sábado, 31 de março de 2018

Literatura (é) a Cura.

Ontem (30 de março de 2018) acabei de ler o sexto livro do ano, média baixa de 2 por mês.
Foi o livro: O Sol na Cabeça de Geovani Martins (Companhia das Letras - 120 páginas), li em dois dias, e terminei literalmente com O SOL NA CABEÇA, na Praia de Camburizinho em São Sebastião-SP.
Livro chapado com 13 contos periféricos, ou melhor, SUBURBANOS (Rio de Janeiro), Geovani Martins traz a literatura marginal com sotaque carioca.
Morador da Rocinha (ou) Vidigal, conheci o autor na FLUPP (Novembro 2017), mas nossa amizade parece que vem de mais tempo, tamanha a sintonia.
Agradeço a Companhia das Letras pelo envio do livro.
Vale a pena conferir, tudo bem que você não vai ter o conto de abertura do livro, lido pra você pelo autor em plena Rocinha. Mas é bom ainda assim.
BREVE, lançamento no Sarau Suburbano em São Paulo.
Alessandro Buzo



Acabei de ler o livro O SOL NA CABEÇA, literalmente com o sol na cabeça.

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LIVROS QUE O ESCRITOR "ALESSANDRO BUZO" LEU EM 2018.

(01) - CIDADE DE DEUS - 50 ANOS. Coletânea FLUP HQ - Vol 2. (224 páginas)
(02) - O que é lugar de fala ? de Djamila Ribeiro (112 páginas)
(03) - SUKATA DE LETRAS de Erton Moraes (Editora Noz de Oz - 100 páginas).
(04) - VIVA VACA de Marcelo da Silva Antunes (36 páginas)
(05) - Crânio, Coração e Poesia de Carlos Augusto (120 páginas).
(06) - O Sol na Cabeça de Geovani Martins (120 páginas)

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Agora vou ler: Com Licença, eu vou à luta, de Eliane Maciel (Círculo do livro - 262 páginas).

Conto inédito.


O rolê sem futuro.
Por: Alessandro Buzo


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- Salve Alex, firmão meu truta.
- Firmão, tô com duas pedra aqui, louco pra fumar um mesclado, vai salvar o baseado.
- Puts, estava indo buscar, mas vamô junto lá no Romano, é longe mais vem servida, a gente já fuma na linha do trem.
- Demorô, bora lá.
Rolê longo, andando uns 30 minutos, mas partiram na disposição, no meio do caminho encontraram o Jean que foi também no bonde.
Melhor seria pegar a maconha ali mesmo nos predinho, paranga de R$ 10,00. Mas não, foram no Romano que a bucha de R$ 20,00 vem um montão, coisa de ter fumo vários dias.
No caminho, zueira com amigos, conhecidos, são nascido e criado ali, no Itaim Paulista véio de guerra.
Admirando a beleza das meninas que passam por eles, no respeito é claro, respeito é preciso.
Já na Avenida Marechal Tito, pedaço dela antes de quebrar a esquerda, cruzar a linha do trem, mais 5 minutinhos chegar ao destino. A primeira viatura do dia, ela chega próximo ao trio, passa a 10km por hora, olha no olho do grupo, mas passa batido.
- Pode soltar a respiração camaradas, os vermes passaram batido. Disse o Mota.
- Caraio, 2 pedrita no pente, ia ficar complicado o desenrolo. Disse o Jean.
- Se eles encontrassem. Disse o Alex.
- Onde estava. Quis saber Jean.
Alex sorriu e tirou as duas pedras da boca, disse que ganhou os polícia vindo e na pura calma, pegou no bolso e colocou na boca: - Era eles gritarem: - Mão na cabeça, e eu engolia.
- Caraio mano, responsa, responsa no baguio.
Chegaram, cansados, pararam numa birosca e compraram uma tubaína no saquinho. Vem num saco plástico e um canudo pra puxar. Compartilharam a bebida, pra molhar as palavras.
- Uma bucha de R$ 20,00. Disse o Mota.
- E aquele dois maluco ali, tão contigo ?
Apontou Alex e Jean na esquina.
- Tão sim, limpeza meu chapa.
- Toma lá e vaza.
- Nóiz chapa, tranquilidade.
- Tranquilidade é uma porra, os verme tão vindo aqui toda hora.
- Na paz, fui.
Alex pergunta: - Qual foi o desenrolo lá com o cara ?
- Foda de vir aqui é isso, os cara são tudo cabreiro, primeiro perguntou de vocês, depois disse que a polícia vem ai direto.
- Quer andar tranquilo arruma um trampo de carteira assinada.
Todos riram da piada do Mota.
Chegando na linha do trem, decidiram que fumariam de vez duas bombas de mesclado, maconha com crack, pra não ter pedra na volta, só o restante da maconha, chegando na rua de casa, fumam um do puro, pra aliviar a nóia do mesclado com o sol na cabeça, que vai dar a maior brisa.
Bolaram e fumaram, cheirão de melado.
Passou três trens no período, passageiros dentro olhavam tristes pra eles, usando droga na linha do trem, uma das composições passou devagar e o back foi maior, como estava acabando, eles sairam andando, matando a ponta.
- Viu o povo do trem, pra eles nós somos bicho.
- Vai ver o filho da tiazinha é o maior nóia e ela preocupada com a gente.
Riram e andaram, a volta foi mais rápida.
Mas, assim que apertaram um do purinho na viela, os homi brotou.
- Mão na cabeça cambada.
Vai os três, mais o Patrick que estava quando eles chagaram, por a mão pra cabeça e a cara pro muro.
- Documento. Quem tem passagem já avisa logo.
- Só assinei um 16 uma vez senhor. Disse o Patrick.
- Mais alguém ?
- Não senhor. Disse o Mota.
- Tão fumando um baseado ou um mescladinho ? Perguntou o PM negro.
Jean que é negro e odeia quando vê um PM negão responde: - Aqui ninguém é viciado nessas porcaria não, geração saúde, só um baseado pra descontar a neorose de ter ido procurar um trampo e não ter encontrado. Ficar na quebrada é sem futuro, em casa é a família falando pra caralho das contas atrasadas, na rua é a polícia o tempo todo.
O outro que voltava com os documentos, ninguém devia nada, disse ouvindo o fim do discurso do Jean: - Tão liberado, vou confiscar o baseado que esse maluco aqui é bem folgado. E deu um tapa no peito do Jean, deixando cair os Rgs no chão.
Assim que a PM saiu, Patrick sacou um mescladinho bolado de dentro da carteira, todos falaram: - Caraio, olha o cara, fomos surpreendidos novamente.
Fumaram e foram pra casa.
- Assistir o Globo Esporte que o Palmeiras ganhou ontem.
- Nem me fala dessa fita. Disse Mota que torce pro rival que perdeu.
- Mais tarde rateio pra gente dar um tiro na farinha, cada um chega com dez. Patrick convocou.
Assim segue a vida, só mais uma terça-feira qualquer na quebrada.
Quando você se desvia do caminho, o caminho se torna outro, muitas vezes, sem volta.


Alessandro Buzo
escritor e cineasta.

terça-feira, 20 de março de 2018

Sarau Suburbano em noite histórica, iniciando as comemorações de 8 anos de atividades, lançamos e livro: Poetas do Sarau Suburbano - Vol 5 com 51 autores.... e ainda apresentamos a Revista Flaneur da Alemanha, tem Sarau Suburbano nela.



Bank´s estará sempre presente e onde o Cérebro estiver, ele será lembrado.



Karoline Barros e os alemães Fabian e Jonannes



Esses ficaram até o final.

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Fotos: Marilda Borges
Produção: Evandro Borges
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Ontem, segunda-feira, 19/03/2018, teve mais uma edição do Sarau Suburbano no Bixiga
Semanal, toda segunda-feira, foi chapa quente, em todos os sentidos. O calor estava insuportável, definitivamente (após 8 anos no local), admitidos que precisamos de um AR CONDICIONADO.
Foi especial por dois motivos.
* Lançamento do livro: Poetas do Sarau Suburbano - Vol 5, Org. Alessandro Buzo, 51 autores, vários deles estiveram presentes.
* Lançamento da Revista Flaneur da Alemanha (em inglês e português), exclusiva sobre a Rua 13 de Maio no Bixiga e com algumas páginas dedicadas ao Sarau Suburbano. Máximo respeito e orgulho, estar numa revista internacional, que fala da nossa rua e nessa rua tem entre outras coisas, NÓS. Obrigado Karoline Barros (produtora em SP) e aos mano da Alemanha que colaram ontem pra apresentar a REVISTA em público, o lançamento será sexta-feura, 18h na Escadaria do Bixiga.
Colou meu mano JOUL do Matéria Rima, com o Nicolas Mc.
O livro que lançamos é dedicado ao Bank´s, nosso amigo que nos deixou e o seu parceiro de caminhada, Cerebro, colou pra representa-lo, ambos estão entre os 51 autores do livro.
Foi lindo ver manos e minas que publicaram pela primeira vez, vendo seu trampo, como o Alex Mauser e a Amanda Gavazzi.
A lista pra participar estava lotada, 41 nomes pra chamar, peço desculpa pra quem não estava mais quando chamamos. Como disse o calor era real, quente, uma sauna.
Foi lindo demais, agradeço a todos que estiveram presentes e todos que não puderam estar, mas estavam em pensamento.
SOMOS SARAU SUBURBANO, 8 anos de resistência.


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Cérebro representando os eternos suspeitos e o Bank´s que é o homenageado da obra. Uma grande perca pra nós (Hip Hop e Literatura Marginal), sempre será lembrado.






Revista Flaneur



Buzo na missão



Pai e filho entre os autores do livro



Alba Atróz e Marcio Costa, estão no livro.



Jeffão e Walter Limonada, estão no livro



Paulo D´Áuria e Cissa Lourenço estão no livro



13 jovens do VOPO estão no livro



Alai e Marco Pezão





Orgulho



Amanda Gavazzi está no livro





Eduardo Neves e Joyce Araujo, do Projeto AMOR de literatura em escola pública





Bonde do Matéria Rima, Nicolas Mc, Joul e esposa, mais jovem alemã que está fazendo intercâmbio no Matéria Rima em Diadema.





Foi intenso











Victor Salgado está no livro








Fanti e WL estão no livro





Felipe Yanez do VOPO



Felipe chamou a família, filha e esposa......



E os professores que colaboram pro VOPO existir, resistir





Daniel Minchoni está no livro





Buzo e Cérebro, máximo respeito



Oliveira está no livro













Alex Mauser



Amanda Gavazzi, primeira vez num livro



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MANAZI de Arujá, venho representar e pegar os livros do Alex Richard de Arujá-SP



Vinicius de Arujá-SP



Jeffão



Guilherme



Gisélia Sá



José Severino Pessoa



Nicanor



Marah Mends

Livraria Suburbano Convicto
Rua 13 de Maio, 70 - 2o andar
Inf: (11) 98429-4452
suburbanoconvicto@hotmail.com
www.sarausuburbano.blogspot.com