quarta-feira, 28 de março de 2012

Sarau Suburbano escreveu capítulo histórico ontem. Sem energia elétrica, SARAU foi na rua as escuras.


Buzo na missão, #SarauSuburbano foi na rua por falta de energia no Bixiga na noite de ontem.


Evandro e Thaíde (que fez uma participação especial no Sarau Suburbano)

Fotos: Marilda Borges

Ontem (terça, 27/03/12), se não bastasse a CHUVA e ter proximo (Ação Educativa) um show do GOG, ainda faltou LUZ no Bixiga.
Junto, esses 3 fatores é suficiente pra CANCELAR qualquer SARAU, certo ? ERRADO.
Pensamos em fazer o SARAU a LUZ de VELAS, mas as escadas estavam muito escuras, o portão automático não abre sem energia, enfim.....
Ainda tinha o problema do perigo de uma vela cair, livros, papel, escadas escuras.
DESCEMOS, eram 18h45.
Resolvemos esperar a LUZ voltar até 20h30 (o sarau começa 20h)........ o povo foi chegando. Mas a LUZ não voltou.
20h30 o Rodrigo Ciriaco iluminou a calçada com a luz do seu carro.
FIZEMOS O SARAU NA CALÇADA.
Se não bastasse tudo isso, ainda surgiu a MARIA RITA, não aquela filha da ELIS, mas uma versão do PIAUÍ. A tia tumultuou o sarau INTEIRO: - A cada aplauso ela mandava a letra, MARIA RITA DO PIAUÍ. Ela dançou com o Thaíde, agarrou o Zinho Trindade.
Falando no Thaíde, ele estava ensaiando no Estúdio (mesmo prédio da livraria) e convidei ele pra uma participação especial, levou SENHOR TEMPO BOM.
O SARAU SUBURBANO de ontem foi um ESPECIAL "Sarau da Ademar", presença da Lids e outros integrantes do coletivo da zona sul, Anne, Alison.
Teve ainda o CIRÍACO e as meninas do MESQUITEIROS (Jéssica, Amanda e Mayra), lançando o livro PODE PÁ QUE É NÓIS QUE TA.
Teve o RUÍVO do Sarau da OCUPA, e 2 crianças da ocupação, Lucas e Sandra. Muito bacana ver as crianças declamando com tudo na vida torcendo contra, ganharam cada, um exemplar do Livro: Dia das Crianças a Periferia.
Teve o Tubarão na linha de frente comigo (Buzo), apresentando o SARAU.
Teve Z/L com Nego Panta e WL da Família Tramóia.
Teve COCÃO da Cooperifa, Emerson Alcalde, Paulo Rans, Jaime Matos, Henrique, Andrio, Mônica, Galdino.
Teve Augusto da Batalha da Leste, KBÇA MC, Sérgio Ballouck, AKINS KINTE, Zinho Trindade.
Teve a RITA que estava passando, parou e ficou. Ganhamos UMA POETA por estarmos na calçada.
Teve a "MARIA RITA" do Piauí............
Só não teve LUZ.
Mas os poetas estavam iluminados.
Uma noite diferente, inesquecívelmente escura.
A poesia não para, porque SARAU é compromisso.
Alessandro Buzo
www.sarausuburbano.blogspot.com




Lids Ramos


Zinho Trindade declamou........


Maria Rita não aguentou e agarrou nosso poeta


Mônica


Anne da Ademar


Zinho Trindade e Evandro Borges


Galdino


Rita estava passando, parou quando viu o SARAU SUBURBANO na RUA e declamou (muito bem diga-se de passagem).


Alison


Andrio


Trio de apresentadores do SARAU SUBURBANO.
Evandro Borges (filho do Buzo), venho de BUZÃO sozinho (12 anos), da Casa Verde ao Bixiga.
DETALHE: No Kaos da cidade, percurso que pode durar 20 min. (ou menos), demorou 2 HORAS


Akins Kinte


Buzo observa AUGUSTO da BATALHA DA LESTE


Thaíde levou "SENHOR TEMPO BOM"
Participação especial no SARAU AS ESCURAS




Paulo Rans


KBÇA MC




Akins Kinte e Sérgio Ballouck




Jaime Matos


Lids da ADEMAR, Sarau da Zona Sul foi homenageado na noite de ontem


Resistência, SARAU SUBURBANO até no escuro da noite sem energia elétrica.


WL do Jd Pantanal


Jéssica dos Mesquiteiros


SARAU SUBURBANO


Mayra


Amanda


Sandra e Lucas que moram numa ocupação na Av São João


Henrique


Nego Panta


"Maria Rita" e Ruívo


Lucas do OCUPA


Tubarão DuLixo que apresenta o SARAU SUBURBANO com o Buzo




Emerson Alcalde


Sandra da OCUPA


Cocão (Versão Popular)


Buzo




NÓIS CAPOTA MAIS NUM BREKA

quinta-feira, 22 de março de 2012

27/03 #SarauSuburbano ........ Especial SARAU DA ADEMAR. Lançamentos livro(S) do ADEMAR (Primeiras Prosas) e MESQUITEIROS (Pode Pa Que é Nóis Que Ta).

27/03

ULTIMO SARAU SUBURBANO DO MÊS
* Todo ultimo Sarau Suburbano de cada mês, vamos homenagear um outro SARAU da cidade e o primeiro (em março) é o SARAU DA ADEMAR.... a primeira meia hora é toda do homenageado.
Como o SARAU DA ADEMAR vai estar mandando e desmandando nesse dia, vão lançar o livro PRIMEIRAS PROSAS.
Mas tem outro lançamento de mil grau: PODE PA QUE É NÓIS QUE TA, do Sarau dos Mesquiteiros, organizado pelo Rodrigo Ciriaco.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Literatura (é) a Cura

Literatura (é) a Cura .... nome que o escritor Alessandro Buzo da a lista de livros lidos por ele durante o ano.
A cada livro lido, os comentários ou resenha.
Foram 36 em 2008...
29 em 2009
20 em 2010
E o recorde..... 54 em 2011.

AGORA 2012.

Acabei de ler o terceiro livro do ano "O X da Questão" do Eike Batista. (Primeira Pessoa - 160 paginas), ele narra como começou seu império até se tornar o homem mais rico do país, ele teve coragem (ajuda) e disposição. Talvez seu o apoio no início (2 vezes emprestimo de U$ 500 mil), não teria chegado onde chegou.
Mas trabalhou muito, livro foca no lado empreendedor, comenta sua conta no Twitter e nada de seu casamento com Luma de Oliveira, assuntos pessoas não entra.
Vale a pena conferir.

terça-feira, 13 de março de 2012

COLUNISTA "TUBARÃO DULIXO"

Conforto

confortos tomam espaços de sonhos...
onde ontem existia fogo...hoje nem sinal de fumaça...
escolha e vista...carapuças ou carapaças...
bolso cheio põe sorriso na cara...
sem tempo pra ladainhas...o relógio de ponto não para...
bocas expelem línguas afiadas...
relações afetivas seguem cortadas...
tropeçamos em seus pedaços...
que seguem espalhados em calçadas...
em terras antes douradas...nessa pátria amada...
corpos carregam adornos reluzentes...
causam impressão de iluminados...
seres superiores é necessário...
se tem esperto é por que tem otário...
tudo igual segue o calvário...
o amor dos tempos modernos...
de tão falso chega ser hilário....
onde vidas ainda são compradas...
pela porra de um salário...

CONTATO: dulixo13@hotmail.com

sexta-feira, 9 de março de 2012

NOVO COLUNISTA DO BLOG

Sobras de uma vida que falta amor
Por: Sergio Rodrigues
CONTATO: sergiorodrigues2005@gmail.com



Falta tempo, transborda dor, acumula-se saudade.
Planta-se solidão, colhem-se amores abstratos
em excesso.
Rega-se plantas de plástico, carência em carne viva.
Pedras sobre pedras, tijolos em sobra
erguendo grandes edifícios.
Sobram rugas em volta dos olhos.
Sobra indiferença da natureza
que nos trata com sua frieza sem sombra
e nos pisa com suas patas de elefante.
Sobra alimento na lata de lixo dos que tem uma conta
que transborda em dígitos.
Sobra fome na boca do mundo
que grita com fome.
Sobra fé e esperança em um Deus que é adormecido.
Amanhece em tragédias, tudo em excesso.
Pão dormido, agradecido.
E todas as preces, não são poucas.
Amanhecem sem voz ou o ouvido de Deus é surdo.
Sobra e pedaços de histórias, que não se unem mais,
tudo soterrado pela fúria do tempo que acumula nas costas
mais morte que todos os tiranos juntos.
O tempo se envaidece do poder que Deus lhe dar
Do excesso de lágrimas que solidifica.
Da sobra de comida
que não chega à boca dos que tem fome,
em excesso.
Da solidão que causa aos que tem no sangue
o DNA de forasteiro, mas que no fundo querem ficar,
com alguém ou em algum lugar, qualquer um.
O tempo orgulha-se excessivamente
da dor que causa aos que ficam depois da morte,
dos que amam.
Tudo em excesso, tudo em sobras, tudo em restos e destroços.
Sobras, nossos excessos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

ShARk SLAM !

Por: Rafael Marques ou "ZETA"





UMA NOITE BEM LOUCA
VÁRIOS POEMAS, COM ROUPA!
A CADA PALAVRA UMA LIÇÃO
CADA POEMA UMA INSPIRAÇÃO

TODOS BONS POETAS
DIVERGENTES EM IDÉIAS E ESTILOS
UNS RECITAM RIMANDO
OUTROS SORRINDO

O IMPORTANTE É TER ALGO À DIZER
PODE FALAR, CANTAR, GRITAR, DANÇAR,
DE VÁRIAS MANEIRAS SE EXPRESSAR
MAS SE NÃO TIVER NADA PRA DIZER
O MELHOR “AR” É CALAR.
ESCUTAR E APRENDER
PARA QUEM SABE SURPREENDER

HUMILDADE É A CHAVE
NÃO IMPORTA SUA NAVE
SUBURBANO OU NÃO
É SÓ COLAR NA GRADE

HONRANDO SUAS REFERÊNCIAS
UM LOUCO CRIOU SUA ESSÊNCIA
E HOJE TAMBÉM É MINHA REFERÊNCIA
CAIÇARA E RIMADOR
SANTISTA...É NINGUÉM É PERFEITO!

UM SLAM DE PESO
SÓ MONSTRO DE CAMINHADA
MAS O ZAPEÃO NÃO CAMINHA, NADA DISSO
É O TUBARÃO DO LIXO.

A NOITE FOI DAS MELHORES
DEIXOU-ME DE MENTE ATIVA
ILUMINADO PELA SABEDORIA
DE UMA ESTRELA POETISA
DE UM SUBURBANO
E SUAS PALAVRAS CONVICTAS.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cela de Aula

Por: Tubarão DuLixo

Na pedra azul...
folhas de papel...
pedaços de grafites...
versos confusos...
mãos tremulas...
sonhos vem e vão...
silêncio por dentro...
falatório lá fora...
vigilância continua...
horário marcado...
poesia se encerra...
sala vazia...
pátio cheio...
ócio impera...
sistema funcionando...
infância parada...
tempo não espera...
liberdade calada...
saudade aperta...
família que chora...
mal que sorri...
a fé por sustento...
amor em esquecimento...
lágrima escorre...
sangue que pinga...
veneno em punga...
punhos cerrados...
pra luta pra briga...
a paz em extinção...
desapego da vida...
casa não é lar...
a diferença é nítida...



Tubarão
www.dulixo13.blogspot.com

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sarau Suburbano no CATRACA LIVRE

Assista e comente.

MAIS

Por: Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

Becos, vielas...
Periferia, favela.
Faço parte dela.
Amo a quebrada.
Sou suburbano convicto
Se duvidar, faz o DNA.
Os bico vão se atacar.
Os verdadeiro vão somar.
A vida vai brindar.
Os objetivos vamos alcançar.
Mais cultura
Mais Sarau
Mais Hip Hop
Mais atitude
Mais respeito
Mais comprometimento.
Mais sentimento.
A periferia ainda precisa de muito MAIS

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SEJA UM COLUNISTA.

Esse Blog administrado pelo escritor Alessandro Buzo e pela Suburbano Convicto Produções, tem poesias, crônicas e contos de escritores da periferia (ou não).
SEJA UM COLUNISTA.
Só mandar um texto SEMANAL, QUINZENAL ou MENSAL.

suburbanoconvicto@hotmail.com

Aguardamos......
Alessandro Buzo
BLOG "Literatura Periférica"

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ELA

Por: NEGATJ -TJ
soneguinha@hotmail.com


antes andava ermo
antes andava frio
antes andava febril

antes andava andando
antes andava vagando

agora ando vendo
tentantando sentir o vento
no lamento das lagrimas
que paira no meu profundo vazio

saudades mil

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sarau do Suburbano traz a periferia para o centro

Publicado em 15 de fevereiro de 2012
Fonte: http://www.spressosp.com.br/2012/02/sarau-do-suburbano-traz-a-periferia-para-o-centro/#comment-772

Fundado por Alessandro Buzo, espaço se torna referência da literatura marginal

Por:
Igor Carvalho


No coração do Bixiga, em meio ao frenesi do carnaval, com a rua pulsando ao ritmo de um bloco carnavalesco, um sarau. Na rua 13 de maio, um homem reúne amigos, curiosos e poetas, tudo em nome de um movimento que cresce vertiginosamente e que torna o personagem do gueto a figura central de sua arte e de sua reflexão, o grande herói de suas histórias. Os saraus da periferia representam mais do que um evento cultural e para compreendê-los o SPressoSP realiza mais uma matéria sobre esses coletivos. Nesta terça-feira (14) estivemos no Suburbano Convicto, a maior livraria de literatura marginal de São Paulo e sede, também, do Sarau do Suburbano, comandado por Alessandro Buzo.

Passava das 20h quando Buzo pediu silêncio para o início do Sarau, na acanhada sala aproximadamente 50 pessoas se espremiam. “Isso não é nada, tem dia que tem gente pela escada e até na rua”, orgulha-se Buzo, o fundador do espaço. Mostrando sua faceta múltipla, o sarau, desta terça, teve o lançamento do cd do grupo de rap CA.GE.BE, que cantou quatro músicas, entremeado pelas poesias declamadas por convidados, escritores anônimos e outros nem tanto.

O pernambucano Marcelino Freire foi uma das presenças conhecidas na livraria de Buzo. Organizador da Balada Literária, festival de literatura realizado anualmente, em São Paulo, Freire é um entusiasta dos saraus. “Eu estou sempre na Cooperifa, no Binho, no Sarau da Brasa, aqui no Suburbano. Essas iniciativas me estimulam muito, são companheiros de guerra, são irmãos da minha mesma teimosia. A Balada Literária nada mais é do que uma teimosia”, comenta o escritor, para, em seguida, tentar explicar por que esses coletivos têm tido tanta adesão nas periferias. “As pessoas colocam uma carga muito pesada na literatura, como se ela fosse uma coisa diferente dessa união que une música, cerveja, gente e esse espírito de guerrilha”, afirma Freire.

Ponto de encontro

Diferente de outros saraus, o Suburbano Convicto está na região central. Mas o sarau funciona como um ponto de articulação de todas as periferias. “Não me afasta de forma alguma [da periferia], a questão da gente estar no centro, é até bom, vem gente da norte, da leste, da sul e da oeste, um coletivo dialoga com o outro”, diz Buzo. A presença de Vagnão, fundador do Sarau da Brasa e de Paulo Rams, idealizador do Perifatividade, confirmam a tese de poeta.

Nesta terça, 25 pessoas se inscreveram para declamar poemas, todas chamadas com profundo entusiasmo por Buzo e Tubarão, seu “parceiro de milianos”. Os temas variavam, as duas únicas mulheres que declamaram na noite quiseram falar de amor, com versos próprios. Os demais sempre esbarravam em questões afirmativas para o homem da periferia e discursos politizados. “Não é que as pessoas na periferia querem ser contestadoras, mas é que o cara toma tanta porrada, aí ele precisa de um espaço para reagir, antigamente reagia na violência, hoje é escrevendo um livro. Quando você aprende a ter voz, você quer usar, aí fala o que tá incomodando e tem tanta coisa incomodando”, explica Buzo.

Em meio a livros, CD’s e DVD’s que contam a história do Hip Hop e da literatura marginal no Brasil, Buzo também declama seus poemas, que assim como tantos na noite, fazem uso de gírias tão presentes nas periferias. “Tem o lance da gíria, que é um dialeto próprio, em momentos, na escrita, não dá pra fugir da gíria, descrevendo uma cena, muitas vezes, eu recorro aos nossos dialetos.”

Produção cultural dos guetos

Segundo Buzo, com o crescimento do movimento de saraus pela periferia paulistana, muitos poetas têm conseguido publicar seus versos. “Importante mesmo é que os livros estão saindo e a qualidade é boa, outra coisa que impressiona é a quantidade, é muito livro. No meio desse universo não tem livro ruim, tem uns melhores, outros nem tanto, mas o importante é que estão escrevendo e se manifestando.”

MC César Sotaque, vocalista do Ca.GE.BE, grupo que lançava seu segundo CD, “O Vilarejo”, ressaltou a importância do espaço e do discurso com características próprias. “É um prazer estar aqui, no meio de tanta gente que tem uma produção intelectual importante para os guetos. É um espaço onde podemos expressar o que sentimos, a gente que mora nas quebradas não tem espaço em galerias, museus e centro culturais, então acabaram criando esses locais de cultura marginal, onde podemos produzir e apresentar nossa arte, sem nos desrespeitar, falando a nossa língua e sobre o nosso povo”, finaliza o rapper, que também é professor de história.

O sempre sorridente e tranquilo Alessandro Buzo encerrou a noite, absolutamente democrática, que começou com rap, passou pela embolada do repentista Rapadura, de Pernambuco, trilhou pela poesia, dando espaço para os jovens da “Casa das Expedições”, que lançaram o livro “Somos todos iguais” e terminou com uma intervenção de Marcelino Freire. Para Buzo, o sarau é irreversível e está apropriado pela periferia. “Antigamente fazia-se sarau e tinha chá, todo um ritual. Os filhos desses caras preferiram ir pra balada ouvir ‘putz putz’ (música eletrônica). Por mais que esse movimento tenha nascido no berço da burguesia, nós tomamos de assalto mesmo e não vamos devolver, hoje tem essa cena aí, linda né cara? De segunda a segunda você pode ir em um sarau em São Paulo.”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

#SarauSuburbano - ORGULHO.

Fotos: Evandro Borges e Marilda Borges
Texto: Alessandro Buzo


Tubarão apresenta o #SarauSuburbano junto com Alessandro Buzo e Evandro Borges


Ca.GE.BE. lançou CD "O Vilarejo"




Marcelino Freire e Buzo


RAPadura e Buzo

Hoje (14/02/12) aconteceu mais uma edição do #SarauSuburbano a segunda do ANO e a ultima antes do carnaval. Voltamos 28/02.
Se a primeira do ano foi de casa SUPER LOTADA, com 42 poetas, desta vez a casa estava CHEIA e 23 poetas declamaram, muita gente também só pra assistir e MUITA IMPRENSA (TV Cultura, Catraca Livre, Revista Forum), entre outras.
Foi um SARAU que deixa a gente com ORGULHO, explico porque.
Não é todo dia que temos pra abrir o SARAU um talento impar com hoje, que abriu os caminhos foi o RAPadura, cabra arretado. Fez uma enbolada da hora.
TEVE UM SOM, o CA.GE.BE. estava lançando o CD "O Vilarejo" e levou a estrutura (pick ups, caixa de som, etc), mandaram 2 som do CD e o povo do sarau curtiu.
Depois de RAPadura e CAGEBE, chegou com a gente o Vagnão da Brasa e os jovens do ABRIGO "Casa das Expedições" , a partir de uma oficina do Vagnão, os adolescentes escreveram o livro "Somos Todos Iguais ?", eles tem entre 13 e 17 anos e encantaram a todos no sarau, falaram, declamaram..... são só crianças, mas quando você imagina o que passaram pra hoje morar num abrigo e eles ali na nosso cara dizendo... SOMOS TODOS IGUAIS ? No #SarauSuburbano eles são iguais, mas na sociedade infelismente nem sempre é assim. MUITA FORÇA, Saúde e paz pra eles, beijo no coração.
Vagnão fez uma em homenagem a eles, do livro Pelas Periferias ... vol 3.
PODIA ENCERRAR O SARAU que todo mundo ia embora contente, mas tinha muito mais.
Victor Rodrigues (da casa) chegou junto.
Depois Igor Carvalho da Revista Forum falou da edição que saiu ontem #PINHEIRINHO na capa e sobre a matéria que vai fazer nos saraus da quebrada, ontem foi conhecer o nosso.
Ele é único e tem seu público, direto da zona norte...... BREJERO DO CAJADO.
Depois ele que apresenta o #SarauSuburbano comigo..... TUBARÃO.
Da Z/L ... WL, depois Paulo Rans, Renata Prado, eu (Alessandro Buzo) que fiz uma da INGRID do ABRIGO em homenagem a eles todos.
Henrique do Barraco das Idéias, Vagnão, Nego Panta, Cafuris. Só gente bamba.
Evandro Borges fez uma comigo, depois.... Soró.
Mel Duarte sempre romantica e talentosa.
Walner Danziger trajado de VAI VAI nos lembrando que o carnaval chegou, depois Black Nandão e Mano Li do Ideologia Fatal.
Ultimo poeta da noite, pela primeira vez no Sarau Suburbano....... MARCELINO FREIRE.
Pra fechar com chave de ouro e gosto de quero mais..... CA.GE.BE. fez mais um som.
Boa folia pra todos, dia 28/02 a gente ta de volta ao #SarauSuburbano e agora todo mundo já ta ligado.....é toda "TERÇA-FEIRA".
Valeu
Alessandro Buzo
www.sarausuburbano.blogspot.com



CA.GE.BE.


Walner Danziger, Mel Duarte e Buzo


Victor Rodrigues


Igor Carvalho da Forum


Brejero do Cajado


Renata Prado


Buzo e Ingrid


Mel Duarte


Soró


Walner Danziger





Paulo Rans e Ana Fonseca


Buzo e Tubarão..... #SarauSuburbano


Black Nandão e Mano Li do Ideologia Fatal






Buzo fala sobre a guerreira Shirley Casa Verde (ao fundo) pro REIS DA RUA da TV Cultura, ela será uma personagem da segunda temporada.


CAGEBE representou


Marcelino Freire, WL, Cesar Sotaque e Nego Panta.






Marcelino Freire


Cafuris


Na apresentação do #SarauSuburbano .... Tubarão, Evandro Borges e Alessandro Buzo


Jovens do Abrigo Casa das Expedições foi emocionante, lição eles escreverem um livro. Breve vou visitar eles no abrigo, a casa deles.


Rafinha (de Brasília), Buzo (SP) e RAPadura do nordeste.


RAPadura




A RAPA






Evandro Borges e VATO

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Site Oficial e como contratar o escritor "Alessandro Buzo"

www.buzo.com.br






9 livros
6 coletâneas literárias
1 filme (diretor)
3 anos no Manos e Minas da TV Cultura
* Desde set/2011 no SPTV da Globo
* Idealizador e apresentador do "Favela Toma Conta" (evento de hip op no Itaim Paulista) e do #SarauSuburbano do Bixiga



PALESTRAS E DEBATES COM "ALESSANDRO BUZO"

Suburbano Convicto Produções

11 2569-9151
11 8218-7512
suburbanoconvicto@hotmail.com
@Alessandrobuzo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ninguém é inocente na cidade cinza

Por Andressa Marques
aandressammarques@gmail.com


A arrumação dominical da minha casa teve como fundo musical o álbum do Rodrigo Ogi, As crônicas da cidade cinza, lançado ano passado e que foi das melhores criações que chegou até mim em 2011. Entre colocar a roupa no varal e limpar os móveis, minha cabeça deu um giro por Sampa, suas ruas e as dificuldades impostas pela mesma e que vi sendo impressas por outrxs artistas em suas obras. Imediatamente, meus pensamentos caíram no livro que mais bem quisto por mim nos últimos tempos, Ninguém é inocente em São Paulo, de Ferréz, lançado em 2006.
Ferréz escreve na “Bula” de seu livro Ninguém é inocente em São Paulo: “eternos amigos que continuam a me contar suas histórias, que sempre estão ao meu lado”. No mesmo tom, Rodrigo Ogi, citando Plínio Marcos, finaliza suas Crônicas da Cidade Cinza: “Eu conto histórias. Histórias que eu vi com esses olhos que a terra há de comer um dia, ou histórias que eu ouvi, no buxixo das curriolas”. Narrativas que têm como pano de fundo a SP sem amor para uns e que imprime dilemas cotidianos em seus habitantes. São muitas as personagens criadas pelos dois artistas: o motoboy que precisa ser safo para dar conta de seu trabalho tão arriscado, o tiozinho dono do bar que não agüenta mais os boyzinhos da faculdade falando em revolução, o PM que pode não voltar para sua casa depois de um dia de trabalho, o cachorrinho pensante que muda de um prédio luxuoso para morar na favela junto com seu novo dono escritor, o safo malandro que encara toda a gangue do Zé Medalha sem fugir da briga, o cara que paga um lanche no Habibs para dois meninos moradores de rua que não podiam nem comer e nem brincar no barco viking do estabelecimento, o cidadão que se vê como concorrente de si dentro em uma corrida de ratos cheio de carnês pra pagar e uma família pra sustentar, o grupo de rap que é entrevistado por um jornalista que tem pânico da periferia, o bandido que tem a premonição que naquela noite a missão seria fracassada e desiste da investida, o repositor de estoque do Pão de Açúcar humilhado por seu chefe e muitas, muitas, muitas outras vozes que contemplam o universo paulista periférico e que agora adentram ao mundo literário como protagonistas.
Quando ouvi o disco do Ogi, as imagens velozes por ele ali reunidas me transpuseram prontamente para um cenário cinematográfico. As crônicas rap do Ogi e os contos de Ferréz dialogam visceralmente, cada uma em seu veículo, mas ambas com a tarefa de representar a multiplicidade de vidas engolidas pela imensidão cinzenta, mas que articulam suas possibilidades em meio ao caótico. Alessandro Buzo, em Hip Hop: dentro do movimento (2010), diz que sua produção integra o quinto elemento do hip hop, o conhecimento, este que reúne a produção de livros e filmes. As diversas manifestações desse movimento são cada vez mais simbióticas (por exemplo, a capa da mixtape de Ogi trás uma arte dos irmãos grafiteiros Os Gêmeos) e são essas aproximações que vejo fortemente na literatura escrita e a cantada de Ferréz e Ogi.
O primeiro conto de Ferréz “Fábrica de fazer vilão” nos arranca do comodismo logo de cara, trata-se de um episódio em que a violência policial é levada ao extremo e toda uma família negra é humilhada. O conto narrado em primeira pessoa tem como sujeito de enunciação um rapper acusado de ser vagabundo por parte dos policiais que invadem sua casa, ao que ele que responde: “sou trabalhador”. Essa frase guarda consigo a dignidade de toda uma classe economicamente desfavorecida e atua como mote e ordem do dia das várias personagens das duas obras. Nesse conto de Ferréz, os policiais ameaçam atirar em alguém daquela família, mas não efetivam o assassinato, a diversão deles ali era instaurar o medo. Já a faixa 10 do álbum de Ogi, Noite fria, narra uma cena na qual a personagem, não por acaso, é ouvinte do Sabotage e sai com parceiros na madrugada em busca do “corre” da noite e acaba se deparando com a polícia que o espanca e depois o mata. As repetidas histórias do cotidiano não só de São Paulo, mas de todo um país marcado pelo racismo da polícia que se esconde atrás dos “autos de resistência” são denunciados e problematizados pelos dois artistas.
O meio do caminho do rapaz que é trabalhador, mas se vê engessado pelo desemprego é tema da faixa “A vaga” (a melhor, na minha opinião). A narrativa conta o dia de um jovem que se vê diante de portas constantemente fechadas e que enfrenta a vontade de fazer o jogo virar repentinamente, do jeito que der pra fazer isso ocorrer. A personagem pensa em roubar o iphone da minazinha que moscou, mas sua consciência, com voz de Mano Brown, grita: “a vaga tá lá esperando você”. O alerta, acerca da vaga indesejada, dado no diário do ex-detento Jocenir se contrapõe a tão almejada vaga de emprego que é o anseio presente no conto “No vaga”, de Ferréz. As histórias de dois amigos desempregados e suas esperanças compõem o enredo desse conto. Ambos reclamam da dificuldade de serem fichados em algum emprego, e diante do entrave, aceitar cair conscientemente na lorota das empreitas duvidosas é a saída vislumbrada pelos mesmos. Antes ser contratado investindo seu próprio e pouco dinheiro no negócio, do que não ser contrato de forma alguma. O narrador da música do Ogi encontra sua vaga de limpador de candelabro, os jovens de Ferréz topam vender três planos dentários para, então, serem contratados e assim, forjando resistências, esses jovens arquitetam vagas para as corajosas vidas encaradoras do concreto armado.
A faixa que inicialmente mais me empolgou nas crônicas foi “Os tempos mudam”, parceria do Ogi com a Lurdez da Luz e que enuncia mudanças significativas no cenário social. Os dois cantam no refrão que os tempos já não são mais os mesmos e avisam: “se prepare, pois seu mundo também vai mudar”. Insistir em machismos, preconceitos, misoginias e afins é tolice, os tempos mudarão para todxs e essa já é a realidade de muitas mulheres (esperança e luta diária). No conto “O plano”, Ferréz faz uma breve descrição de uma mulher da periferia dizendo que a mesma está em pé no ônibus lotado, mais de meia noite, com cadernos no braço e conclui que achar como aquela em outro lugar é quase impossível. Somos múltiplas (nozes) em muitos espaços e encontrar representações que fogem do lugar comum para a mulher periférica é só o ouro, não preciso nem dizer isso para não ser repetitiva. Ogi e Ferréz contemplam (ainda que isso precise aumentar quantitativamente) as vozes dissonantes femininas em suas narrativas, seja na representação de uma que atua como chefe de família e tem seu marido em casa cuidando dos afazeres domésticos (o que traz para a pauta do rap a troca dos papéis socialmente construídos para os gêneros), seja na guerreira solitária que enfrenta jornada tripla de trabalho fora, estudo e afazeres domésticos para dar conta de sua sobrevivência nas cidades cinzas.
A narrativa que conta a trajetória de um retirante nordestino comunica diretamente com a vida de tantas famílias, vejo a minha ali também, trata-se da faixa “Eu tive um sonho” na qual Ogi canta ,com sotaque, a saga de um senhor que concretizou sonhos em meio ao cinza. Essa narrativa se entrecruza com a do pai do próprio Ferréz que recebe sua carta no conto “Assunto de Família”: “Sabe, Pai, o senhor deve estar jogando dominó ou baralho em algum barzinho, num canto de algum gueto, é o seu jeito, né não?” (2006: 79). Repentes de vencedores.
São muitas as conversas entre essas obras, aproximações, dialogismos , construções de novos cenários, vozes dissonantes, representações múltiplas de vidas são matérias desses artistas que imprimem em suas criações as angústias e também levezas de uma cidade intrigante. Tudo isso sedimentando, cada um em sua especialidade, uma forma de contar menos excludente e mais rica diante das diversas facetas das muitas verdades e mentiras também. Quem ainda não leu Ferréz ou ouviu Rodrigo Ogi que faça isso, deixo a dica, ninguém é inocente na cidade cinza.



www.blogueiratardia.blogspot.com