia Afetivo da Periferia” é uma viagem interna pela cidade maravilhosa, mas para além dos cenários festivos das novelas de Manoel Carlos, ou sangrentos do estilo favela movie.
O relato ao estilo memória-presente é bem escrito. Poético, crítico e de uma beleza visceral, o livro é comparado a Amélie Poulain da periferia e o leitor percorre, como se fosse ele próprio, os caminhos por onde Faustini viveu e se descobriu.
Lembranças de noites quentes com um ventilador azul ligado, as linhas de ônibus e trens que pegava, os livros lidos, a iniciação na cultura punk, as latas de sardinha e os azulejos amarelos na pia de casa são algumas das coisas que proporcionam ao leitor a sensação de que ele próprio já vivenciou tais citações.
Os namoros com moças fãs de cinema francês, as leituras dentro dos ônibus e trens, as observações dos prédios da cidade e os pedidos de trocados para a mãe, no intuito de comprar doces na venda da esquina são algumas das afeições que o garoto franzino, vítima de tuberculose e calçado com botas ortopédicas brinda os leitores, sejam eles do gueto ou não, numa viagem gostosa e com sabor de saudade da infância.
Quem viveu nos anos 1980 não pode perder o relato, que integra a coleção Tramas Urbanas, da editora Aeroplano e vem incrementado de várias imagens da época, além das boas histórias.
Fotografias da família reunida na mesa, com uma garrafa de coca-cola comprada na venda da esquina somente aos domingos ou do vídeo-game Atari, que na época fez a cabeça dos garotos são algumas das lembranças que traçam o caminho que o leitor deve percorrer por entre as memórias de Faustini, uma pessoa tão comum a ponto de passar uma noite inteira chorando dentro de um ônibus, por saudade, que é absurdamente encantador.
Não é o tipo de livro que dá vontade de terminar, porque ao chegar no último parágrafo, temos a certeza de que o autor poderia continuar escrevendo a própria história, para sempre, que seria bom ler e compartilhar, afinal, há muita afetividade que une quem escreve e quem lê – porque há vivência sincera e mais, guarda um destino fabuloso.


* Jéssica Balbino é jornalista, escritora e blogueira (www.jessicabalbino.blogspot.com


domingo, 5 de dezembro de 2010

Literatura (é) a Cura

Acabei de ler agora o livro "A Rima Denuncia" do GOG (Global Editora - 256 paginas).
Um documento histórico pro Hip Hop, letras de musicas dos mais de 20 anos de carreira do poeta do Rap Nacional e comentários sobre a produção de seus discos e musicas.

TARDES PERIFÉRICAS. (Trilogia dos dias)

Por: Manogerman
ggarrudas@hotmail.com

O vento sopra na tarde de mais um dia.
No portão deitar ao chão, nuvens no céu
Figuram-se nas mentes de quem for capaz.
A garota e o rapaz sentado na praça a olhar
a rua calma as pessoas passam.
O vento sopra o tempo.
Tardes para andar.
Tardes para pensar.
Tardes para descansar.
Todas as tardes do mundo nós ficamos
como um gira mundo.
Andando sem rumo.
Da casa pra rua, da rua pra praça.
Da praça pra casa.
Mulheres e crianças se misturam nas calçadas.
Brincadeiras e fofocas.
A tarde é sempre hora de pipocas.
Lá dentro de casa à dona arruma a sala.
Banheiro, cozinha e a pia é dia de faxina.
A televisão ligada crianças ao seu lado.
Desenhos e notícias na TV, enchentes, engavetamentos
Nas estradas todas as tardes.
Propagandas que muito a criançada engana.
Homens vendem panos de pratos, pamonhas e bambus para varal.
Mulheres olham signos no jornal.
Parecia mais um dia de tardes vazias.
Lá na praça acontece um vesperal, mas nem tudo é legal.
O menino que na rua brinca, com bola, já voltou
da escola.
Rapazes desocupados preferem andar armados.
Confusão ali do lado perto do espetáculo.
Que era par ser uma maravilha.
O que acontece em uma tarde na periferia, bala perdida.
Periferia sempre tragédias no ar.
Levaram toda alegria de uma tarde cheia de magia.
E de uma vida que queria vencer na lida.
Tarde triste tarde sem graça tarde de desgraça.
Olhar para traz para reconhecer a paz.
A maldade e a inveja tomam conta das
Tardes periféricas.
Poema da Trilogia das fases dos dias: Amanhecer, Entardecer (tardes periféricas) e Anoitecer na periferia.

Germano Gonçalves - O urbanista Concreto

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lançamento do CD "O Sonho Não Envelhece" do Jairo Periafricania



* Clique na imagem para ampliar....

10 anos de carreira, em grande estilo

Por: Alessandro Buzo

2010 começou com muita expectativa pra mim, afinal 2009 tinha sido ótimo, com lançamentos.....livros e filme "Profissão MC".
Não só por 2009 ter sido bom, mas 2010 prometia (e se cumpriu), porque era um ano especial onde eu (Alessandro Buzo) comemorei 10 anos de carreira. Desde dezembro de 2000 quando lancei meu primeiro livro "O Trem - Baseado em Fatos Reais"
Queria que o ano ficasse marcado por vitórias e conquista, encerrando esse ciclo de 10 anos, pra mim poder visualizar os proximos 10 e projetar o crescimento da "Suburbano Convicto Produções".
Assim aconteceu, o filme "Profissão MC" não parou de ser exibido, inclusive em outros estados e países (Portugal e Japão). Com ele ganhamos a Medalha GALGO ALADO em Gramado (RS), longe demais pra um filme feito sem captar um unico real, nas ruas do Itaim Paulista, extremo leste de SP, com atores sem experiência.
A coletânea "Pelas Periferias do Brasil" chegou no VOL IV.
Lancei um livro comemorativo "Buzo 10 Anos", inaugurando oficialmente o selo "Suburbano Convicto Edições.
Encerro o ano com chave de ouro, lançando meu sétimo livro "HIP HOP - DENTRO DO MOVIMENTO" (Aeroplano Editora)...ainda definindo dia de lançamento.
Viagens muitas, fui pra Porto Alegre, Canoas, Gramado, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e quase 20 cidades do interior de São Paulo.
Conheci lugares como o Complexo do Alemão.
Participei de eventos TOP como o Fórum Social Mundial, Festival de Cinema de Gramado (RS), Feira do Livro de Canoas (RS).
Iniciei o SARAU SUBURBANO com edições no Itaim Paulista e Bixiga, além de edições especiais em Canoas (RS) e 14 cidades do interior paulista pelo Circuíto SESC de Artes 2010.
Desde agosto de 2010, estamos com o "Espaço Suburbano Convicto" com Biblioteca, cinema, sarau e oficinas no Itaim Paulista, periferia, lado leste.
Firmamos a Livraria Suburbano Convicto na região central de SP, no tradicional bairro do Bixiga.
Fizemos 3 edições do evento de Hip Hop "Favela Toma Conta", inclusive pelo sétimo ano seguido no Dia das Crianças, também na "minha" quebrada, Itaim Pta.
Segui eventos como Suburbano no Centro, outros surgiram como o Suburbano em Debate.
Amigos (as), mantive os que tinha e conquistei outros, o Bonde do Bem.
Paguei minhas contas em dia, mesmo trabalhando exclusivamente com cultura, dei emprego pra poucos e fortaleci nos eventos outros tantos.
Fiz Comunicação dirigida pro Instituto Itaú Cultural.
Vi e fiquei feliz com o progresso de vários companheiros de luta.
Vi o Programa Manos e Minas onde tenho um quadro desde 2008, ser retirado da programação da TV Cultura e voltar graças a "Mobilização Popular" principalmente na internet. Voltei junto em Novembro/ 2010, agora não mais fazendo o quadro "Buzão" produzido pela DGT Filmes, mas contratado diretamente pela TV e nas ruas com o novíssimo quadro "Suburbano Convicto".
Deus cuidou de dar disposição, saúde e paz pra mim e minha família.
Fui um bom marido e pai (eu acho), sou suspeito pra falar.
Enfim........parece que estou sonhando, mais tudo isso e muito mais que faltou nesse texto, aconteceu em 2010 e é como eu digo: - 2010 é Dez, Buzo, 10 Anos de Carreira.
O pior (pros bico) é que em 2011 tem muito mais.
Obrigado a todos (as) que admiram meu trabalho, seja na literatura, TV ou no Hip Hop.

Eternamente grato a quem torce a favor
Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

Agradecimentos aos parceiros TV Cultura, DGT Filmes, Ação Educativa, Centro Cultural da Espanha, Itaú Cultural, SESC, Pedro Diniz.

Salve aos coletivos que servem de inspiração e correm juntos pelo mesmo ideal.....Afroreggae, Poesia na Brasa, Elo da Corrente, Casa de Cultura do Itaim Paulista, Tenda Literária, Os Mesquiteiros, Periferia Invisível, Rádio Filó, Gruta Studio, Cooperifa, Literatura no Brasil, 1 da Sul, Torô, Sarau do Binho, Enraizados, A Cupula (Capão), Casa do Zezinho, Nuncleo Bartolomeu de Depoimentos, CUFA, Quilombaque, Sarau da Vila Fundão, A Firma (Taboão), OPNI, DRR, Casa do Hip Hop de Diadema, Blackitude (BA), NPN (MG), Ler é Dez (Complexo do Alemão) e tantos outros, certamente esqueci de alguns.....

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dia 14 tem lançamento da CIDINHA na Livraria Suburbano Convicto do Bixiga



* Clique na imagem para ampliar....

GRANDES LIVROS - Resenhas de Jéssica Balbino

Num lugar muito distante

Do livro “Muito longe de casa – memórias de um menino soldado” de Ishmael Beah
por Jéssica Balbino*

A sensação, ao terminar o livro, é como estar, realmente, muito longe de casa.
Triste. Rico. Vivo. Latente. Real. Assim é o relato de Ishmael Beah, o menino soldado. Africano. Pobre e preto. Sem família, comida, destino, paradeiro, sonhos. Sozinho pelo mundo, vítima da maldade humana, tornou-se soldado lutando do lado daqueles que lhe tiraram a família e mais um, viciado em cocaína, viveu toda infância e adolescência num campo de batalhas, onde a morte parecia mais natural do que comer ou mesmo sonhar.
A guerra civil do país Serra Leoa fez muitas vítimas, entre eles, amigos e familiares de Ishmael, que ele teve que ver morrer antes mesmo dos 12 anos, sem imaginar qualquer recompensa por tanta luta.
Vivia a procura do que comer quanto do estômago doesse e nessa luta para manter-se vivo, deixou muitos pedaços de si morrerem, ao ser torturado por grupos de soldados e inimigos do seu porro, sem saber porque apanhava.
Assim, não sentiu a dor de matar pela primeira vez, nem a segunda e nem de viver como um soldado, armado e com o sangue frio, matando para ter o comer, sob o efeito da cocaína, maconha e cheiro de pólvora. O estômago deixava de doer e fome, mas embrulhava diante das próprias atrocidades.
Digna de cinema, a história é baseada no relato do próprio jovem, que hoje tem 26 anos e é integrante de uma Ong que luta por direitos humanos.
A leitura é forte e as palavras não são medidas. Começam num dia comum na vida de um garoto, que ainda criança, enche os bolsos de fita k7 com sons de raps típicos de seu país e sai para passear. Nunca mais volta para casa. E tão longe que está distante até hoje.
O relato do garoto, mesmo revisto, é repleto de erros de expressão, que ele não teve tempo de aprimorar, enquanto fugia da morte.
Um livro que não tem nada de romance, tem tudo de vivência e é forte sem ser enjoativo. Apesar de dolorido, é gostoso de ler. E mais do que isso, necessário.
Vale a pena conhecer a história do garoto que teve tudo contra si mesmo e fez algo em prol de si mesmo e do seu país. Se formou bacharel em ciências políticas e participa de diversos congressos sobre crianças afetadas pelas guerras, apesar de não imaginar que estaria vivo e tampouco que queria um escritor. É uma lição de vida por meio da literatura mais sincera que pode existir. A feita com o coração.

*Jéssica Balbino é jornalista, escritora e blogueira
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