domingo, 16 de janeiro de 2011

Esse tal "ano do rap"...

Por: Gilponês
Fonte: www.centralhiphop.com.br


Há exatos 16 anos, o grupo Sistema Negro, de Campinas, gravou a faixa "O poder da rima" (álbum Bem-vindos ao Inferno), em que o rapper Doctor X dizia: "1994 é o ano do rap". Desde então, quando uma virada de ano se aproxima, diversas pessoas têm repetido tal "previsão". Perdi a conta de quantas vezes ouvi que "o ano que vem será o ano do rap".
Parei para refletir: será que o tal "ano do rap" já chegou e passou despercebido ou será que ele ainda se mantém como uma eterna promessa - sem prazo definido para se cumprir? O que falta para que tenhamos realmente um "ano do rap", de forma indiscutível e incontestável? Aliás, como devemos interpretar o que viria a ser o "ano do rap"? E até que ponto o tal "ano do rap" pode ser interpretado como algo positivo para o próprio rap?
De fato, o cenário musical brasileiro, pautado na grande mídia à base de jabás e modismos tolos, sempre costuma ser marcado por "ondas" - que, depois da arrebentação, costumam trazer apenas mais lixo para a praia musical. Entre outros gêneros e subgêneros, já tivemos o ano da lambada, do sertanejo, do pagode, do axé, do forró universitário e do miami bass (que os desinformados, erroneamente, gostam de chamar de "funk"), entre outros que vêm e vão...
No geral, esses estilos musicais ganharam holofotes com formatos pasteurizados, artificiais e, na maioria dos casos, emburrecedores - "coincidentemente", patrocinados por gravadoras multinacionais. Afinal, a grande mídia não quer reverberar músicas que possuam conteúdo inteligente ou contestador, que mirem as entrelinhas da cultura, que questionem, critiquem, eduquem e instiguem a população a refletir sobre assuntos verdadeiramente pertinentes - papel que muitos nomes do rap ainda cumprem com propriedade.
Será que para termos o tal "ano do rap" ele precisará se modelar de acordo com as "regras" não escritas da grande mídia? Será que vale a pena fazermos qualquer coisa para que o "ano do rap" finalmente se concretize? Será válido esvaziarmos os ideais do rap para que ele seja aceito comercialmente - por exemplo, ao gravar canções que usam o ritmo do rap com letras "rebolativas" que se encaixariam perfeitamente na axé music? Isso não derrubaria o propósito da essência do rap, de questionar os modelos culturais vigentes e manter seu discurso contestador/reeducativo?
Particularmente, não faço nenhuma questão de ver o tal "ano do rap" chegar. Considero isto algo bastante limitador para um gênero musical que já vem transpondo gerações, mesmo que de forma "silenciosa" - vejo mais importância na proliferação do rap pelo anonimato dos flancos periféricos do que pelos palcos do Faustão ou do Gugu, por exemplo. Ao invés de um simples e breve "ano", prefiro que tenhamos décadas, quiçá séculos, do rap - aliás, do HIP-HOP, para ser mais justo e preciso! Assim como até hoje ouço muito soul e funk (de raiz) dos anos de 1960 e 1970, espero que os jovens das décadas de 2080, 2100, 2200, 2500 ouçam muito rap verdadeiro feito no final do século XX e início do século XXI.
Se o conceito de "ano do rap" se refere apenas ao profissionalismo da cena, com a autogestão funcionando de forma plena, gerando empregos e fazendo o dinheiro circular entre os verdadeiros protagonistas do rap, então sou a favor de que esse "ano do rap" chegue logo. Mas não creio que o rap consiga mover milhões (de pessoas ou de R$), como o pagode ou o sertanejo, sem se corromper, sem ter de moldar sua forma e amenizar seu conteúdo para agradar os barões da grande mídia. Diante disso, o que fazer: manter-se independente, mas fiel a seus valores, ou seguir certos padrões (como adotar fúteis letras de axé music) para ganhar espaço nos principais veículos de comunicação?
Em tempo: o equilíbrio é possível. Entre o engajamento e a prostituição ideológica, existe uma opção, um caminho. GOG, por exemplo, é um ótimo exemplo de MC que nunca precisou mudar de postura ou discurso para conquistar respeito com sua música. Ele já provou que é possível sustentar sua família com dignidade, incentivar novos nomes do rap e gerar empregos sem precisar "pegar leve" nas letras ou gravar sons "rebolativos" demais e reflexivos de menos. GOG pode não estar milionário como o 50 Cent ou o Zezé di Camargo, mas com certeza não tem de que se envergonhar pelo que expressa em suas músicas ou pelo que faz nos bastidores. E é referência para muitos MCs das novas gerações.
Seja o "ano do rap" ou não, que venha 2011! Desejo muita LUZ a todos que ainda têm um propósito sincero no hip-hop, que preferem trabalhar mais e futricar menos, que tentam somar e multiplicar ao invés de subtrair e dividir. Um ótimo ano aos agentes culturais que ainda defendem os verdadeiros valores do rap, que não conjuminam com "rebolations" sem propósito e que não trocam seus ideais por 15 minutos de fama. Felizmente, 2010 foi um ano bastante produtivo neste sentido, o que nos traz uma boa dose de otimismo para este novo ano, seja ele chamado de "ano do rap" ou não. E que as perspectivas positivas se perpetuem para todos nós! Muita PAZ a todos/as!!!

sábado, 15 de janeiro de 2011

VOL I do Pelas Periferias.......



O VOL I do livro "Pelas Periferias do Brasil" é ESGOTADO e tem muita procura.
Os Vol II e III estão chegando ao final também, complete sua coleção.

Alessandro Buzo
organizador

Dizeres de 1 Honesto Indignado!

Por: Brunão ( D’Mente Sagaz)

Às vezes na memória vêm as lembranças
De quando na infância não tínhamos maldades
Todos nos éramos crianças

Hoje tudo mudo, a moda quem faz é imaginação
E aquilo que sempre sonho, vira meta com um revolver na mão

São meninos bons, que não têm um incentivo
Mais se a educação está em baixa...
...pro crime é dois palitos!

Os pais educam seus filhos lhe batendo com as mãos
Mais se bater desse jeito, não tinha ninguém na prisão

Hey! Você concorda comigo? – Venhamos e convenhamos
Na profissão perigo, me diz que é que está lucrando

São menores se revoltando, crescendo e no crime se batizando
É péssimo ver isso, meu Deus! Mais até quando?

Vamos ficar a mercê desse sistema que nos manipula...
...a lei é chega? – Ou será que se faz de injusta?

Penaliza aqueles que entram no crime por necessidade
Mais fica pouco tempo preso que é
Pós-graduado formado na faculdade

Mesmo assim com tudo isso, a nossa vida continua
a culpa não é minha porém também não é sua

Só estou falando isso por que me sinto indignado
Temos que lutar e, mas continuamos ainda sentado!

Consciência Negra VI

(a fumaça do fuzil)
Por: José Antonio Basto
jabastopoetaser@gmail.com


I
Corre, corre sangue do cativo
Corre e sai desse perigo
Corre depressa negro gentil!
Foge dos elos que te prende
Enquanto o fogo acende
Na fumaça do fuzil.

II
Embala o teu sangue desgraçado
Por viver abandonado
Nas roscas dessa prisão
O peito coberto de horror
No chicote do feitor
Nas presas da escravidão.

III
Somos negros por destinos
Somos assim desde meninos
Como “amigos do rei”
Somos filhos desta terra
E não fugimos da guerra
Já que não existe lei.


IV
Lá se vem o tumbeiro
O grande Navio Negreiro
Carregando meus irmãos
Sobre as vagas do mar
Ouve-se o som do ganzá
Na infinita escuridão.


V
Vai correndo sobre o tempo
Nadando em sofrimento
Pra um dia se libertar
Desta corrente antiga
Entoada na cantiga
De todos os filhos de Hagar.







VI
Corre e desprende da senzala
Não treme tua doida fala
Que lá da África saiu
Estampa agora a mensagem
De tua grande coragem
Que ao tempo resistiu.



VII
Cai o leão contra a fome
Que tua sede consome
Na fúria da crueldade...
Vai vingança feroz!
Ao rir na tumba do algoz
Em busca de liberdade.


VIII
Corre a mão no tambor
Na lembrança de tua dor
Que já sofreu injustiça
Corre negro fujão!
Que atrás ladra um cão...
Numa tocha que atiça.


IX
Corre no lombo a chibata
O bacalhau que maltrata
O couro do almirante
Uma alma de dragão
Que fugiu da maldição
Na batalha incessante.


X
Corre o gunga berimbau
Em uma luta tribal
Corre o agogô e a cabaça
No suor do capoeira
Corre nação brasileira!
Seguindo esta fumaça.



XI
Aguça tua foice balaio
Tão veloz como um raio
_Salve COSME imperador_
Salve a resistência escrava
Salve a fumaça da pólvora
Que combateu o senhor.


XII
Corre NEGRA CONSCIÊNCIA
Em meio à violência
Corre ZUMBI que resistiu...
Corre negro destemido!
Honra teu sangue sofrido
Na fumaça do fuzil.



Autor: José Antonio Basto

Espaço Cultural Catarina Mina

São Luís/MA, 20 de Novembro de 2010

* Em dedicação aos 315 anos de assassinato do maior líder negro da história do Brasil: ZUMBI DOS PALMARES. Merecendo também destaque o NEGRO COSME BENTO DAS CHAGAS – “Tutor e Imperador das Liberdades Bem-ti-vis na Guerra da Balaiada” e, todos os líderes do Maranhão e do Brasil que direta e indiretamente de alguma forma lutaram e vem lutando pelo fim da opressão contra os negros e negras desse país.


Salve o Tambor de Criôla do Maranhão!

O Inverno se apresenta

Por Preto Michel (PA)

O inverno chegou em Belém e em algumas cidades do interior do Pará, e aqui na minha cidade, quem morar nas baixadas praticamente ja está preparado para ese tempo chuvoso pois todos os invernos é a mesma coisa, muita chuva pela parte da tarde aparti das 15:horas, que dura mais ou menos 1:hora, são 60 minutos de àgua, mais dar um grande estrago, no transito e principalmente em alagamentos em ruas pertos de canais, com o lixo entulhado nos cantos das ruas , por falta de recolhimento da prefitura e também por falta de educação da população que joga o lixo nos dias e horarios errados, o caos e indevitavel, mas como paraenses ja esperamos por isso todos os dias, pois aqui chove todo dia, a diferença que no inverno chove com mais intencidade. Vejo as noticias sobre as trajedias que ocorrem em outros estados, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro provocadas pelas chuvas de verão, fico sempre pensando nas pessoas que perdem tudo em menos de 5 minutos, pelo barranco que cedeu, e o despero das pessoas que perderam suas casas porque elas estão comprometidas, penso nos meus amigos que na maioria e do hip hop e de outras vertentes artisticas de boa fico preocupado. E assim como aprendemos atraves de nossa arte vinda das ruas o hip hop, falamos em nossa letras de raps, ou em nossos textos e livros, em nossos grafites, fanzines, sitios, radios comunitarias e web, sobre a violência policial, sobres os preconceitos e discriminação racial e social, isso nos fortalecu muito e deu referencia para muitos de nos jovens que nos tornamos adultos e recebemos o devido respeitos por nossas vozes que clamavam por justiça, boa educação e saude para nosso povo que vive nas periferias desse Brasil a fora. Mas agora precisamos informar mais nosso povo,POIS EXISTE UM PROBLEMA muito maior e perigoso, que ta acima de todoas essa questão que eu coloquei acima, e esse problema se chama DESEQUILIBRIO DA NATUREZA, que é causada pela nossa falta de conscientização em melhorar nossas responsabilidades com meio que vivemos QUANDO NÃO CUIDAMOS DIREITOS DE NOSSO LIXO(coleta seletiva de lixo), quando jogamos papel de bombom na rua eoutras sacos e garrafas pets etc...Com as grandes industrias que poluem o ar todo dia, pelo nossos governates que faz vista grossa nas questões ambientais seja no congresso ou senado, nas assembleias legislativas das cidades em geral, pela falta de valorização na presevação das florestas seja na amazonia ou em outras floresta(a Amazonia e do Brasil e não so da região amazonica). Então como um mensageiro do hip hop da Amazônia, especificamente do MHF(movimento hip hop da floresta) primeiro quero ser solidario as pessoas que perderam suas casas e que foram vitimas dos descasos que sofrem ai no suldeste e em outros estados, e as pessoas pessoas aqui na minha cidade que tem que acordar todos os dias em baixo de àgua. Então depois desse desabafo SINCERO, divido minha preocupação e atitude para possamos usar o rap, o grafite, a literatura e todos os intrumentos de formação e informação para se estimular campanhas, debates, seminarios, intervenções culturais ligados aos problemas sobres o problemas climaticos que nosso pais enfretar.E QUE atitudes educativas sobre presevação do meio ambiente,seja prioridade em nossas casas, baixadas , favelas, morros, guetos em toas as periferias do Brasil, PORQUE o afuria do inferno e verão da natureza vem mais forte e pode ser EU ou VOCÊ que està lendo esse texto a proxima vitima de um problema que o proprio homem começou a dezenas de anos e agora não tem forças para controlar.

PRETO MICHEL BELÉM/PARÁ/AMAZÔNIA
pretomj@yahoo.com.br
http://daabaixada.blogspot.com/

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Alessandro Buzo foi editor de Revista do VIVA FAVELA, especial Literatura Periferica

http://sn108w.snt108.mail.live.com/default.aspx?wa=wsignin1.0

O Site "VIVA FAVELA" do Rio de Janeiro, lançou uma revista on line de Literatura Periferica e eu (Alessandro Buzo) sou o editor, confira no link acima.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Literatura é a Cura

Acabei de ler "CEGO ADERALDO" do Claudio Portella (Edições Demócrito Rocha - 100 paginas).
Um livro muito bacana sobre um cego cantador que virou lenda no nordeste.
#BEMLEGAL

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pode fazê barulho família......NOVO LIVRO DE ALESSANDRO BUZO (sétimo) !!! HIP HOP - Dentro do Movimento............lançamento dia 20 de Janeiro/2011


HIP HOP - DENTRO DO MOVIMENTO de Alessandro Buzo
Aeroplano Editora

Preço médio R$ 30,00
* No lançamento preço especial R$ 20,00

CONVIDAMOS A TODOS PRA UM BRINDE
Lançamento do Livro "HIP HOP - DENTRO DO MOVIMENTO" dia 20 de Janeiro de 2011, na Livraria Suburbano Convicto (até o local é "POR NÓS MESMOS") do Bixiga.
Das 19h às 22h.
Sua presença é fundamental.
Vamos entrar o ano brindando que mais um livro da periferia para periferia está nas ruas e muito em breve será traficado pelos seus becos e vielas.
Vem com a gente ....

* Preço especial de lançamento: R$ 20,00
* Cada entrevistado ou quem deu depoimento tem 1 exemplar de cortesia.

SERVIÇO
Local: Livraria Suburbano Convicto
Rua 13 de Maio, 70 - 2o and - Bixiga (região central de SP)
(11) 2569-9151
suburbanoconvicto@hotmail.com
buzo@suburbanoconvicto.com

* Aceitamos Visa e Master


Sobre o Autor

Alessandro Buzo é nascido e criado no Itaim Paulista, extremo leste de SP.
Palmeirense, pai do Evandro, esposo da Marilda.
Diretor do filme "Profissão MC", quadro na TV Cultura (Programa Manos e Minas) desde 2008.
Idealizador e apresentador de diversos eventos de HIP HOP e de Literatura, destaque para o "Favela Toma Conta" (desde 2004).
Fez 10 anos de carreira em 2010, e em janeiro de 2011 lança seu sétimo livro, décimo primeiro se contar os 4 volumes da coletânea que organiza "Pelas Periferias do Brasil"
É um "SUBURBANO CONVICTO" e faz questão de deixar isso claro, se duvidar é só fazer o DNA.


Release do livro
Alessandro Buzo entrevistou cerca de 70 pessoas no ano de 2010, assunto: HIP HOP.
Falamos com grandes nomes do RAP NACIONAL, com miltantes do Acre, Piauí, Bahia e vários estados. Participação de Lucia Teninna da Argentina.
Muita gente boa ficou de fora porque não deu certo de trombar nos mesês de produção, mas a rapa aqui reunida, não é pouco e a intenção que esse livro sirva de fonte de pesquisa, ver o que pensa que é de "DENTRO" do Movimento.
Tudo que você queria perguntar sobre HIP HOP e não sabia pra quem.
Alessandro Buzo perguntou pra nomes de destaque como Dexter, GOG, Thaíde, Rappin Hood e outros, pegou depoimentos de pessoas sobre o hip hop, nomes como Fernando Bonassi, Negra Li e outros.
Enfim, esse livro como diz a Heloisa Buarque de Holanda no prefácio: - Uma história de Rap em três mesês ... Sera ? Hesitei um pouco, mas resolvi arriscar. Na semana passada recebi a primeira versão dos originais prometidos e me surpreendi. Para uma professora de longa data como eu, uma história do RAP obedeceria a mertodologias de mapeamentos, pesquisas em diversas fontes, análise e enterpretação de dados, enfim, rituais do pesquisador ou do historiador acadêmico, Mas o livro do Buzo me ofereceu não ia por ai. Era um papo de mano, praticamente ao vivo, uma conversa de mesa de bar, gostosa, cheias de pistas e novidades.
A idéia era essa mesmo, por isso "DE DENTRO DO MOVIMENTO" .....é a nossa história, como já foi dito pelo filme 5X Favela no cinema, agora na literatura também é "POR NÓS MESMOS"
Eu sou suspeito pra dizer, mas vou falar assim mesmo: - Além de lindo, o livro é um documento histórico do HIP HOP, não escrito apenas por mim, mas por cada um que deu entrevista (teve gente que não quis, outros não trombei) ou depoimento e essas pessoas são............
Dário (Porte Ilegal-SP), Nelson Triunfo (SP), Alexandre de Maio (SP), Rappin Hood (SP), Markão II (DMN-SP), Thaíde (SP), Cleber (Ao Cubo-SP), Tio Fresh (SP Funk-SP), Toni C (SP), DJ Cia (RZO-SP), Crônica Mendes (SP), Douglas (Realidade Cruel-SP), Pregador LUO (SP), Freitas (Radar Urbano-SP), B Dog (Rapevolusom-RJ), DJ Cortecertu (Central Hip Hop – SP), Juliana Penha (de SP, atualmente mora em Portugal), Maria Amélia (SP), Cabal (SP), Jéssica Balbino (MG), Celso Athayde (CUFA-RJ), DJ Fex (Arquivo Negro-PR), Gaspar (Z´Africa Brasil-SP), GOG (DF), Augusto do Hip Hop (Acre), Gil BV (PI), DJ Raffa (DF), Ariel Feitosa (DF), Japão (Viela 17-DF), Nelson Maca (Blackitude-BA), Léo da XIII (RJ), Dudu de Morro Agudo (RJ), Mandrake (Portal Rap Nacional SP- Atualmente SC), DJ Dico (de SP, atualmente mora em Portugal), Zinho Trindade (SP), Fex Bandollero (SP), Grand.E (SP), Mikimba (SP), Aninha (Atitude Feminina-DF), Pathy de Jesus (SP), Re.Fem (RJ), Nina Fideles (DF, atualmente SP), Bonga (SP), Dingos (SP), MC Marechal (RJ), Emicida (SP), Kamau (SP) e Parte Um (SP)
Depoimentos de Adunias da Luz (SP), Paula Lima (cantora), Fernando Bonassi (escritor e roteirista-SP), Negra Li (cantora-SP), Tubarão (Du Lixo-SP), Tom (Função RHK-SP), Renato Vital (SP), Jefferson Leandro (Tonhão-MG), Zulu Tiquinho (SP), Corvo (Família Pic Favela-SP), Gordinho (Primeiro Ato-SP), Tio Pac (cineasta da Cidade Tiradentes-SP), Lúcia Tennina (Argentina) e Walter Limonada (SP).

Vão dizer que é formação de quadrilha.....mas é apenas o "RAP" aquele que nasceu na periferia e é "NOSSO" na alegria e na tristeza, nas fase boa, ou nas "osso".
É nosso, por nós mesmos.
Boa leitura
Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

SARAU SUBURBANO está na ativa em 2011..........muita poesia a todos. Ontem foi poesia no meio da KAOS na metrôpole cinza.

Texto: Alessandro Buzo


O nome do SARAU é apenas SARAU SUBURBANO, mas se até a gente escreve errado, não vamos culpar os outros....



Ontem (terça, 11/01/11) começou o ano poeticamente falando e foi só pros que tiveram disposição.
A cidade de São Paulo amanhece em atenção. Clima de tensão.
As chuvas da madrugada anterior causaram estragos grandes e pela manhã era o KAOS total.
Muita gente ligou, mandou mensagem no twitter (@Alessandrobuzo), dizendo que iria, mas não ia dar. Agua pra todo lado.
Mas firmão, mandaram mensagens positiva e em meio ao Kaos Urbano da Matropole tomamos a nossa primeira dose de poesia do ano novo.
11 poetas foi o numero, mas não importa a quantidade e sim a qualidade.
O primeiro SARAU SUBURBANO de 2011 foi alto nível, todo mundo afiado, fizemos duas sessão, cada um declamou 2 vezes. Fechei com um do Dill Magno que gosto muito, está no Livro Poesia na Brasa II.
Outra coisa bacana ontem, aliás foi tudo bom, tirando os estragos causados pelas chuvas, principalmente nas periferias e tradicionais areas de risco.
Mas culturalmente falando, uma coisa bacana foi ter confirmado, percebido já tinhamos em dezembro.
Temos um SARAU....de fato.
Poetas de todos saraus são mais que bem vindos, mas o Vinícios, o WL, Negro Panta, Germano Gonçalves são poetas do SARAU SUBURBANO, não frequentam (ainda) outros saraus da cidade, eles são cria do nosso corre de aproximar as pessoas ao redor da literatura, da palavra.
Não é ideinha, nem bla bla bla....da hora ver que mesmo com poetas consagrados em outros saraus da cidade como ontem o Emerson Alcalde (Campeão da Final do ZAP 2010), Andrio, Tubarão e outros, já temos nossos proprios poetas e isso é uma conquista boa, mostra que estamos no caminho certo, no mínimo.
O Tubarão também, primeiro evento na Livraria depois que ele não trabalha mais lá (foi ser arte educador na Fundação Casa).... e o mano fez questão de colar, venho mais cedo, atendeu a campainha quando tocou (ajudando)..... mostrou (eu já sabia) que ta junto independente de trampo.
Enfim, poderiamos lamentar o pouco público (que venho só pra ouvir) e o numero pequeno de poetas, a falta de uma única poetiza pra representar as mina guerreira, podiamos lamentar isso ou aquilo.
Mas não foi esse o espírito, ontem no meio do KAOS chamado SP, 11 guerreiro dos bom estiveram no Bixiga (nosso canto no centro) e comungamos a poesia.
Salve especial ao Jucka Anchieta que enfrentou muita chuva e chegou no final do Sarau, só viu a ultima poesia. Ultima não.....o ano está apenas começando.
Fotos abaixo de Marilda Borges e Evandro Borges (contratado oficialmente quando a Marilda estiver filmando).
Outro orgulho, meu filho declamando.......só sabe uma poesia por enquanto, mas é do ramo, já deu pra ver (isso me deixa extremamente feliz).
Feliz, assim foi o primeiro SARAU SUBURBANO de 2011, no olho do furação da metropole cinza chamada São Paulo.
Dia 21/01 tem mais, edição da quebrada, SARAU SUBURBANO no Itaim Paulista e lançamento oficial do meu livro (dia 20 no Bixiga) e 21 na boa terra.
Saúde, paz, sucesso e muita poesia a todos (as) em 2011.
Alessandro Buzo
www.sarausuburbano.blogspot.com


Emerson Alcalde, campeão da Final do ZAP 2010, lança seu primeiro livro em 2011.


Buzo apresenta o SARAU SUBURBANO.
2a terça do mês no Bixiga e toda 3a sexta do mês no Itaim Paulista


Atenção a poesia


Tubarão Dulixo


Vinícius, esse é SARAU SUBURBANO, bebeu no berço do "Encontro com o Autor"...quando surgiu, ninguém sabe da onde e nem quem trouxe, o mano nem falava, hoje ta declamando e melhor, escreve bem.


De pai pra filho ou de filho pra pai, Evandro Borges faz poesia com Alessandro Buzo


Negro Panta


Andrio / Marginaliaria
Outro que foi ser arte educador na Fundação Casa


Andre
@sempreandre


Germano Gonçalves de São Matheus


WL do Jardim Pantanal, extremo leste em peso

Realização: Suburbano Convicto Produções
www.buzo.com.br

Fim do Cine Belas Artes ??



Por: Alessandro Buzo

Esta marcado para 27/01/2011 o fim do tradicional cinema BELAS ARTES, desde 1943 na esquina da Av Paulista com Rua da Consolação.
São várias salas e diferente de muitos cinemas de rua que fecharam por falta de público, no BELAS ARTES são vendidos 28 mil ingressos por mês.
O problema é o dono do predio, que disse que "cinema" é uma utilidade decadente e ele prefere no local uma loja, trocar os cinéfilos pelos consumidores.
Dispensa o aluguel de R$ 65.000,00 por mês e quer o predio, pondo fim ao cinema, onde futuramente "deve" ter uma loja. A maioria dos cinemas de rua que fecharam são hoje igrejas e estacionamentos.
Nesse cinema vi filmes como "Nove Semanas e Meia de Amor" e "Cheiro do Ralo".
É impossível que ninguém possa impedir essa injustiça.
Talvez como disse o jornalista Hermano Henning no Jornal do SBT Manhã que ele apresentava hoje (terça, 11/01/11) ao lado da Joice Ribeiro. Ele disse: - A Prefeitura deveria decretar o prédio de utilidade pública e DESAPROPRIAR.
Acho que é isso mesmo, seria justo e teria o apoio da população.
Quanto ao dono do predio, só lamento que alguém possa pensar tão pequeno assim.
Alessandro Buzo, Suburbano Convicto Produções e Cine Suburbano são solidários ao Belas Artes e estamos a disposição se precisar.
+ CULTURA......MENOS IGNORANCIA.

Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Hoje (terça, 11/01/2011)........volta a atividade nossa "LIVRARIA SUBURBANO CONVICTO" no Bixiga, região central de SP

11/01/2011 (19h30)




SARAU SUBURBANO
Toda segunda terça-feira do mês na LIVRARIA SUBURBANO CONVICTO do Bixiga
* E na terceira sexta do mês no Itaim Paulista.

Sarau Suburbano - Primeiro de 2011

Local: Livraria Suburbano Convicto
Rua 13 de Maio, 70 - 2o and - Bixiga (região central de SP)
Realização: Suburbano Convicto Produções

www.sarausuburbano.blogspot.com

www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com



Voltamos !!!!!
Isso mesmo, estamos de volta e 2011 vai ser cabuloso.
Seguiremos promovendo os eventos ....
* Favela Toma Conta
* Suburbano em Debate
* Sarau Suburbano
* Cine Suburbano
* Suburbano no Centro (deixa de ser mensal)
Além da Livraria Suburbano Convicto no Bixiga e o Espaço Suburbano Convicto no Itaim Paulista.
É muito trabalho, pretendo fazer um documentário sobre CRACK em parceria com Toni Nogueira e José Junior do AFROREGGAE.
Se der tempo e tivermos folego (Buzo e Toni), vamos filmar meu primeiro longa metragem.
Vou lançar no mínimo 3 livros esse ano, mais esse numero pode subir pra 4 ou 5.
Assim que é, sem massagem.
Por isso tudo que não tenho como me prender em intrigas e picuinhas, trabalhando tanto assim, não sobra tempo pra isso.
Mas novos amigos e parceiros são sempre bem vindos.
Não sou nada nem ninguém sozinho, todos são bem vindos se for pra somar.
Progresso, paz, amor, sucesso, literatura, hip hop, poesia, cinema....é isso que seguiremos plantando. Só quem planta pode colher.
Não confunda ser aberto com ser otário.
Nem se iluda esperando que a gente não esteja de olho em tudo que acontece, de inocente a gente só tem a cara.
Então é isso..........voltamos cheio de amor pra dar e de atitude pra bater de frente.
Missão continua sendo espalhar cultura na periferia, por um mundo melhor.
Um mundo melhor é possível, se fizermos a nossa parte.
FELIZ 2011 pra todos....
Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

Agradecimento aos parceiros institucionais em vinculo no momento...
Itaú Cultural (faço comunicação dirigida), TV Cultura (quadro Suburbano Convicto no Programa Manos e Minas) e Centro Cultural da Espanha (Espaço Suburbano Convicto).

Também os parceiros de caminhada.
Todos os saraus da cidade, Enraizados (RJ), Afroreggae (RJ) "pela parceiria no documentário sobre Crack", Função Pobre Loko, DuLixo e tantos outros, esses são os mais proximos, mas tem outros (ainda bem)......
SUCESSO PRA TODOS !!!!!

Esse tal "ano do rap"...

Colunista: Gilponês
Fonte: www.centralhiphop.com.br



Há exatos 16 anos, o grupo Sistema Negro, de Campinas, gravou a faixa "O poder da rima" (álbum Bem-vindos ao Inferno), em que o rapper Doctor X dizia: "1994 é o ano do rap". Desde então, quando uma virada de ano se aproxima, diversas pessoas têm repetido tal "previsão". Perdi a conta de quantas vezes ouvi que "o ano que vem será o ano do rap".

Parei para refletir: será que o tal "ano do rap" já chegou e passou despercebido ou será que ele ainda se mantém como uma eterna promessa - sem prazo definido para se cumprir? O que falta para que tenhamos realmente um "ano do rap", de forma indiscutível e incontestável? Aliás, como devemos interpretar o que viria a ser o "ano do rap"? E até que ponto o tal "ano do rap" pode ser interpretado como algo positivo para o próprio rap?

De fato, o cenário musical brasileiro, pautado na grande mídia à base de jabás e modismos tolos, sempre costuma ser marcado por "ondas" - que, depois da arrebentação, costumam trazer apenas mais lixo para a praia musical. Entre outros gêneros e subgêneros, já tivemos o ano da lambada, do sertanejo, do pagode, do axé, do forró universitário e do miami bass (que os desinformados, erroneamente, gostam de chamar de "funk"), entre outros que vêm e vão...

No geral, esses estilos musicais ganharam holofotes com formatos pasteurizados, artificiais e, na maioria dos casos, emburrecedores - "coincidentemente", patrocinados por gravadoras multinacionais. Afinal, a grande mídia não quer reverberar músicas que possuam conteúdo inteligente ou contestador, que mirem as entrelinhas da cultura, que questionem, critiquem, eduquem e instiguem a população a refletir sobre assuntos verdadeiramente pertinentes - papel que muitos nomes do rap ainda cumprem com propriedade.

Será que para termos o tal "ano do rap" ele precisará se modelar de acordo com as "regras" não escritas da grande mídia? Será que vale a pena fazermos qualquer coisa para que o "ano do rap" finalmente se concretize? Será válido esvaziarmos os ideais do rap para que ele seja aceito comercialmente - por exemplo, ao gravar canções que usam o ritmo do rap com letras "rebolativas" que se encaixariam perfeitamente na axé music? Isso não derrubaria o propósito da essência do rap, de questionar os modelos culturais vigentes e manter seu discurso contestador/reeducativo?

Particularmente, não faço nenhuma questão de ver o tal "ano do rap" chegar. Considero isto algo bastante limitador para um gênero musical que já vem transpondo gerações, mesmo que de forma "silenciosa" - vejo mais importância na proliferação do rap pelo anonimato dos flancos periféricos do que pelos palcos do Faustão ou do Gugu, por exemplo. Ao invés de um simples e breve "ano", prefiro que tenhamos décadas, quiçá séculos, do rap - aliás, do HIP-HOP, para ser mais justo e preciso! Assim como até hoje ouço muito soul e funk (de raiz) dos anos de 1960 e 1970, espero que os jovens das décadas de 2080, 2100, 2200, 2500 ouçam muito rap verdadeiro feito no final do século XX e início do século XXI.

Se o conceito de "ano do rap" se refere apenas ao profissionalismo da cena, com a autogestão funcionando de forma plena, gerando empregos e fazendo o dinheiro circular entre os verdadeiros protagonistas do rap, então sou a favor de que esse "ano do rap" chegue logo. Mas não creio que o rap consiga mover milhões (de pessoas ou de R$), como o pagode ou o sertanejo, sem se corromper, sem ter de moldar sua forma e amenizar seu conteúdo para agradar os barões da grande mídia. Diante disso, o que fazer: manter-se independente, mas fiel a seus valores, ou seguir certos padrões (como adotar fúteis letras de axé music) para ganhar espaço nos principais veículos de comunicação?

Em tempo: o equilíbrio é possível. Entre o engajamento e a prostituição ideológica, existe uma opção, um caminho. GOG, por exemplo, é um ótimo exemplo de MC que nunca precisou mudar de postura ou discurso para conquistar respeito com sua música. Ele já provou que é possível sustentar sua família com dignidade, incentivar novos nomes do rap e gerar empregos sem precisar "pegar leve" nas letras ou gravar sons "rebolativos" demais e reflexivos de menos. GOG pode não estar milionário como o 50 Cent ou o Zezé di Camargo, mas com certeza não tem de que se envergonhar pelo que expressa em suas músicas ou pelo que faz nos bastidores. E é referência para muitos MCs das novas gerações.

Seja o "ano do rap" ou não, que venha 2011! Desejo muita LUZ a todos que ainda têm um propósito sincero no hip-hop, que preferem trabalhar mais e futricar menos, que tentam somar e multiplicar ao invés de subtrair e dividir. Um ótimo ano aos agentes culturais que ainda defendem os verdadeiros valores do rap, que não conjuminam com "rebolations" sem propósito e que não trocam seus ideais por 15 minutos de fama. Felizmente, 2010 foi um ano bastante produtivo neste sentido, o que nos traz uma boa dose de otimismo para este novo ano, seja ele chamado de "ano do rap" ou não. E que as perspectivas positivas se perpetuem para todos nós! Muita PAZ a todos/as!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

POR DO SOL.

Por: manogerman.
oescritor1@hotmail.com


Outro dia.
Acordei, com um sonho.
Otário que sou: sonhei.
Que aquele homem poderia.
E todos da minha cara riam.
Que um homem de barbas brancas.
Um dia disse:
- Para o povo vencer, alguns tens que sofrer.
E ainda continuou e, afirmou!
- Eu não tenho medo de morrer.
E agora o que fazer?
Esconder-me embaixo dos meus lençóis.
E nunca mais sonhar.
Porque aquele homem, parecendo calejado de trabalhar.
Que na prensa perderá o dedo.
Diz um dia não ter medo.
E disse mais:
- Quando ganhar a nação, os dias de servidão acabarão.
E o sonho comigo ficou e, agora o que restou.
Somente uma pergunta a fazer:
- Quando se passa de peão, para patrão, esquecemos dos irmãos?
- Será assim na industria, na lida e na vida e agora na nação.
Realmente é tudo ilusão.
Outro dia, quando eu sonhar, não vou contar.
Guardarei para mim assim saberei se devo em alguém acreditar.
Para não transformar em utopia um sonho real.
Pois a realidade é fria, vazia e triste.
Assim sendo só temos uma salvação.
Acreditar naquele homem de barbas longas e cabelos cumpridos.
Que andava de sandálias aos quatro cantos do mundo.
Com seu manto sagrado e com idealismo social.
Mostrando que sempre haverá o por do sol.

Germano Gonçalves – O urbanista concreto.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Todo quarta na rua de casa é assim...... Dia de Feira.

Foto: Jefferson Carvalho
Twitter: @JeffCarvalhoO
Hoje (quarta 05/01/2011), 6h30 da manhã



Av José Borges do Canto...........
Itaim Paulista
Extremo Leste de SP
Brasil


Agora...seu sobrinho virar poeta.....não tem preço

Itaim Paulista
Por:
Jefferson Carvalho


Itaim Paulista
Muitos carros na pista
Pouco verde, muito cinza

Céus coloridos com pipas
Nas ruas senhoras bonitas
Homens tomando água da bica
Trem lotado? logo vazio fica

Futebol nas ruas por falta de opções de lazer
Por isso, crianças roubam por não terem o que fazer
Você vê ???

Cerveja, Alegria, Samba
Garoa, Dança e Umbanda

Mais um dia se passa
Na maioria das vezes desgraça
-Levanta a cabeça amor!
-Essa ingrata vida só me traz dor
Mas mesmo assim, Itaim Paulista
Levam a vida com muito humor.

@JeffCarvalhoO

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Antes, agora e depois.....

Por Alessandro Buzo

Durante as várias maratonas que fiz em 2010, sempre dizia: - Preciso de férias.
Mas na real, pra mim que já enfrentou diversos sub-emprego, sem férias e ganhando pouco pra trabalhar muito, a minha vida atual já é umas férias, pelo menos é tudo que eu sonhava.
Não ter patrão, chefe, gerente, salário, horario das 8h às 18h, condução lotada em horario de pico todo dia, era tudo que eu sonhava, então...desse ponto de vista eu já cheguei no meu objetivo, viver (bem melhor que antes) só de cultura, é vitória, cheguei lá.
Ainda por esse ponto de vista, ser convidado pra eventos como palestrante, apresentando eventos que realizo, ter uma livraria, quadro na TV, viajar pra diversos estados do país, ter visto e vivido tudo que aconteceu nos ultimos 10 anos, não tem preço.
Quando eu vendia alimento na zona cerealista, aguentando gerente e patrão, se me falassem que em 2011 eu estaria assim, iria dizer que não quero nada mais que isso. Agora que estou assim, vivendo de cultura e pagando as contas em dia, não custa sonhar em vôos mais altos.
Pra chegar até aqui não pisei na cabeça de ninguém, então se crescer vai ser do mesmo jeito, fazendo a minha.
Dom da disposição eu tenho, faço muitas coisas ao mesmo tempo e consigo separar, literatura, eventos que realizo, cinema, TV.
Meu lema quando eu estava no veneno era: - Nada como um dia, após o outro dia.
Depois que o ritmo ficou frenético em 2009, 2010, mudei pra: - Nóis capota mais num breka.
Agora em 2011, envolvido com tanta gente em tantos projetos ao mesmo tempo, pra não me decepcionar com alguns durante a caminhada, mudei meu lema pra: - Não espero nada das pessoas, assim....o que vier é lucro.
Publiquei as minhas metas 2011, é muita coisa pra uma só pessoa, durante apenas 12 mesês de um ano, mas não é viagem, 90% das minhas metas devo realizar, então imagino que o crescimento não só meu (Buzo), como da Suburbano Convicto Produções é inevitável.
Então preciso me programar, ter férias por exemplo, não é luxo, é nescessário pra repor as energias e encarar de frente a maratona que vem por ai.
Com o progresso vem também alguns stress com pessoas negativas que não podem ver um outro favelado bem e ze-poviam...mas pra esses é só lamento, não faria tudo que faço se perdesse tempo com a vida dos outros, então fica a dica pra esses uns e outros.
Lembro da música dos Racionais: - Na época dos baraco de pau la na pedreira, o que vc me deu, o que vc fez por mim, agora ta de olho no dinheiro que eu ganho, no carro que eu dirijo.
Comi no Itaim Paulista e nos trenzão da zona leste.....o pão que o diabo amassou.
Voltar do trampo cansado, trem lotado no verão e você sem dinheiro pra comprar uma latinha de cerveja do camelô.
Quantos enquadros a gente tomava no ultimo vagão, da PF (Policia Ferroviária), junto com a PM (Polícia Militar), você saber no Brás que estão enquadrando em Goulart e mesmo assim ir no vagão que seria enquadrado, com cheiro de maconha no ar e fé em Deus.
Usava uma só calça até rasgar embaixo da perna, lavava no final de semana pra segunda usar de novo. Agora vou me preocupar se a CONDUTA me patrocina a 5 anos, se tenho um monte de calça pra vender na minha loja. Quem lembra ......
Então o que conquistei e o que ainda está por vir, foi com muito trabalho, nada caiu do céu.
Onde estava os ze porva em 2001, 2002, 2003, 2004, 2005....quando eu trabalhava na zona cerealista e mesmo cansado ia nos eventos culturais a noite, eu e a minha assistente e esposa Marilda Borges, saiamos dos eventos quase meia noite, pegavamos o ultimo metrô, buzão em Itaquera, pra chegar no Itaim Paulista a uma, duas da manhã. Pra no outro dia estar 8h no trampo, agora eu posso não tendo agenda, tirar um dia de folga, me dar ao luxo de ficar uns 20 de férias de vez em quando.
Imagina um cara que sonhou que o impossível era possível, acreditou tanto que está virando mesmo realidade, esse sou eu.
Sou mais que ninguém não, sou só eu o tempo todo, verdadeiro até o final.
Sou o brasileiro comum do povão, gosto de cerveja, boteco, feira livre, beira de campo, amigos das quebradas. Gosto de viver a vida da melhor forma possível.
Se hoje tenho condições de tirar 3 dias num hotel fazenda com minha família, outros 3 na praia ou seja onde for, não vou deixar de fazer porque vão dizer que não é coisa pra favelado que nem eu ? Nem fudendo.
Vou lá, uso e abuso, depois volto, porque é na quebrada que reponho minhas energias.
Sou a contra indicação, o favelado com livro na mão.
Sou o pesadelo do sistema, um pobre que pensa.
Penso porque leio, minha base.
Sou aquele cara que sonha alto, porque se fosse pra sonhar baixo, nem perdia meu tempo.
Sou o cara que anda com a cabeça erguida, porque nem quando eu era doidão (cheirava até umas hora) e quebrado (sempre individado), nem depois que culturalmente evolui e pessoalmente também (ultimos 10 anos), nunca tive rabo preso e não falo de ninguém mal, pra ninguém falar de mim, simples assim, aprendi com o RZO: - O cara falou de fulano pra mim, ta certo que vai falar de mim pra alguém também.......
PAPO RETO NÃO FAZ CURVA, aprendi isso na favela.
Feliz 2011 pra todos.....
Aproveitando minha ultima semana de férias nesse começo de ano, vou pra praia. Mas terça (11/01/2011), começa o ano e tô de volta na luta, por progresso e conquista.
Quero a minha parte do bolo, não quero migalhas, vou trabalhar pra realizar que continua (como era antes) não caindo nada do céu.
Saúde, paz e sucesso pra todos, a gente se vê nas ruas.

Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

domingo, 2 de janeiro de 2011

Literatura (é) a Cura

Hoje (domingo, 02/01/2011), li 3 livretos..... o primeiro foi "ENGENHARIA DE AVIÃOZINHO" de Heraldo HB, conheci o autor pessoalmente em 2010 na LAPA (RJ), quando ganhei o exemplar autografado, na Escadaria Solorén.
Muito bom, poesia de boemio, #RECOMENDO

Depois li "VOZ" - coletânea com jovens iniciantes na escrita (independente - 40 paginas - Or. Allan da Rosa).
Impressionante, jovens de 17, 18 anos da periferia....contam suas histórias de vida, confirma o que estou careca de saber, famílias desestruturadas fabricam pessoas que não tem nada a perder, vítimas do sistema, que podem se livrar da cadeia, da morte, se tornando pessoas que fogem as estatísticas, ou não....
Quantos não conseguem.... vi nos ultimos dois dias pelo menos 3 casos (na vida real) de pessoas que vivem assim, o futuro deles, os que vi e os do livro "VOZ"...a Deus pertence. O Diabo está de olho nessas almas.....
#RECOMENDO a leitura, disponível na Biblioteca Suburbano Convicto no Itaim Pta

Entre a Fome e a Fúria de Walner Danziger (independente - 72 paginas), segundo livro do autor que leio, tinha curtido "Gilete na Mão do Macaco".
Esse vem confirmar, Walner Danziger é um grande escritor e seu livro é muito bom.
#RECOMENDO

* 3 livretos em 1 dia, todos muito loko.
Os melhores perfumes, podem estar nos menores frascos.....
Buzo

Agora vou ler "CEGO ADERALDO" do Claudio Portella (Edições Demócrito Rocha - 100 paginas)
E na sequência, depois dessa maratona de livretos, um livrão "CRIME E CASTIGO" do Fiódor Dostoiévski.

Literatura (é) a Cura. Primeira de 2011....

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Que venha 2011

GAME OVER, 2010 acabou.
Que venha 2011 pra gente fazer um mundo melhor.
Que venha 2011 pra termos mais PAZ.
Que venha 2011 pra novos escritores perifericos surgirem.
Que venha 2011 pra novos titulos serem lançados.
Que venha 2011 pro Hip Hop salvar mais vidas.
Que venha 2011 pra ter a Posse da Dilma.
Que venha 2011 pro povo ser mais feliz.
Que venha 2011 e que possamos receber ele com saúde.
Pra novas conquistas, novos desafios.
Sei das minhas metas, onde quero chegar.
Que venha 2011 pra realizar o sonho da casa própria.
Que venha 2011 pro LULA descansar.
Pra não jogarmos mais lixo nas ruas.
Pra acabar o abuso policial.
A corrupção dos politicos.
Pra juntos, fazermos um mundo melhor.
Porque um mundo melhor é possível.
Basta fazermos a nossa parte, eu faço a minha.
E você ?????????
FELIZ 2011 !!!

Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SABEDORIA

Por: manogerman.

E era uma borboleta, que voou, voou...
Sobre os quatro cantos do planeta.
Encontrou com muitos senhores e, senhoras.
Percorreu toda uma história de sabedoria.
Quando encontrou um sábio chinês lhe perguntou:
Posso ser você?
Sonhando que era uma borboleta, pousou!
Em um velho poço, de onde bebeu d´água purificada.
Tornando-se moço, ensinou para todo seu povo.
E continuou a viajar.
E pousou ao lado do sábio chinês
E lhe disse, não tenho mais nada, porque estou aqui?
O sábio chinês lhe disse:
Se não tens nada para me trazer, leva-te o que tens aqui!


Germano Gonçalves - O urbanista Concreto
ggarrudas@hotmail.com

domingo, 26 de dezembro de 2010

Jéssica Balbino leu 80 livros em 2 anos....

Eu (Alessandro Buzo), publiquei na internet a lista dos livros que li nos ultimos 3 anos, foram 85 livros, média de 2,36 por mês
Então a escritora e jornalista Jéssica Balbino (www.jessicabalbino.blogspot.com), mandou a sua lista dos ultimos 2 anos, foram 84 livros, incrível média de 3,5 por mês
* 2011 ela tem meta de ler 50 livros e eu vou tentar também......
Boa leitura pra gente.....


Livros lidos em 2009
1) - Os sete minutos (Irwin Wallace)
2) - Um Bestseller para chamar de meu (Marian Keyes)
3) - A segunda vez que te conheci (Marcelo Rubens Paiva)
4) - Cem escovadas antes de ir para cama
5) - Comer, rezar, amar (Liz Gilbert)
6) - Feliz sem marido
7) - Sete de paus (Mário Prata)
8) – Akashi (André Puntel)
9) - Bar Bodega, um crime de imprensa
10) - O Guardião de Memórias
11) - Muito longe de casa, memórias de um menino soldado
12) - Capitães da Areia (Jorge Amado)
13) - Gomorra (Roberto Saviano)
14) - As boas mulheres da china (Xinran)
15) - Entrevista com Deus – O dossiê Iscariotes (Marcos Losekann)
16) - Por que os homens se casam com as mulheres manipuladoras
17) - Millenium 1 – os homens que não amavam as mulheres (Stieg Larsson)
18) - Millenium 2 – a menina que brincava com fogo (Stieg Larsson)
19) - Filha, mãe, avó e puta
20) - O ponto de partida (Fernando Molica)
21) - Onde está Tereza? (Zíbia Gasparetto)
22) - Pixote – A infância dos mortos (Oswaldo Louzeiro)
23) - Esperando os cabeças amarelas
24) - Dewey – um gato entre livros
25) - Rosário Tijeras (Jorge Franco)
26) - Notícias da Favela (Cristiane Ramalho)
27) - De passagem mas não a passeio (Dinha)
28) - O Cortiço (Aluísio Azevedo)
29) - Um segredo no céu da boca – Pra nossa mulecada (Edições Toró)
30) - Podridão (Adelaide Carraro)
31) - Soldados do papel – Um romance verdade sobre o mundo das drogas no Rio de Janeiro
32) - Guia de caça e pesca para mulheres (Melissa Bank)
33) - Pelos acostamentos da vida e os andarilhos do Brasil (Tânia Mara)
34) – Hell – Lolita Pille
35) – Contos para ler ouvindo música
36) - Michelangelo, o tatuador
37) – Cooperifa (Sérgio Vaz)
38) – O olho da rua (Eliane Brum)
39) – Crepúsculo (Stephanie Meyer)
40) – Millenium 3 – a rainha do castelo de ar (Stieg Larsson)
41) – O menino do pijama listrado (John Boyne)
42) – Noite Adentro (Robson Canto)
43) – Ao som do mar e a luz do céu profundo (Nelson Motta)
44) - Cabeça a prêmio (Marçal Aquino)
45) - No olho da rua (Marcelo Antônio da Cunha)
46) - A casa dos Budas Ditosos (João Ubaldo Ribeiro)


Livros lidos 2010

1) Garoto encontra garota (Meg Cabot)
2) Manual Prático do Ódio (Ferréz)
3) Mulheres Alteradas (Maitena)
4) Tem Alguém Aí? (Marian Keyes)
5) Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus)
6) Capão pecado (Ferréz)
7) A vida na porta da geladeira (Alice Kuipers)
8) Angu de Sangue (Marcelino Freire)
9) O Livreiro de Cabul (Asne Seierstad)
10) O Carrinho de Rolimã (Fantimanumilde)
11) As pessoas dos livros (Fernanda Young)
12) A arte de entrevistar bem (Thaís Oyama)
13) Cidade de Deus (Luiz Roberto Nascimento Silva)
14) A revolução dos bichos (George Orwell)
15) Histórias tecidas em seda (Lúcia Hiratsuka)
16) O Colecionador de Pedras (Sérgio Vaz)
17) Casadas com o crime (Josmar Jozino)
18) Black Music (Arthur Dapieve)
19) A falência das elites (Adelaide Carraro)
20) Contos de Bordel – a prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo (Renata Bortoleto, Ana Laura Diniz e Michele Izawa)
21) Lembrancinha do Adeus – Historia (s) de um bandido (Julio Ludemir)
22) Cronista de um tempo ruim (Ferréz)
23) O Símbolo Perdido (Dan Brown)
24) Sangue Azul – Morte e Corrupção na PM do Rio (Leonardo Gudel)
25) Meninas de Esquina (Eliane Trindade)
26) Nunca subestime uma mulherzinha (Fernanda Takai)
27) De gênio e louco todo mundo tem um pouco (Augusto Cury)
28) Nudez Mortal (Nora Roberts)
29) Twitter (Fabrício Carpinejar)
30) Hip-Hop a Lápis – Literatura do Oprimido (Toni C)
31) Hip-Hop Mulher (Tiely Queen)
32) Favela Toma Conta (Alessandro Buzo)
33) Por que os homens gostam das mulheres poderosas
34) Atração Sexual
35) Hip-Hop a Lápis II
36) Sociedade do Código de Barras (Preto Ghóez)
37) Buzo 10 (Alessandro Buzo)
38) Estação Terminal (Sacolinha)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um detalhe que passou despercebido de "quase" todos....

Sobre a "1a CARAVANA DA POESIA"
Por Alessandro Buzo

A maioria dos 40 poetas que bravamente partiram de SP pro RJ na 1a CARAVANA DA POESIA, pra fazer 4 saraus em 2 dias, nunca tinham ido a cidade maravilhosa.
Nossa ultima parada foi na Chacará Cantinho do Céu no BOREL, Tijuca.
Lugar fantástico, como o nome diz, muito perto do céu.
A vista maravilhosa e lá em cima, lugar antes dominado pelo trafico, a UPP BOREL.
Pra mim não pode ter nada pior do que o domínio do trafico e das milícias. Já a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) é uma tentativa de retomada de território, se é bom ou não, só o tempo vai dizer.
Vi algumas pessoas do RIO falando mal e muitos falando bem.
O senhor que nos recebeu tão bem na sua casa, o senhor Gabeira, fez um discurso inflamado contra, na volta (descendo do céu de Kombi) um poeta perguntou pro motorista: - A UPP foi bom pra vcs.
- Ótimo, nem se compara.
A imprensa e a sociedade deve policiar a polícia, que tem tendência a "abuso de autoridade", mas nada deve ser pior que um monte de bandidos armados.
Mas na nossa chegada ao BOREL, uma cena me chamou a atenção e passou despercebido pela maioria, quando chegamos no local do SARAU, alguns de nós diziam: - É nóis !!!!
Uma mocinha, jovem. INDIGNADA dizia: - É a gente !!!! É a gente !!!!
Uma senhora de lá reprimiu ela: - É "Nóis", é a gente.......tanto faz.
Mas se fosse na época do trafico, não seria bem assim....e esse diálogo passou despercedido porque a maioria do nosso bonde não sabe nada de trafico carioca.
Pequenos detalhes poderiam antes, levar até a morte. Ou humilhações.....
Uma determinada facção criminosa diz: - É Nóis.
E a rival diz: - É a gente.
Parece um detalhe bobo, mas dizer é nóis ali no BOREL, que por anos foi dominado pela facção que diz: - É a gente.
Seria um sério problema, tanto que a moça, ainda com reflexo dos anos de domínio, retrucou.
Outros pequenos detalhes como esses podem fazer toda diferença nas areas dominadas pelo crime organizado.
Por exemplo....
Roupas da marca "CICLONE", um marca comum que vende nos shoppings cariocas. Integrantes de uma determinada facção usam essa marca, se vc chegar numa comunidade dominada pelos rivais, vestido de CICLONE, pode voltar sem roupa ou pior, pode nem voltar.
Outra coisa, vá de roupa vermelha numa comunidade dominada pelo Terceiro Comando, ta ferrado, vermelho é proibido.
Vi alguns poetas embalando discurso ante UPP na caravana (em público), eu não sei se é bom ou ruim (a tal UPP), mas quando não tenho certeza, prefiro olhar em vez de falar.
Uma coisa eu vi nessa viagem.......hoje qualquer um vai pro Rio e encara uma comunidade, antes não era bem assim.
Não tô defendendo UPP, só que os poetas viram no FALLET (eu não fui), o que eu já vi outras vezes em Vigário Geral, Cidade de Deus e outras comunidades. Bandidos fortemente armados, que são juiz e podem determinar se você vive ou não, isso não consigo achar normal e muito menos apoiar.
Os cara mataram o Tim Lopes, que tinha a costa quente da GLOBO, imagina um de nós, ou da gente, sei lá.....
Só pra reflexão.....Deus me deu 2 olhos, 2 ouvidos e uma só boca. Imagino que ele quis me dizer que tem horas que é melhor ver mais, ouvir mais e falar menos.

Alessandro Buzo é escritor
www.buzo.com.br

Literatura (é) a Cura - 85 livros em 3 anos, média de 2,36 por mês

Entrei em crise hoje, acabei de ler o livro, Tarja Preta do Zinho Trindade (Poesia Maloqueirista, 84 paginas)....
Foi o vigésimo livro de 2010, média de 1,66.
Parece bom, tem gente que lê bem menos, mas porque então estou em crise ???
Porque a cada ano que passa estou lendo menos, tenho certeza que é porque a cada ano trabalho mais. Sei lá....
2008 li 36 livros (super média de 3 por mês), 2009 li 29 livros (média de 2,41 mês), então os 20 livros de 2010, com a pifía média de 1,66 mês é um fracasso pessoal.
Queria ler mais, só que a maratona que foi 2010 me impediu, quase toda semana eram compromissos dia sim, dia não......pior ainda semanas que a cada dia era um compromisso na agenda, ler como assim.
Mas 2011 pretendo por outros motivos trabalhar menos e ler mais.
Prometo pra mim mesmo que leio pelo menos 30 livros no ano novo.
Onde já se viu, de 36 livros em 2008 pra 20 agora.... #TRÁGICO

Livros em casa pra ler é o que não faltam, a fila está enorme, tenho 32 livros aguardando leitura (só em casa, sem contar a Livraria do Bixiga e a Biblioteca do Itaim Pta).....a fila só cresce.
No momento estou lendo PULP de Charles Bukowski....deve ser mesmo o primeiro de 2011, porque comecei agora e não devo acabar em 2010.
E você, que livro está lendo no momento ?



Alessandro Buzo leu em 2010
(01) - O poeta do Povo de Solano Trindade (Ediouro - 160 paginas)
(02) - O Aluá do Macaco e outras macaquises(infantil - 24 paginas) de Silvana Salerno
(03) - "Diário de Bitita" de Carolina Maria de Jesus. (Bertolucci Editora - 256 paginas)
(04) - História e Memória de Vigário Geral de Maria Paula Araujo e Ecio Salles (Aeroplano Editora - 196 paginas)
(05) - Sidarta de Hermann Hesse - Record 178 paginas
(06) - Uma Menina Chamada Julieta de Ziraldo (Melhoramentos - 112 paginas)
(07) - Guia Afetivo da Periferia de Marcus Vinícius Faustini (Aeroplano - 186 paginas)
(08) - As Meninas da Esquina de Eliane Trindade (Record - 420 paginas)
(09) - "HIP HOP MULHER - Conquistando Espaços", org. Tiely Queen. Ed.Toró - 48 paginas.
(10) - Eles Eram Muitos Cavalos de Luiz Ruffato (Record - paginas)
(11) - Gilete na Mão do Macaco de Walner Danziger (Independente - 64 paginas)
(12) - Hip Hop à Lápis - Literatura do Oprimido, Org. Toni C (272 paginas)
(13) - Negrafias VOL 02 (Ciclo Continuo - 122 paginas)
(14) - Poesia na Brasa - VOL II (Coletivo Cultural Poesia na Brasa - 216 paginas)
(15) - Coletivo Canal Motoboy, organizado por Eliezer Muniz dos Santos (Aeroplano Editora - 336 paginas)
(16) - Buzo 10 Anos de Alessandro Buzo (Suburbano Convicto Edições - 64 paginas)
(17) - Estação Terminal do Sacolinha (Nankin Editorial - 144 paginas)
(18) - No Coração do Comando de Julio Ludemir (Record, 194 paginas)
(19) - A Rima Denuncia do GOG (Global Editora - 256 paginas)
(20) - Tarja Preta do Zinho Trindade (Poesia Maloqueirista, 84 paginas)





Literatura é a Cura.
Livros que o escritor Alessandro Buzo leu no ano de 2009




(01) - Um Fio de Prosa, coletânea de contos com....Mario Quintana, Cora Coralina, Manuel Bandeira, Ignácio de Loyola Brandão, Cecília Meireles, Lygia Fagundes Telles, Carlos Drumond de Andrade, Marina Colasanti, Rachel de Queiroz, Luís da Câmara Cascudo e Daniel Munduruku - (Global Editora - 96 paginas)
(02) - Cela Forte Mulher de Antonio Carlos Prado (Labortexto - 216 paginas).
(03) - Jornalismo é ... (ABI - 112 paginas), Coord. Nemércio Nogueira, textos de Boris Casoy, Célia Pardi, Claudia de Souza, Diléa Frate, Jânio de Freitas, José Nêumanne Pinto, Juca Kfouri, Lillian Witte Fibe, Luiz Nassif, Mario Sérgio Conti, Ricardo Noblat, Ricardo Setti, Salomão Esper, Sandro Vaia, Sonia Racy e Zuenir Ventura.
(04) - O Olho da Rua de Eliane Brum. (Editora Globo – 420 paginas)
(05) - Livro “Cadernos Negros – VOL 31” (Quilombhoje – 160 paginas).
19 autores, são eles Sacolinha, Claudia Walleska, CUTI, Dirce Pereira de Prado, Edson Robson, Elio Ferreira, Esmeralda Ribeiro, Fausto Antônio, Jamu Minka, Luís Carlos de Oliveira, Márcio Barbosa, Mel Adún, Miriam Alves, Mooslim, Rubens Augusto, Ruimar Batista, Sergio Ballouk, Sidney de Paula Oliveira e Tico de Souza..
(06) - Memórias de minha putas tristes de Gabriel García Márquez (Prêmio Nobel de Literatura) com tradução de Eric Nepomuceno (Record – 130 paginas).
(07) - Amanhecer Esmeralda do Ferréz
(08) - Sociedade do Código de Barras - O Mundo dos Mesmos de Preto Ghóez - (Editora Estação Hip Hop - 300 paginas).
(09) - Psicopata - Os Olhos que Espiam a Próxima Vitima de José Luiz Tavares (Geração Editorial - 144 paginas)
(10) - Ainda no Invisível de Ana Paula dos Santos Risos - (Independente - 10 paginas)
(11) - Para Gostar de Ler - VOL 9 - Contos (Autores: Clarice Lispector, João Antônio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Moacyr Scliar, Murilo Rubião e Wander Piroli). (Editora Ática - 96 paginas)
(12) - Prosas de Buteco de Claudio Santista e Paulinho Bispo. (Elo da Corrente Edições - 48 paginas)
(13) - EX-157 - A história que a midia desconhece" de Cristian de Souza Augusto, o rapper Afro X. (192 paginas)
(14) - "Pivetim" de Délcio Teobaldo. (Editora SM - 176 paginas)
(15) - Abutre de Gil Scott-Heron (Conrad Editora - 232 paginas)
(16) - De Passagem (roteiro do filme), um roteiro de Cláudio Yosida e Ricardo Elias (Imprensa Oficial - 168 paginas)
(17) - "Eu sou o Livreiro de Cabul" de Shah Muhammad Rais (Editora Bertrand Brasil - 98 paginas)
(18) - CRACK de Claudio Portella - (independente - 48 paginas)
(19) - Antologia Poesia na Brasa (coletânea do Coletivo Poesia na Brasa) - Independente - 196 paginas.
(20) - GOMORRA de Roberto Saviano - (Bertrand Brasil - 350 paginas)
(21) - Elite da Tropa de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel (Objetiva - 312 paginas)
(22) - Eu Receberia as piores notícias dos seus lindos lábios de Marçal Aquino (Companhia das Letras - 232 paginas)
(23) - O Incrivel Acordo Entre o Silêncio & Alter Ego de Caco Pontes . (72 paginas)
(24) - Pelas Periferias do Brasil - VOL III, org Alessandro Buzo, com 18 autores. (Suburbano Convicto edições - 120 paginas)
(25) - Tambores da Noite de Carlos de Assunpção (Sarau da Brasa - 112 paginas)
(26) - Fodaleza.com de Cláudio Portella (Independente - 80 paginas)
(27) - Cronista de Um Tempo Ruim do Ferréz (Selo Povo - 128 paginas)
(28) - Vozes Marginais da Literatura de Erica Peçanha. (Aeroplano Editora - 348 paginas)
(29) - O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad (Editora Record - 320 paginas)


Alessandro Buzo leu em 2008.............
(01) - Cadernos Negros - Vol. 30 - varios autores (264 paginas).
(02) - A Menina Que Roubava Livros de Markus Zusak (480 paginas).
(03) - Saudades do Meu Sertão de João do Nascimento Santos (cordel - 8 paginas)
(04) - Meu Querido VLADO - A História de Vladimir Herzog e do sonho de uma geração de Paulo Markun (200 paginas)
(05) - O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini -(368 paginas)
(06) - POSTESIA - Poesia nos postes do Binho - (86 paginas)
(07) - O Cão da Meia Noite de Marcos Rey - (176 paginas)
(08) - A Cidade de Sol de Khaled Hosseini - (368 paginas)
(09) - Trajetória de Um Guerreiro do DJ Raffa - ( 506 paginas)
(10) - Narcotráfico de José Arbex Jr - (88 paginas)
(11) - MANDELA - A Luta é a Minha Vida - (344 paginas)
(12) - Falcão - Mulheres e o Tráfico do MV Bill e Celso Athayde- (272 paginas)
(13) - O Imaginário Cotidiano de Moacir Scliar ( 184 paginas )
(14) - Estou Viva - Não Uso mais Drogas de Bell Marcondes - (368 paginas)
(15) - O Invasor de Marçal Aquino. - (240 paginas)
(16) - PCC - A Facção de Fatima Souza - (Record - 308 paginas)
(17) - Lamarca (Coleção História Não Oficial - 98 paginas)
(18) - Sarau Elo da Corrente - Prosa e Poesia Periférica (Coletânea) - Elo da Corrente Edições (140 paginas)
(19) - Te Pego Lá Fora de Rodrigo Ciriaco (Edições Toró - 108 paginas)
(20) - A elegância do Ouriço de Muriel Barbery (Companhia das Letras - 352 paginas)
(21) - RASIF - Mar que Arrebenta de Marcelino Freire (Record - 136 paginas)
(22) - CONDE - (Edições Toró - 72 paginas de textos e gravuras)
(23) - MORADA - Textos: Allan da Rosa, fotos Guma. (EDições Toró - 72 paginas de textos e fotos)
(24) - Cooperifa - Antropofagia Periférica, do Sérgio Vaz (Aeroplano Editora - 284 paginas)
(25) - Crianças Feridas - Uma mina, uma vida amputada de Reine-Marguerite Bayle. (Ed. SM - 80 paginas)
(26) - Predadores de Pepetela (Ed. Lingua Geral - 562 paginas)
(27) - A incrivel história de Naldinho de Fernando Bonassi (Geração Editorial - 24 paginas)
(28) - Lambões de Caçarola (Trabalhadores do Brasil !) de João Antonio (L&PM - 42 paginas)
(29) - Dois Contos de Machado de Assis (Editora Unesp - 56 paginas)
(30) - Favela Toma Conta de Alessandro Buzo (aeroplano Editora - 284 paginas)
(31) - Pelas Periferias do Brasil - VOL II (coletânea - 120 paginas)
(32) - Clara dos Anjos de Lima Barreto (Ed.Brasiliense - 128 paginas)
(33) - Meninos do Brasil de Márcio Batista (Independente - 88 paginas)
(34) - Cultura é a Nossa Arma - Afroreggae nas favelas do Rio de Damian Platt e Patrick Neate (Civ.Bras. - 240 paginas)
(35) - Aqui Dentro - Páginas de uma memória: CARANDIRU - Org. Maureen Bisilliat, documentação: Sophia Bisilliat, André Caramante e João Wainer.(Imprensa Oficial - 260 paginas)
(36) - "Um Segredo no Céu da Boca - Pra nossa mulecada" - Coletânea (120 paginas)



Ultimo livro que Buzo leu em 2007.............
Meu Nome Não É Jhonny de Guilherme Fiúza. (338 paginas)



Alessandro Buzo é escritor
www.buzo.com.br
www.buzo10.blogspot.com
alessandrobuzo@terra.com.br

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Grandes Livros.....

Terminal, mas sem fim
Do livro “Estação Terminal” de Sacolinha

por Jéssica Balbino
@jessicabalbino



O amadurecimento do escritor Ademiro Alves, que neste livro passa a assinar apenas como Sacolinha é notado logo no tema abordado. Fugindo do clichê das vidas interrompidas pelo tráfico de drogas nas periferias do Brasil, o escritor que descobriu o gosto pela leitura quando ainda era cobrador de lotação, usa a experiência cotidiana que teve durante boa parte da vida para construir uma ficção embalada pela realidade utilizando como cenário o Terminal de Itaquera, em São Paulo.
Com personagens bem criados e destinos entrelaçados, o livro revela a habilidade do jovem escritor em cortes cinematográficos no texto, que deixam o exemplar em impossível de ser largado antes da última página.
A máfia dos perueiros, dos policiais corruptos e dos comerciantes do Terminal é revelada por meio de uma narrativa envolvente e a ficção da literatura marginal transforma-se, quase sem querer, numa obra de jornalismo, porque em nada diferente da realidade, de tão bem escrita que é.
Mais uma vez, a periferia e os problemas sociais aparecem nas páginas da literatura brasileira e são escritos por quem vivencia a história.
Somente um usuário do sistema público de transporte na maior capital da América Latina poderia escrever com tanta propriedade.
Sacolinha marca a literatura contemporânea no país e os fatos narrados no Estação Terminal mostram desde a dona de casa que virou crente e mudou-se para o local a espera de Jesus, desde o paraplégico que vende balas no local, os perueiros que estão nesse ramo porque esgotaram todos outros, os mendigos, os usuários de drogas, os mulherengos, os acidentes fatais e tudo mais que envolve o cotidiano de um terminal de ônibus.
A narrativa não passa despercebida em nenhum momento e todos temas tratados em meio ao principal integram a rede da trama, assim como as linhas de ônibus e vans de transporte, sejam autorizados ou clandestinos. E assim é a literatura feita por Sacolinha. Autorizada, porém, narra a clandestinidade dos escritores marginais. Uma excelente obra que não pode ficar apenas no circuito periférico. Merece invadir a elite e ser lida, não apenas nas conduções, mas nos bancos dos carrões importados.



* Jéssica Balbino é jornalista, escritora e blogueira (www.jessicabalbino.blogspot.com)

GENTE GENTES.

Por: Manogerman.




Tem gente que acha que gente é de mais.
Tem gente que acha que gente é de menos.
Tem gente que acha que gente é mais ou menos.
Gente que é mais.
Gente que é menos.
Gente que é mais ou menos.
Gente que é igual.
Gente que é diferente
Gente é sempre gente.
Mais ou menos são gentes.



Germano Gonçalves - O urbanista Concreto
ggarrudas@hotmail.com

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Você é...

Por: Danilo Henrique
danilo_creze@hotmail.com


Já Dizia o rap.
“Sempre cordial e nunca rude”
Eu penso muito em virtude,
Mas prefiro a atitude
Meu agir não é igual ao seu.
Seu reflexo não transparece.
Então, quem disse que somos iguais?
Minha batalha eu travo só
Pois tenho meus ideais.
Minhas vitorias não terão inspirações
Conquistarei por meio das minhas ações
Já a sua é uma contradição
Já que se vê incluído em programações.
Batendo o pé firme como0 uma rocha no chão
Sigo adiante, mas atento com tanta desilusão
E atenção.
Que as rimas são muitas
Mas o que vale é ler com o coração.
Tantos atos repetidos
Impulsionados pela sua visão
Fecha os olhos por um momento
E observa com o coração.
Você é, o que lê, o que vê, o que ouve
Mas também o que senti
Não se envergonhe
Pois a alma odeia quem menti
As agruras das minhas palavras
Pouco vale diante de suas ações
Prefiro meu amor próprio
Já você, continue com suas velhas intenções.

1a CARAVANA DA POESIA

Por: Caranguejúnior
FONTE: www.poesiadedaremdoido.blogspot.com

Nos dias 18 e 19 de Dezembro do ano 2010, foram os dias em que participei de uma experiência pra lá de emocionante e libertadora, os dias que foram realizados a 1° Caravana da Poesia, onde poetas de São Paulo foram ao Rio de Janeiro para 4 Sarais na periferia.A “viagem” começou mesmo na sexta-feira dia 17, onde me encontrei com o Poeta Marcelo Tadeu integrante do grupo Poetas do Tietê, em um bar no Anhangabaú, para umas cervejas e conversas antes de embarcarmos no buzão, e de onde iríamos direto para o Bixiga, mais precisamente n° 70 da rua 13 de maio, onde é o local da livraria do Buzo (Suburbano Convicto). Chegando ao local não havia ninguém na livraria, o porteiro pediu que entrássemos, pois, já haviam poetas lá em cima aguardando, subimos as escadarias e a livraria estava fechada e retornamos pelos degraus, para nossa surpresa havia uma poetiza do sarau da Cidade Ademar, uma das Camilas (Milane), sozinha, fumando um cigarro, ela nos chamou e nos informou que estava trancada lá, quando fomos até o portão, verificamos que o porteiro tinha nos deixado trancados no recinto também, entre gritos e assobios, ninguém estava lá para abrir o portão. Depois de várias ligações e quase 40 minutos trancados, vieram nos acudir, abriram o portão e foi uma sensação boa de liberdade. Subimos a 13 de Maio para encontrarmos o Pezão, achamos logo o poeta junto com o poeta Valmir Jordão e Tubarão, decidimos então, descer a 13 de Maio para tomarmos algumas geladas e papearmos, entre sobe 13 e desce 13, encostamos em um bar conhecido dos Poetas Valmir e Pezão. Entre cervejas e cervejas, os poetas que iriam participar da caravana, foram chegando, Sarau do Binho, Elo da Corrente, poesia na brasa, Sarau da Cidade Ademar, Suburbano convicto, Círculo palmarino e Vila Fundão, fora os Poetas do Tietê. O ônibus estacionou quase a uma da madrugada, e já estávamos quase todos embriagados de tanta cerveja que rolou, embarcamos e o ônibus partiu em direção a cidade maravilhosa.

Dentro do “buzão”, a alegria estava tomando conta, muitos poetas estavam indo ao Rio de Janeiro pela primeira vez e ainda por cima, para recitar poesias. Entre batuques de pandeiros e versos de samba, rap e (“ninguém vai nanar”) a viagem foi embalada pela madrugada adentro. Chegamos ao RJ e pegamos logo um engarrafamento monstro na Rodovia Presidente Dutra, conseguimos chegar ao SESC Ramos, onde fomos recepcionados, por volta das dez da manhã, a viagem foi longuíssima e cansativa, mas, todos estavam animados para a aventura poética na cidade. Tomamos café da manhã no SESC Ramos, almoçamos e relaxamos um pouco antes da partida para o primeiro sarau - Complexo do Alemão.

O ônibus partiu para o Complexo do Alemão, precisamente na Grota, uma das comunidades do local, o Buzo gravou a nossa chegada para o programa Manos e Minas da TV Cultura, desembarcamos na comunidade e logo de cara vimos as cenas que até então, só tínhamos visto pela TV, soldados armados de fuzis e metralhadoras, tropa de elite, caminhões de guerra, circulando pelas vias, o momento foi de tensão, mas, sabíamos que nada iria abalar a nossa vibe positiva. Seguimos até o local onde rolou o sarau, era um evento da comunidade chamado Circulando, sétimo ano que rola esse evento por lá. Os poetas foram anunciados pelos microfones e logo estávamos todos unidos, poetas-comunidade, na mesma sintonia. O Sarau começou com os tambores do Sarau da Brasa chamando os poetas, vários poetas se apresentaram, nesse meio tempo, os Poetas do Tietê foram até uma parte da comunidade gravar os vídeopoemas para exibição no blog, enquanto o sarau pegava fogo na outra parte do evento. Tudo correu bem, sem problemas algum, a receptividade da comunidade foi na paz, saímos do complexo do alemão por volta das cinco e tantas da tarde em direção a comunidade Fallet em Sta. Teresa.

Dentro do buzão indo em direção a Sta. Teresa, víamos da janela a beleza e a pobreza da cidade, uns pontos lindos, outros nada agradáveis do RJ, chegamos em Sta. Teresa por volta das seis e meia da noite, desembarcamos em um ponto onde tinham vários casarões antigos, ruas de paralelepípedos, bairro bem arborizado e bonito, logo pensamos que iríamos recitar naquele lugar amistoso, puro engano. Começamos a caminhar pelo bairro, subindo e descendo ladeiras, entrando por vielas e escadarias, logo a face da comunidade foi revelando-se para os poetas. Homens armados com pistolas e fuzis nos fitando, o tráfico imperando nas ruas, a pobreza de alguns a riqueza de outros e a tensão tomou conta de todos que ali estavam, sem exceção. Fomos chegando próximo ao local onde estava acontecendo um evento organizado pela comunidade, a cena foi de susto, bandidos armados faziam a segurança próximo ao local, uma fotografa que nos acompanhava, retirou a câmera da bolsa e logo foi repreendida por um dos traficantes, dizendo que não podia filmar nem fotografar e isso a base de gritos, a moça ficou em pânico e começou a chorar, o escritor Julio Ludemir que estava nos acompanhando e conhece a comunidade, foi conversar com o traficante para amenizar a situação. Subimos para o local do sarau que correu bem, apesar da tensão que rondava por ali, ao final do sarau, fomos convidados a comer um enorme bolo (e por sinal uma delícia!) que a comunidade havia preparado para o evento. Logo chegou a hora de parti já eram quase dez da noite, teríamos que subir ladeiras e escadarias novamente, poucos estavam dispostos, um dos traficantes que estava mais enturmado com os poetas, fez questão de ir buscar o ônibus para que não fizéssemos aquela romaria toda da subida, mais, não teve jeito, o ônibus não entrava naquelas vielas apertadas da comunidade, subimos a base da “canela” e chegamos ao buzão, suados, cansados e felizes por tudo ter corrido bem. Partimos então, para o terceiro sarau do dia no Morro Agudo em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

Embarcamos e o ônibus partiu para Nova Iguaçu no Enraizados, uns cansados, outros ainda com as baterias carregadas, porém, ninguém desanimado, ainda estávamos no clima de adrenalina ocorrido no último sarau na comunidade Fallet. Chegamos ao local, centro de cultura do Enraizados por volta das meia noite e meia, e no local já estava rolando um evento com música e foi só os poetas chegarem que a animação tomou conta de todos, assistimos as apresentações de free style do MCs do projeto Enraizados, muito bom por sinal, tinha um menino de onze anos que mandou muito bem no free style. Após a apresentação dos MC’s, começou o nosso sarau com a abertura do sarau da brasa com os tambores chamando os poetas para recitarem, tudo na maior paz e alegria, todos os poetas visivelmente cansados fizeram um recital muito louco, mandaram bem em todos os poemas, encerramos com os tambores da brasa a noite de poesia, mais ainda rolou uma batalha de MC’s na brincadeira com os poetas e os meninos do projeto Enraizados, a noite só estava esquentando, um churrasco e muita cerveja ainda estava para sair, enfim, lembro que fui dormir por volta das cinco da matina, embriagado e com a garganta ruim de cantar e as mãos doendo de tocar atabaque.

Despertamos logo cedo numa manhã de domingo quente a beça, para nos organizar para ir à praia, de inicio a dúvida de qual praia ir, mais, a maioria venceu, iríamos a Ipanema, o buzão encostou por volta das onze da manhã, embarcamos de mala e cuia, pois, era nosso último dia no RJ, fomos a Ipanema, chegando no local de desembarque, logo todo mundo se espalhou, os Poetas do Tietê foram até Copacabana onde gravou-se um Videopoema na estátua do Drummond, que fica à beira da praia, e curtimos o Arpoador e Ipanema também. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, ainda teríamos o último compromisso no morro do Borel, último sarau da Caravana da poesia, embarcamos no buzão por volta das seis da tarde e partimos para o Borel.

Chegamos na comunidade por volta das sete da noite, desembarcamos em frente a um SESC, e pegamos umas kombis que é o transporte tradicional de quem sobe o morro, pois, o ônibus que estávamos não entrava nas ruas estreitas da comunidade, tampouco, subiria aquele morro imenso, a vista lá de cima era maravilhosa, dava para ver o RJ inteiro, muito lindo mesmo, o lugar não poderia se chamar outro – Chácara do Céu- onde desembarcamos na casa do Sr. Gabeira, líder comunitário, haviam duas placas que anunciavam “Rajadas Poéticas: Os Poetas estão chegando” no terraço da casa, sua esposa e família nos recepcionaram com uma galinhada (uma delícia!) para matar a fome dos famintos poetas, comemos bastante e depois ainda rolou uma sobremesa para fechar o banquete, subimos a laje da casa do Sr. Gabeira para admirar aquela paisagem deslumbrante do RJ é a melhor digestão que existe, comer e olhar a paisagem. Hora do último sarau, fomos para o local, uma antiga igreja, próximo a uma UPP (unidade de polícia pacificadora) da comunidade, fomos nos organizando e chamando a criançada toda para participar, alguns minutos depois, a comunidade já estava nos aguardando começar o sarau. Foi demais, a comunidade aplaudia cada um dos poetas que se apresentaram como se fosse o primeiro sarau da caravana, um dos melhores que fizemos nos dois dias de caravana, e para encerrar o sarau, fizemos uma ciranda com todos os presentes, as crianças adoraram. Nos despedimos de todos por volta das onze da noite, felizes, com a sensação do dever muito bem cumprido. Embarcamos nas Kombis e fomos em direção ao ônibus, embarcamos no “buzão” e hibernamos, não se ouvia um ruído de vozes, pandeiros ou outra coisa qualquer, só os roncos e respirações dos poetas fadigados. Por volta das três da madrugada, acordamos com o ônibus balançando e um barulho, o pneu do buzão havia estourado, um detalhe que não poderia faltar na aventura, toda caravana tem o seu perrengue, o motoristas e alguns dispostos desceram para trocar o pneu, depois de uns quarenta minutos, estávamos de volta a estrada. Chegamos em SP por volta das sete e meia da manhã da segunda feira, dia 20, cansados e felizes, com um gostinho de quero mais, fechando o ano com chave de ouro... olhei para trás e vi os poetas com suas malas voltando para suas casas e vidas reais.


Estação do teleférico, Complexo do Alemão (RJ)


Alessandro Buzo (foto) e Vagnão da Brasa apresentaram o SARAU da 1a Caravana da Poesia noi Alemão e Enraizados.


Marco Pezão recitando no ALEMÃO


Alessandro Buzo e Marilda Borges no Complexo do Alemão


Jefferson Carvalho, estreiou como fotografo da Suburbano Convicto, porque a Marilda Borges estava filmando.

Fotos: Marilda Borges e Jefferson Carvalho

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Livraria Suburbano Convicto no Bixiga - Programação das Festas em 2010



Hoje (terça 21/12) - Abre normalmente das 10h às 19h
Amanhã (quarta 22/12 - Abre normalmente das 10h às 19h
Quinta 23/12 - Abre normalmente das 10h às 19h

Sexta (24/12), sábado (25/12), domingo 26/12, segunda 27/12 - FECHADO

Terça (28/12)até quinta (30/12)- Abre normalmente das 10h às 19h

De 31/01/2010 à 10/01/2011 - FECHADO
* Voltaremos na terça 11/01/2011

Livraria Suburbano Convicto
www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com
suburbanoconvicto@hotmail.com
11 2569-9151

Rua 13 de Maio, 70 - 2o andar
Bixiga
(Região central de SP)

www.buzo10.blogspot.com

Mary do Rap está de volta !!!! Feliz 2011....

Esta é uma realidade desafiadora...... Desde o tempo da senzala ........ É uma luta...... Que causa raiva e ironia......... E que acontece todo o dia..... Aqui no beco......... Onde o pobre tambem sonha com a paz......... A favela não faz parte da cidade.......... Mas aqui tambem rola muita dor........ To falando da pobreza ....... Do preconceito........ Na favela onde o diabo domina o tempo......... Onde o diabo é o grande zelador......... Ta aqui o mais dominante conceito........... E a maior falta de amor.......... Moleque que nasce no beco, já nasce injustiçado, já cometeu o erro de nasce um favelado. O conhecimento que se tem na vida é o original........... Moleque da favela não tem escola......... A escola é só a da vida........ E o destino ás vezes é fatal......... Mesmo que seja bem sucedido, um sangue bom o moleque da favela é considerado um desclassificado um marginal. E neste cenário impiedoso........... Favelado é sempre hostil é sempre criminoso. E se o pai não tem o trampo.......... E o moleque ta com fome......... Ta em pranto........ Filhos da puta ............ Caralho........... Sou um merda, com esta dor que me consome............ Não posso ve o moleque chora de fome........... Quem vive aqui no beco vive ancioso............ No beco é jogo duro................. ´´E jogo perigoso............. É uma porta aberta pra destruiçao............ Basta não te consciencia, já tá no caminho pra suja de sangue a mao.............. É eu reconheço............. A idéia não é perder............. Mas mano...... Usa a cabeça........ Pra não te foder........ Tem que se sofre com a dor da rejeiçao........ E se permiti mergulha no mundo da falta de condiçao............. Vive o abandono, chora no silencio, no beco,na solidao......... Mas a sobrevivencia é o nosso ideal.......... É jogo de morte, sem conta com a sorte, só força interior e a combinaçao do bem e do mal................. E o alcool na mente? É pra enfrenta as tragédia e a fome da gente....................... No beco é jogo duro............ É jogo perigoso, tem que se te consciencia da própria pobreza.......... A vida na favela é mesmo peso é dureza............ Aqui na favela se vive encrencado.......... Vai fundo com a agulha na veia pois a nossa liberdade só tá escrita na areia de um chao batido, a favela é um mundo esquecido.......... Fora riscado, da sociedade de onde só se fala em igualdade.................. Mas as oportunidade tá no arsenal no cano toda a muniçao e aí nada é sonho tudo é real............ Se somo acusado de não agi direito.......... Tambem somo as vítima deste mundo podre e cheio de defeito......... Onde só prometem salva a humanidade mas mano pode cre ninguem fala as verdade............. E nas diferença.......... Os home entra no beco e dita as sentença............ Bandido........... Fudido........... Não sai da favela............ E aí negro, vou te bota no grampo........ E aí mane, branco......... Vou estoura teu cranio.......... Vou te bota no xadrez........... Comigo, tá ligado........... Favelado........... Não tem vez.......... Adrenalina na veia........ Fecho o cerco.......... Na predominante teia........... É fato............. O inferno em toda a dimensao........... É sangue, é morte, é ataque.............. Ta feito o atraque.......... Armada a maldiçao............ Os home entra no beco e executa o irmao........... Ferido o jacinto, o toró, e o negro joao.......... Baleado os mano cai no chao........... O sangue dos maluco, configura nos trabuco, no cano, no canhao............... Figurou aí no contexto a minha versao......... Na real somos os excluídos..... Garanto esta é a grande frustraçao............. A verdade tá nas ruas,tá na esquina...........No moleque ............ Na mina......... que se prostitui pra garanti o pao............ Falo pros líder desta violencia.......... Desta questao........... Será que dorme com este massacre brutal na consciencia............ Q ue tem na mao.................. Favelado é um lutador de qualquer forma.............. E os governante uns imbecil, não sabe dita as norma.................. E os misterio que envolve o beco esta figura tao sombria.............. Que o mundo vira de costas pra esta guerra torturadora e fria......... Que deixa o pai volta pra casa com fome e de mao vazia.......... Esta é uma realidade desafiadora.............. Que causa raiva e ironia......... E que acontece todo o dia aqui no beco.........Que sofre com a corrupçao moral,com uma vida fudida e tao desigual............


Mary do Rap
marydorap@hotmail.com
Mary é nossa colunista é nossa colunista no Rio Grande do Sul.

Emerson Alcalde no SARAU SUBURBANO pelo Circuíto Sesc de Artes 2010