domingo, 28 de fevereiro de 2010

NOVO COLUNISTA

Vida e consciência
Por: Francisco Vilmario.

Penso e nada tenho na região que ofusca os pensamentos rápidos e ligeiros
Que driblam meu consciente trazendo a tona o meu subconsciente
Isso pode trazer a dor de viver
Isso pode trazer a vontade de se esconder de todos e da vida
Que gira como os planetas no firmamento
Trazendo a dor ao meu corpo cansado e sofrido por ser maltratado
Pela minha mente insana e sacana
Que a todos os momentos eu tenho que combater
Sem me esquecer que vivemos num mundo lindo cheio de esperança
Como o riso da criança sentada na calçada
Observando o papel que rola pelo chão pela ação do vento
Sem nem imaginar que está brincando é de viver
Vida e consciência

Francisco Vilmario.
contato: franciscovilmario@yahoo.com.br

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ser Mãe

À Fernanda, minha esposa:


Carrega como princesa da nova Era
O risonho bebê que na barriga gera
Sorri elegante no teu novo corpo
Amor gigante é adjetivo pouco

Desfila pelo mundo teu estado de graça
Maria e Madalena no rosto se entrelaçam
Não há textura no sabor de uma champanhe
Que se iguale ao brinde do milagre de Ser Mãe

A beleza mística que te agora atinge
Deixa-te tão bela, tão Deusa, tão Afrodite
Ungindo todos à volta de felicidade divina
Na sagrada espera da tua primeira menina

A vida que surge dentro da vida
A contar os dias para a chegada da saída
Eterno tempo a união permanecerá
Que esse cordão de tão sólido não se rompe.


André Ebner
Livro : "De que lado você está?"
Em Breve.

Contato: andreebnersilva@yahoo.com.br

Site Oficial Alessandro Buzo


www.buzo.com.br

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Criolo Doido no AGORA

Criolo Doido, matéria no Jornal Agora (quinta 25.02.10), quem não leu clica no link abaixo.....

http://www.agora.uol.com.br/show/ult10111u698547.shtml

Blog Buzo Entrevista está de volta

www.buzoentrevista.blogspot.com

Como comecei 2010 fazendo várias entrevistas exclusivas, resolvi retomar o Blog "Buzo Entrevista" que tinha parado na virada de 2009 p/2010, quando meus blogs rumaram do Blogger.com.br .........p/ Blogspot.com
Então, quem ainda não leu, tudo num só lugar agora.
Entrevista com Kamau, Dudu de Morro Agudo, Pathy de Jesus, Dj Cia, Criolo Doido.

Cenas do Cotidiano I

O ônibus

Por Jéssica Balbino*

O penteado que ela fez pela manhã já começa a se desfazer. O terninho usado durante todo o dia também já está suado. Ainda bem que ela não precisa mais levar marmita. Recebeu um aumento e agora, gastando quase todo salário, dá para comer em restaurantes e não precisa mais carregar potes para cima e para baixo e nem sujar a bolsa nova que comprou em 10x no crediário de uma loja de departamentos. É couro mesmo. Todas as meninas do serviço querem ter uma igual. As do bairro também, embora estas, coitadas, não tem a mesma sorte ela.
- As garotas do bairro só pensam em se casar. Ter filhos. Eu quero um marido rico e curtir a vida - pensa.
Reflete sobre isso enquanto entra no ônibus e se senta. Ainda não tem um carro porque o salário é curto, mas pretende financiar um no ano que vem.
O único banco vazio é aquele vermelho, próximo ao cobrador. Ela senta, mas não esquece de dar um sorriso para ele, que faz um gracejo e atrasa a passagem de um estudante pela catraca.
Ele puxa papo e ela responde, mas continua olhando-o com ar de superioridade.
- Jamais vou namorar um cobrador. Com o salário que ganham estão fora dos meus planos. Coitado desse. Pensa que eu estou dando bola para ele. Gosto mesmo é de vê-lo babando em mim - gaba-se.
Tira o celular as bolsa - que está pagando a prestações na mesma loja em que comprou a bolsa - coloca o fone de ouvido e ouve a música sertaneja do momento.
Gosta de mostrar as pessoas do ônibus que tem um celular moderno e bonito.
- Com os salários de fome que ganham e os milhares de filhos que tem para sustentar nunca poderão comprar um como o meu - imagina.
Concentra-se em si mesma e pensa em como poderá convencer o namorado a deixá-la ir no show da dupla que agora soa aos próprios ouvidos.
Ignora a senhora que está em pé, na frente dela, tentando se equilibrar na condução cheia, enquanto carrega sacolas de supermercado, uma bolsa e se preocupa com as feridas cada vez maiores na perna.
Não consegue se ouvir a música toda porque o cobrador volta a conversar. Responde qualquer coisa. Agora quer que ele fique quieto. Ela precisa pensar no que vai dizer ao namorado ou no que pode fazer para que ele não brigue por ela ir ao show e ainda ajude ela a pagar o ingresso.
Quer avaliar as investidas do chefe também.
- Quem sabe não rola um aumento ou uma promoção? - se pergunta.
- Ei moço. Meu troco está errado.
- Como errado? Você me deu R$ 10. Aí está. R$ 8. Vocês não conferem direito e ficam reclamando. Tá pensando o que? Que eu não sei fazer meu serviço, é? - esculacha o trabalhador.
Ele pendura a mochila nas costas e fica quieto. Está cansado da estupidez das pessoas em todo lugar. Com o dinheiro que acaba de faturar com a falta de atenção ao voltar o troco do cobrador poderá comprar biscoitos recheados para as crianças.
Sorri intimamente e acredita que tudo é providência de Deus. Passa o restante do trajeto orando silenciosamente.
O cobrador não lhe dá mais atenção e começa a conversar com a moça.
- Puxa. Seu namorado é um sortudo mesmo hein.
- Pois é. Mas vai perder a sorte se não me deixar ir ao show.
- Por que? Ele não gosta que você saia?
- Não. Ainda mais que vai estar de turno e não vai poder ir comigo.
- Ah. Mas se fosse comigo eu também não ia gostar. Se bem que se eu tivesse uma namorada assim, até perderia o emprego para acompanhá-la ao show. Não pode deixar solta não.
- Pois é. -
Ela quer encurtar o papo. Está cansada e precisa pensar no que fazer para ir ao show. Ele não está ajudando em nada. Fica feliz ao ver que o ônibus parou e mais passageiros estão entrando.
Finge dormir, mas canta baixinho junto com a música.
O cobrador não consegue tirar os olhos dela. Acha que ela tem um cabelo lindo e mesmo despenteado deixa o rosto dela ainda mais desenhado.
Atrasa a catraca para um estudante. Não ajuda uma mãe que está com um bebê no colo e faz cara feia para um gordo que se esforça para girar a roleta.
Imagina o que faria se ela lhe desse bola.
- Uma gostosa dessa sozinha no ônibus esta horal. Ainda bem que ela está sentada, senão esse bando de safado estaria encochando esta delícia - imagina.
Pelo retrovisor o motorista olha para a moça ao mesmo tempo em que pisca para o cobrador.
Se desconcentra e não para para os passageiros que querem desembarcar.
- ô motorista. Vamos descer aqui ! - berra um homem.
- ô motô, tá esquecendo o ponto? - completa uma senhora.
Ele frea bruscamente e finge que é por conta do semáforo. Não abre a porta e esnoba as pessoas que terão que descer quase 1km a frente.
- Bem feito. Esse povo pensa que pode fazer o que quer dentro do ônibus só porque estão pagando. Vão ver só - pensa enquanto toca o veículo adiante.
Quando para, torna a olhar para a boca da moça, que canta baixinho a música que ouve. Imagina o que gostaria de fazer com ela. Fecha a porta antes da hora e prende o braço de uma criança. Não liga para os protestos do pai. Responde aos gritos e arranca novamente.
A senhora que está em pé em frente a moça quase cai. As pernas doem demais e ela já não sabe o que fazer da vida senão enfrentar o dia-a-dia.
Acha o motorista um estúpido mas não pode fazer nada. Se espreme num canto para dar espaço a um senhor que acaba de entrar, escorado numa bengala.
- Não adianta ter acentos reservados. As pessoas não respeitam - diz ele.
O motorista ignora e arranca novamente com o ônibus. Ele quase cai.
A senhora apenas sorri. Ela já se acostumou e não vê a hora de chegar em casa. Torce para dar tempo de chegar antes da chuva, assim vai conseguir subir os móveis e evitar que eles sejam levados com a enchente.
A moça não ouve a observação do idoso. A música está alta demais nos ouvidos e ela ainda não decidiu se deve jantar com o chefe no meio da semana.
- Até que ele não é tão feio. Apesar do mau-hálito, é um coroa ajeitado - considera.
Ao olhar uma moça de saia curta na rua o motorista se desconcentra novamente. Não para no ponto para os passageiros que querem embarcar.
- Gente ignorante. É bom que eles aprendem a dar o sinal antes. Ficam mais espertos - ri junto com o cobrador.
Ninguém tem coragem de ligar na concessionária e reclamar do motorista. Alguns acham que é desnecessário. Que ele pode ter família e ficar desempregado não será bom. Outros acreditam que não tem este direito.
Fica por isso mesmo.
A viagem de quase 40 minutos segue.Uma jovem com um bebê no colo pede para ele parar num trevo distante de qualquer outro ponto. Ela mora na zona rural e ainda terá que andar um bocado. Ele finge que não escuta e segue. Ela implora. Ele diz que não pode desobedecer as regras da empresa. Ela grita e desce do ônibus. Nesta hora começa chover.
A senhora das feridas na pernas perde o apoio ao se lembrar que a casa vai encher de água se ela não chegar a tempo.
O motorista se esquece de todas as regras que infringiu até então e se torna, de uma hora para outra ele passa de funcionário rebelde para puxa-saco do patrão rico e se esquece que é tão escravizado quanto aqueles que ele esculachou somente naquela viagem.
O ônibus chega ao ponto final. A moça dá um sorriso para o cobrador. Continua com o fone nos ouvidos e a música. Não conseguiu pensar em algo para dizer ao namorado, mas tem certeza que vai ao show. Ainda pensa se deve aceitar as investidas do chefe, afinal, poderia conseguir arrancar um carro dele.Não seria tão mal assim. Não agüenta mais usar o ônibus como transporte, mesmo quando consegue se sentar.
No outro dia, antes das 8h ela pega o ônibus novamente.
Não sorri para o cobrador pois está de mau humor.
- Deus me livre deste velho chato - pensa. - Logo cedo e o ônibus já está cheio, com gente pobre e fedorenta - reclama intimamente.
Liga a música do celular, coloca o fone no ouvido, passa a roleta e se senta, novamente no único banco disponível. Desta vez ele é amarelo. O banco também destinado aos idosos, deficientes, obesos e gestantes.
“E daí? Eu também pago para estar aqui. E mais, sou melhor que todos eles. Eu tenho beleza e um chefe que gosta de mim”, pensa.
Esquece que ao voltar já não tem mais penteado bonito e a roupa fede como a de todos. O salário-miséria é quase o mesmo. Os sonhos é que são diferentes.
Parte para mais um dia na senzala moderna assim como todos os 120 ocupantes daquele veículo onde cabem apenas 80.

* Jéssica Balbino – mineira, 24 anos, moradora da periferia de Poços de Caldas, jornalista formada, autora do livro Hip Hop – A Cultura Marginal, integrante do livro Suburbano Convicto – Pelas periferias do Brasil, colunista do site Ciranda Internacional de Informação Independente, e do Literatura Periférica defendendo as causas da cultura hip hop. Voluntária de trabalhos com hip hop na periferia, atualmente atuando como repórter no Jornal Mantiqueira, idealizadora da série de reportagens Ás Margens da Sociedade, com pessoas de muito conteúdo e excluídas do restante da população.
Mantém o blog Cultura Marginal: www.jessicabalbino.blogspot.com

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Festa de Criolo Doido

25/02/2010
Sergio Carvalho
do Agora

Kleber Gomes, conhecido como Criolo Doido, MC à frente da famosa Rinha dos MCs, ganhou fama pela sua presença de palco, com músicas que tratam de assuntos do dia a dia sem o peso tradicional que impera na cena. Seu grande trunfo, a explosão em cima do palco, pode ser conferido ao vivo na festa de lançamento do seu primeiro DVD, "Criolo Live in SP", neste sábado no Hole.
Gravado em 2008, o vídeo tem direção de Viviane Rocha, que conseguiu reunir um coletivo de 20 pessoas para a realização do filme. "Tem tanta gente boa e maravilhosa contribuindo com meu trabalho que, quando acontece algo grandioso assim, quero que essas pessoas fiquem do meu lado", diz.
Unir as pessoas é mesmo uma das marcas de seu trabalho. "Estou nessa história desde 1989, são 20 anos de estrada", conta ele, que já participou de discos de nomes como A Dupla, SNJ e Pacto Latino. Este último foi formado por Criolo em 1999 na sua região, o Grajaú, zona sul de São Paulo. "Tenho saudade desse tempo, o grupo foi o primeiro a falar dos problemas não só do Brasil, mas também da América Latina."
Foi do próprio rapper a escolha de fazer seu primeiro registro em vídeo na Rinha. A razão é simples: lá ele se sente à vontade. "É a minha casa", diz. "Queria deixar registrado isso para quem vive o rap, para quem conhece." O resultado final o surpreendeu: "Quando vi, pensei: 'Meu Deus! É o que eu sou".
Entre as músicas do trabalho estão "Vasilhame" --uma das mais conhecidas--, "Cerol", "Até me Emocionei" e "No Sapatinho". Sua ligação com a poesia urbana não ficou de fora e aparecem no vídeo para recitar poesias nomes como Alessandro Buzo, Akins e Dress. Neste sábado, o rapper leva para o palco não só sua obra, mas também aqueles que de certa forma contribuíram para seu trabalho, como o grupo Pentagono, os DJs Marco e Dan Dan e o MC Funkero, direto do Rio. Criolo acredita que esse lançamento venha para fechar um ciclo na sua vida musical.
Como ator, constrói outra história. Participou dos filmes "Luz nas Trevas -Revolta de Luz Vermelha" (ainda inédito) e "Profissão MC", de Alessandro Buzo. Também está no documentário "Freestyle - um Estilo de Vida", de Pedro Gomes. O músico também pode ser visto no especial "Som Brasil Vinicius de Moraes" --já em DVD-- com Terra Preta e Rael da Rima, "grandes parceiros nessa caminhada", diz. Em meio ao momento de transição, Criolo tem a certeza de que continuará na música, em todas as suas variações, além do rap. Para o show de lançamento, promete toda a energia que tem, além de novas músicas. "Vai ser uma celebração."

Criolo Live in SP Sábado, a partir das 22h. No Hole Club (r. Augusta, 2.203, tel. 0/xx/11 3086-1083). R$ 15.

Feira de Troca de Livros e Gibis acontece neste sábado

Neste sábado (27/02) a Prefeitura de Suzano em parceria com a Associação Cultural Literatura no Brasil, realiza mais um vez na cidade a Feira de Troca de Livros e Gibis que será realizada das 10h às 16h, no hall de entrada do Centro de Educação e Cultura "Francisco Carlos Moriconi" (Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano - SP).
A feira é realizada todo último sábado do mês.
Os interessados podem comparecer no espaço e fazer troca no stand da prefeitura, da associação ou trocar com outros usuários que estiverem no local.
Gêneros como romance, poesia, crônica, cordel e HQ, fazem parte do acervo de troca da feira.
O objetivo é criar um espaço de convivência entre escritores, poetas, colecionadores, educadores e leitores em geral.
A entrada é gratuita e não tem classificação etária.
Outras informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone (11) 4747-4180.

Contatos escritor Sacolinha
(11) 7348-0400
www.sacolagraduado.blogspot.com

Dizendo a Deus

por Crônica Mendes

Nossas casas estão longe de mais,
Das capitais e de alguns de nós.
Nas janelas, gente acenando dizendo adeus,
Outras esperando um amor,
Outras olhando o trem passar.
Umas aguardando a vida melhorar.
Os quintais sem muros nem cercas.
Mas a seca castiga o chão da terra.
Os vestígios estão por toda parte
Hora se faz frio,
Mas a chuva não vem
Noutra faz calor
E o quente fica
Não tem beija-flor
Quase não tem jardins
O que tem, é gente partindo.
E gente plantando.
O que nasce?
Só Deus sabe.
O cheiro mal da cidade grande, não assusta.
A Caatinga do sertão, não inunda
Os belos rostos castigados pelo o sol a sol da lida.
Lembram de como era bom ser criança
E Hoje, estamos longe.
Longe de casa
Dizendo a Deus!

Clipe A Familia - Faça Por Amor

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Entrevista com Bagé (colunista do BLOG) e autor do Pelas Periferias....VOL III

Buzo: Quem é o Bagê ?
Sou cidadão do interior do RS , uma pessoa de bom coração
que veio para a capital e casou com a escritora Mary do Rap
e agora tenta realizar os seus objetivos aqui em Porto Alegre.

O que é literatura pra você ?
A maneira mais eficaz das pessoas reverem as suas ideologias e de adquirir conhecimento.

Porque virou colunista desse blog ?
Por um motivo, pessoas precisam de pessoas e quanto maior for o nosso número, mais facil irão ouvir a nossa voz.

O que você faz no dia a dia ?
Agradeço a Deus e parto para a correria "vendas"

Onde e como você conheceu os livros ?
Na escola mas o interesse veio na adolecência com o livro do Malbah Taham

Indique 3 autores que vc gosta de ler ?
Dante Alighieri, Paulo Coelho e Etich Von Daniken

3 livros ?
A divina comédia , o homem que calculava e Na margem do rio piedra eu sentei e chorei

Fale de onde você mora ?
Aqui é o centro da ZN de Porto Alegre é muito violênto
mas aqui as crianças ainda sonham em ser alguém na vida

O que acha de livros que viram filme ?
Muito bom para os autores e diretores mas eu em particular prefiro os livros.

Um filme ?
A paixão de Cristo

Como foi estar entre os autores do livro "Pelas Periferias do Brasil - VOL III" ?
Um sonho realizado e bem acompanhado de guerreiros e guerreiras que tem compaixão e amor pelo povo da periferia.

Porque o povo brasileiro lê pouco ?
Falta de introdução aos livros na infância

Considerações finais.........
Estou Feliz por fazer parte de uma tribo de pessoas que sonham e vão atraz para realizar e tornar reais os seus objetivos.
Obrigado
Salve irmãos e irmãs suburbanos.

CONTATO: valcy_bage@hotmail.com

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

SPRAY

Por: Manogerman.

Estou
Te
Spray
Menta
Ando
Pelas
Ruas.
Spray
Menta
Ando
Tudo
Pelo
Escuro.
Spray
Menta
Ando
Corro
e
Vou
Spray
Menta
Ando
Os
Muros.
Estou
Spray
Menta
Ando
as
Letras.
Spray
Menta
ando-as
Nos
Muros.

Germano Gonçalves (O urbanista concreto)
escritor.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O dia

Por: Tubarão (Santos-SP)
tubarao013@hotmail.com


No estralar dos dedos
Esfarelam-se segredos
Aqui jaz...
Por má fé ou por medos
Incapaz...
Pose ou empregos
Satisfaz...
Fama ou desejos
Quem dá mais...
Vidas viram brinquedos
Descanse em paz....
Enxurrada de convites e apostas
Fura olho age é pelas costas
Sai da arte minha resposta
Ta com nojo... não encosta
Vem dulixo... mais num é bosta
Serventia da casa...faz favor...é a porta
Respeito é desde berço
A rua é o endereço
Várias almas pelo avesso
Testa a fé...pega o terço
Ser feliz tem seu preço
Rever valores o recomeço
Subo ao pódio se mereço
Amizade a recompensa
Glamour é rango na dispensa
Qual futuro que tu pensa?
Por cobiça...aliança e desavença
Crianças que sofrem...paga a inocência
Pros fracos só resta a covardia
Barriga cheia de cabeça vazia
Balança o rabo igual cachorro em sinal de alegria
Perpetua a espécie...anomalia
Faz de privada e soterra a moradia
Ainda há tempo...é utopia?
Por comodismo um sonho se adia
Feijão não cozinha em banho-maria
Mente sem uso atrofia
Se quer mudar hoje é o dia
O amanhã é ilusório...nunca chega
Se Moscar...já foi...perde a cena
A linguagem lhe parece grega?
Arregala o zóio e espalha nega
O David venceu Golias...deu zebra!

Tubarão
www.dulixo13.blogspot.com

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Buzo 10 Anos - História 10 (ultima da série)

Sabe gente, estar completando 10 anos de carreira, que começou como escritor e na caminhada me tornei apresentador (eventos e TV), além de cineasta (diretor Profissão MC) é gratificante.
Como diz o Brown o CD do KL Jay: - Eu não simpatizo com nada, ou eu amo, ou odeio. Sou asssim, amo o que faço e odeio meu ódio.
Ter realizado o evento Favela Toma Conta 21 vezes, 5 livros e 3 coletâneas organizada, um filme 0800 gravado na favela, ter chego a TV e com tudo isso, não ter treta com ninguém, não ter deixado nenhum rastro nessa caminhada para falarem de mim, nunca um grupo foi no meu evento, pra faltar o combinada, seja cachê ou ajuda de custo. Se era R$ 100,00 tinha R$ 100,00, 500 não é 300. Mil reais são mil reais e não 900, nem 800.
Papo reto não faz curva, por isso que completo 10 anos de carreira, com o nome limpo, na favela e no asfalto.
Fecho essa crônicas especiais dos 10 anos, com esse desabafo, porque de graça, vez ou outra aparece um bico, zé povinho, zé povinhando com meu nome, mas não me abala, porque sou um cara verdadeiro e apesar de parecer amigo de todos, prezo os amigos de verdade, porque camarada tem de monte, conhecido então.......e no meio de tanta gente, sempre tem um que fica com inveja da sua vitória, incrivel, mas tem pessoas que se incomoda com o progresso de quem ele conhece, isso é falta de capacidade para correr atrás de suas proprias vitórias.
Com o papo reto, que jamais faz curva, tenho a consciência que com ze povinho o melhor é ignorar, ou opção 2: - Chamar no rodo.
Mas como sou de paz, geralmente prefiro a primeira opção.
Desculpem o desabafo e vamos ao que interessa, nessa História 10 dos meus 10 anos de carreira, queria falar do futuro, como todos sabem, a Deus pertence, então a ele sempre peço que abençoe e agradeço cada conquista.
Planos 1.000 para 2010 e também, 2011, 2012, 2013............
A curto prazo posso dizer que não sei quantos dos projetos terei folego para realizar, as vezes realizar significa viabilizar financeiramente falando, mas as metas são............lançar 3 livros meu (Dias das Crianças na Periferia, Do Conto à Poesia e Hip Hop - De Dentro do Movimento), relançar 2 livros meu que estão esgotados, O Trem e Suburbano Convicto - O Cotidiano do Itaim Paulista.
Ainda por nas ruas duas coletâneas, Pelas Periferias do Brasil - VOL IV e Mulheres na Escrita.
Ufa !!!! Na literatura é isso que pretendo fazer.
Na TV, voltar firme e forte com o quadro Buzão - Circular Periférico no Programa Manos e Minas da TV Cultura e quem sabe no segundo semestre ou 2011 emplacar o Programa Circular Periférico, estamos finalizando o piloto e entregaremos pra TV Cultura avaliar o potencial, ta ficando simplesmente bem loko, gravado na Vila Brasilândia. O futuro já disse, a Deus pertence.
Quero fazer 2 ou 3 edições do Favela Toma Conta no meu Itaim Paulista, minha quebrada. Além de emplacar alguma edição em outra cidade ou estado.
Filmar no segundo semestre, meu segundo filme, titulo provisório O PLANO, gravado no Itaim Paulista e Cambury. Parceria vitoriosa com Toni Nogueira, grande amigo.
Fazer virar financeiramente o projeto da Livraria Suburbano Convicto no Bixiga, depois de 3 anos remando contra a maré no Itaim Pta. Tornar o local um point da literatura marginal e do Hip Hop.
Continuar em lua de mel com minha nega Marilda Borges, setembro são 12 anos de casamento.
Continuar sendo um pai presente, apesar de tantas atividade, seguir educando minha maior obra..........Evandro Borges.
Então é isso, o futuro a Deus pertence, o que vai dar tudo isso lá na frente, daqui 10, 20 anos................não sei, mas a curto prazo são essas coisas que pretendo realizar.
Pra finalizar, agradeço ao Site Jornalirismo e Enraizados, por terem publicado as 10 crônicas da minha carreira.
Me emociono de verdade com as palavras que recebo dos fãs e amigos nas ruas e nos emails, gente que acompanha meus corres, gente que identifica e me chamam de referência, não mereço mais agradeço.
Agradeço a Deus, sem ele nada seria possível e a minha família por aguentar minhas loucuras.

Alessandro Buzo
www.buzo10.blogspot.com
alessandrobuzo@terra.com.br



LEIA AS OUTRAS CRÔNICAS DOS 10 ANOS
www.jornalirismo.com.br
www.enraizados.com.br

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Voltamos !!!!!

Uma livraria especializada em periferia.



Clique na imagem para ampliar...

A Ira

por Crônica Mendes

Minha revolta
É com você
Que se esconde do compromisso da luta
Fingindo não ser sua.
Na corrida, as pernas finas
Para dentro de casa
Feche as portas
E saiba:
Você não está a salvo

Contato: cronicamendes@afamiliarap.com.br

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sarau Palmarino convida....

Amigas e amigos,
No próximo dia 27 de fevereiro, sábado, a partir das 19h, realizaremos o 1º Sarau Palmarino do ano!!!
O último ano foi muito importante para consolidar a nossa atividade e agradecemos todos, poetas, músicos, dançarinos e comunidade que ajudaram a engrossar esse caldo e contamos com a presença de todos ao longo deste ano!

Contamos com a presença de todos

O que? Sarau Palmarino – 1º do ano !!!
Quando? 27 de fevereiro, sábado – a partir das 19h
Onde? Sede Nacional do Círculo Palmarino
Endereço: Rua Campos Sales , 12 – Jardim Presidente Kennedy – Embu das Artes – SP
(próximo a Escola Municipal Paulo Freire)


Informações:
(11) 9840-7244 (11) 9840-7244 Juninho / (11) 7656- 8193 Rodrigo
e-mail: circulopalmarinoembu@yahoo.com.br

Saudações Palmarinas
Círculo Palmarino Embu
www.circulopalmarino.org.br

Fim de um sonho - 3 anos depois......início de uma nova fase !!!

Fechamento nessa terça (16.02.2010) da Loja Suburbano Convicto no Itaim Paulista.
Infelismente não da mais para seguir com a LOJA 1 da Suburbano.....abaixo alguns motivos.

* Em 2009 ficamos 11 mesês no negativo
* Fim ou paralização de algumas remunerações do escritor Alessandro Buzo, ganhando de outro lado que mantia a Loja mesmo no vermelho.
* Vendas quase "zero" em janeiro e início de fevereiro
* Saida do Da Antiga (que voltou pro seu trampo numa escola), sem pique pra arrumar novo funcionário e sem dinheiro também.
* Aluguel ponto, aluguel maquininhas de crédito, luz, agua, contador, funcionário, impostos.
* Mudamos o foco e abrimos a Livraria do Bixiga, hora de centralizar forças e fazer virar financeiramente (aluguel no Bixiga é + pesado).

Tudo isso junto, motivou o fim da Loja Suburbano Convicto no Itaim Paulista, daqui um mês completariamos 3 anos, remando contra a maré.
Mais iníciamos um novo ciclo na região central de São Paulo, contamos com todos para fazer acontecer esse novo projeto.


LIVRARIA SUBURBANO CONVICTO
Especializada em Literatura Marginal
Rua 13 de Maio, 70 - Bixiga
São Paulo SP CEP: 01327-000
(11) 2569-9151
suburbanoconvicto@hotmail.com
www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com
* Aceitamos Visa e Master

Abriremos hoje (quarta, 17;02.10) das 10h30 às 19h
Trabalhamos com LIVROS, cds, dvds, roupas "Suburbano Convicto" e Conduta, Audio Book, Assessórios de Hip Hop, bomboniere.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

IGUALDADE SOCIAL. CADÊ!

Por: Manogerman ©

Não podia
Ser peão
Não vim do sertão
Assim como meus irmãos.
Nasci na cidade grande
Não me davam oportunidade.
Na cidade grande não tinha, nada.
Nada de maldade.
Era pura realidade
Inocente e com
Pouca idade
Tinha que matutar
Para minha família ajudar
Sem tempo pra estudar, fui andar.
Pobre meu pai
Mal podia nos alimentar.
Aí tive que a lida encarar
Os homens lá da indústria
Diziam que não podia ser operário
Acabei virando bancário.
Roupa ajeitadinha
E cara de otário
Era numa prensa
Que se tirava o salário
O patrão não entendia
Que o que queria
Era uma linha, lixar lata até que brilha.
Quando conquistava emprego
Na linha de montagem
Queriam que fosse pelego
Insinuavam que não tinha esse preceito.
Não, não os homens.
Não entendiam.
Só porque sou de cor, magro e feio.
E me perguntavam:
Nasceu na Bahia?
Não, em uma
Metrópole
Grande, bem grande
Maior que uma ilha.
Perguntavam-me:
Veio-se, do nordeste?
Se eu era cabra da peste.
Não vivo na zona leste.
Só eles padeceram no sertão.
Também passamos
Por tempos de servidão.
Não podemos ter
Discriminação
Todos nós sofremos
Com a escravidão.
Fiquei sozinho no mundo
Meus irmãos não deram bons frutos.
E Deus levou o meu melhor produto
Querida mãe que me pôs no mundo
Vivendo apertado
Fico aporrinhado
ó porque não sou doutorado
E nem fui operário
Não poderia transformar
A não aceitação de peão
Num ato de aversão
E sim, seguir em frente.
Hoje quarenta anos de periferia.
Não era o que queria
O que queria mesmo
Era me mandar.
Pra onde se todos vem pra cá.
Aqui é meu lugar, é nosso lugar
Metrópole grande.
Todos podem se apaziguar.
Só queremos igualdade social.

Germano Gonçalves (O urbanista concreto).
escritor.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A audácia caminha à noite

Por jonilson nobre montalvão

Caminho pelas ruas festivas; festivo também estou. O ambiente entoa toda a algazarra mística da noite: a música é percussiva e recheada de cordas e sopros e açucaradas vozes embriagadas de prazeres alcoólicos.
Nada esta mal, nem a dor antagônica da existência, nem os caprichos que a vida revela. Estou contemplativo em busca de doses mais fortes para a cabeça. Por toda a rua a festa é repleta de fortes ondas sonoras. Mulheres e homens desfilam suas exuberâncias físicas; Meu único soberbo trabalho é olhar; aprecio a noite, a bebida, o sexo, a música e tudo o que mais me deixa em sintonia com o lugar.
Nesses dias fico à mercê de ocasiões, digamos divinas... A beleza em tudo é um olhar mais desvairado; um pacote de drogas acompanhado de sexo ao som de um tamborim e uma cuíca. Fios de náilons para reticular a moral reprimida.
Mas nessa noite Luis Melodia dá a nota fatal que atravessa as paredes de qualquer quarto sujo onde pago favores para obter coisas que me enchem a vida. Depois desço as escadas numa escuridão pavorosa. Alguns sorrisos estampam as resistências dos fregueses.
Lá fora tudo é convidativo: os rebolados, as simetrias, os resvalares de peles... continuo na noite santa; fumaças invadem pulmões e mente ao som de cavacos e pandeiros. São ocasiões para se pensar em dançar. É o que faço.
Duas garotas estão se amando loucamente. Não consigo desviar o olhar. Elas nem me notam e a vida continua. Percorro tudo, andando e olhando e ouvindo o sacudido do som: é batuque é baque é nervo é aço é balanço... nunca estive assim. São tantas as nevralgias, são tantos caos, mas tudo é sinfonia, aqui tudo é rufar, é tambor. Vou bebericando copos que me chegam às mãos, repassando toques, burlando locais sacros, referindo na mente difanidades; silêncio profano.
Sou eu que ao afro sabor da euforia resgato o sabor da vivência, manual de orgias; rufar o tambor da morte. Vem cá, rasga o cavaco deixa de lado o sufoco no pé da mulher, pele lisa pés descalço a sacolejar; eu ando, eu danço. Semba. Grito da fé num país de festas. País das contradições; o futuro que nunca chega e quando chega passa tão rápido quanto esses dias pagãos. Hoje é futuro na nação que sacoleja com sons guturais. A carne elevada à divindade. Cristãos rebolam também. Santos com tez escura anarquizam o reino e dizem amém.

Dica do Sérgio Vaz

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Televisão

Por Elias / Mancha
Rádio Filo - Ermelino Matarazzo

TELEVISÃO ILUSÃO TUDO IGUAL, FAZ VOCÊ GASTAR O SEU DINHEIRO NO CARNAVAL...
MV Bill

To indignado com o mundo, principalmente com os poetas, escritores, rappers, o Hip Hop, pessoas que eu admiro que não dão o melhor exemplo para ao jovens, e crianças que ainda está conhecendo o mundo. E ainda mais essa época do ano do carnaval que para mim é uma porcaria. As pessoas se prostituem mais, embreagam-se mais, uasm mais drogas. E ainda o repórter do SPTV numa reportagem, diz que fulana não sei de que escola , desfila com a mão segurando aquele negocinnnnnnho que elas acham que tampa a vagina, para não ficar nua. Para com isso, a mulher já tava nua, com os peitos tudo aparecendo, se vulgarizando, sem nenhum pingo de vergonha na cara, e as pessoas dizem que não tem problema, é carnaval. Pelo amor de Deus. Hoje as mulheres desfilam nas ruas, nas passarelas , na TV com 70% do corpo nu, e acham que a beleza dá mulher tá na bunda grande, seios turbinados. Mulheres que não se respeitam, e não dão valor para a beleza interior. Dão valor para a beleza externa, se maquiando, se vulgarizando, perderam a noção do que é ser mulher . Cadê os pontos de vista das mulheres na TV?
Nos programas de auditório?
Mais o que tem é bunda e seios no faustão , no gugu, no Pânico na TV, no Raul Gil, no BBB, nas novelas. È o que dá audiência não é?
Infelizmente muitas sujeitam – se a ficarem peladas nos programas, nas novelas, no BBB, simplesmente por FAMA, dinheiro e status sem glória.
E a salvação?
Mais escrito, a profecia está se cumprindo, e muitos que estão nas portas largas não iram se salvar,
Mais aqueles que entrarem pela porta estreita, terá o direito de comer da árvore da vida.
“A luta não é contra o sangue, e nem contra a carne,
Mais contra os principados e potestades.”
Que Deus seja louvado!

Elias / Mancha – Rádio Filó
ribeiro_elias10@hotmail.com

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tempos Modernos

Por Tubarão
www.dulixo13.blogspot.com

Escritas dos tempos modernos...
relatam verões que viraram invernos...
foices e martelos...
romanos de hoje vestem ternos...
manchando de vermelho o verde e amarelo..
castas que impedem a evolução...
põe na masmorra uma nação...
desde sua fundação...
corra ou morra por inanição...
de amor...respeito e atenção
felicidade tá no prêmio de 1 milhão
chapéu atolado tirou-lhe a visão
Na morte e porque não na vida??...
todos somos iguais
Caranguejo é que anda pra atrás
Meu sonho de consumo é a paz
Se a arte imitar a vida
A poesia fica acida e o quadro cinza
Marcha funebre pro palhaço ranzinza
Ciclo vicioso…efeito contagioso
Meia e cueca faz a vez de bolso
Relaxei mais não cheguei ao gozo
No espelho vi a cara do bozo
É oito ou oitenta
Frases otimistas estampam camisetas
Soldados do bem portam escopeta
Pro olho alheio colirio de pimenta
Lagrimas porque o filme é triste
Passarinho na gaiola tem que cantar
por água e alpiste
O coração é duro…resiste
A fe tá de muleta…mais persiste
O sangue é caiçara…acredite
Pros pé de breque
Meu dedo médio em riste!

Jornal Boletim do Kaos chega ao fim (mas pode voltar...)


Kaos (nov/09)

Foram 9 edições, de abril à dezembro de 2009, com um conteúdo elogiado pelo público e critica.
Com certeza fizemos a nossa parte, eu (Buzo) e o Alexandre de Maio, editores do Jornal Boletim do Kaos que temporariamente sai de circulação.
Não renovamos o apoio de gráfica e custos com o atual patrocinador e sem isso é impossível circular (10 mil exemplares por mês, gratís).
Nunca rolou muito o lado comercial, foram poucos anuncios pagos e com eles é impossível manter o jornal nas ruas.
Vamos começar a procurar um novo parceiro para bancar a gráfica e custos, anunciamos se tiver alguma novidade.
Também tem o VAI da PMSP, inscrevemos o jornal lá e se aprovado, serão 6 edições com 5 mil exemplares, resposta no final de março.

A vida segue e o futuro a Deus pertence..........

Alessandro Buzo e Alexandre de Maio
editores do Boletim do Kaos
www.boletimdokaos.blogspot.com
boletimdokaos@hotmail.com


Outubro de 2009


dezembro de 2009

* Temos essas 3 ultimas edições, disponível na.........
Livraria Suburbano Convicto
Rua 13 de Maio, 70 - 2o andar (11) 2569-9151
suburbanoconvicto@hotmail.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

metropole

Por ruas e vielas cresci, na selva de pedras sobrevivi, com a vida aprendi, com a literatura não me alienei, com a cultura voei, esse sou EU

Alessandro Buzo
www.buzo10.blogspot.com

São Lourenço proíbe rap e funk no Carnaval

Decisão da Prefeitura foi tomada em conjunto com representantes da Segurança
por Jéssica Balbino

“Que tempo bom, que não volta nunca mais (...)”, esse pequeno refrão é parte de uma música do Thaíde e DJ Hum. Para quem não sabe, a dupla ficou famosa nos anos 80 por lançarem o Rap – ritmo e poesia – no Brasil. Saudade do tempo em que a ditadura ia por água abaixo, junto com a censura e era possível cantar os protestos e pregar a paz, o amor, a união e a diversão, incentivadas por Afrika Bambaataa, pai da cultura hip hop.Entretanto, não é de hoje que a cultura feita nas ruas vem sendo depreciada e barrada em eventos, como aconteceu na Virada Cultural em 2008 quando o palco do “Baile Chique” foi colocado a quilômetros de distância das demais atividades e policiais, com a agressividade costumeira, revistavam os adeptos da cultura, tratando-os como bandidos. A novidade fica por conta da decisão tomada pela prefeitura de São Lourenço, que proibiu, através de um decreto o rap e o funk no Carnaval. Se eu quiser estar na cidade e dançar ao som de James Brown ou do rei do pop Michael Jackson não vou poder?! Ah ...porque eles fazem funk. Quer dizer que eu, como jornalista e muitos de nós, escritores da nova geração contemporânea e referência nacional somos pessoas que incitamos a violência o desrespeito à autoridade?Será mesmo? Porque sou adepta do hip hop e por conseguinte do rap ! Adoro o ritmo e as letras nacionais. De Racionais MC´s ao novo Emicida, passando por raps regionais como o do grupo UClanos e do Elemento.S da capital mineira. Voltamos ao tempo da ditadura, da censura. Proibir determinado estilo porque querem resgatar o axé e as marcinhas?Não estou dizendo que uma música é melhor do que a outra, mas o decreto (absurdo) dita regras para a festa popular. Se é popular é feita pelo povo. Isso está claro e não deve ter restrições quanto ao estilo musical ou manifestação cultural. Sim, porque o funk, seja o antigo ou o carioca, gostem ou não, são manifestações culturais. Crime ou cultura? O som dá medo...e prazer ! E isso está presente em teses de doutores, em livros de escritores urbanos e contemporâneos e sendo ensinado nas escolas, quer queiram, quer não. Além da execução pública do rap e do funk pelos grupos que participam do Carnaval o decreto proíbe os estilos até mesmo em carros particulares que circulem pela área onde ocorre o Carnaval.Aaaah, dá licença. Não vou a São Lourenço, mas se vivesse na cidade, escutaria o que quisesse no carro, seja onde fosse. O carro é meu, o som também. O gosto então, nem entro nesse mérito. Qualquer pessoa tem o direito de ir e vir. Mais ainda de ouvir o que quiser onde quiser. Faça-me o favor. É Carnaval. É festa popular. É manifestação. Aliás, a maior do país. Como assim eu não posso ouvir e dançar ao som do rap e do funk?! A notícia diz mais, que a decisão foi tomada pela Prefeitura em conjunto com o juiz do Juizado Especial, Ronaldo Ribas (parabéns, magistrado), representantes da Polícia Militar e do setor de turismo da cidade. Segundo a notícia, a proibição tenta preservar uma festa baseada em seus ritmos originais. Não por nada, mas o funk já se tornou um ritmo original no Brasil. O rap, a mesma coisa. Por que proibir? Por que incomoda tanto?Uma cidadezinha do interior mineiro pode calar alguns gatos pingados que vão para a estância curtir o Carnaval, mas não consegue calar o grito de protesto que emana dos becos, guetos e vielas de todo país, seja por meio da oralidade do rap, das batidas do funk ou da literatura marginal, que se utiliza destas e de outras armas, dadas por esta mesma comissão de segurança carnavalesca, para guerrear contra a humilhação, a repressão e a censura. Conseguem calar, mesmo que brevemente, algumas pessoas em seus carros e em seus blocos de Carnaval, mas não vão parar a nossa mídia, o jornalismo e tampouco a literatura. Pensaram que não sabíamos ler e estamos escrevendo livros. Tomem conhecimento disso, elite. Escrevemos sobre rap, escrevemos sobre funk, nossa cultura o hip hop. Somos marginalizados mas não nos tornamos marginais. Temos sim, direito de trabalhar e exercer nossas profissões e ainda mais, de termos o que os outros estilos musicais têm. Temos o DIREITO de cantar a nossa música. No mais, acho que todos queremos é a Paz.

Jéssica Balbino – mineira, 24 anos, moradora da periferia de Poços de Caldas, jornalista formada, autora do livro Hip Hop – A Cultura Marginal, integrante do livro Suburbano Convicto – Pelas periferias do Brasil, colunista do site Ciranda Internacional de Informação Independente, e do Literatura Periférica defendendo as causas da cultura hip hop. (leia-se rap e funk neste contexto)Voluntária de trabalhos com hip hop na periferia, atualmente atuando como repórter no Jornal Mantiqueira, idealizadora da série de reportagens Ás Margens da Sociedade, com pessoas de muito conteúdo e excluídas do restante da população.
Mantém o blog Cultura Marginal: www.jessicabalbino.blogspot.com

jessica@mantiqueira.inf.br

10 perguntas para a atriz Phaty de Jesus

Com exclusividade pra o Blog "Suburbano Convicto".....
Por Alessandro Buzo.
Fotos: divulgação


Atriz e DJ Pathy de Jesus

Ela está no elenco da novela "Uma Rosa Com Amor" que estréia em março no SBT, nesta entrevista sincera e franca, ela fala de trabalho e da vida, com vcs....Pathy de Jesus.

Primeiro lugar, nos fale da nova novela, o que tem a dizer sobre ela ?
Essa novela será maravilhosa e vai dar o que falar!!! rsrsrs. UMA ROSA COM AMOR, de Tiago Santiago. Comédia romântica, ela é um remake da versão original de Vicente Sesso que foi ao ar em 1972!!! Isso significa mais um compromisso. Alguns amigos dizem: minha mãe tá louca pra ver, pra relembrar, vê lá como vocês vão fazer, hein! Ela também é um divisor de águas na minha vida, o convite pra fazer parte do elenco (que aliás é sensacional), veio como resposta num momento em que eu era pura dúvida. E minha personagem, a Alabá é tão linda... Acho que vem mais um sucesso por aí!

Como chegou a TV, primeiras oportunidades ?
Estudando. E muito. Como eu repito sempre, primeiro FAÇO depois FALO. Quando cheguei a minha primeira novela (Caminhos do Coração), as pessoas ficaram surpresas. Já estava estudando há um bom tempo. Fiz o teste pra novela e passei. Tive o privilégio de interpretar a Perpétua, a mulher-elétrica, que logo de cara virou sucesso nacional, principalmente entre as crianças.

O que mais te marcou nesses trabalhos e amigos que fez ?
Tive o privilégio de interpretar a Perpétua, a mulher-elétrica, que logo de cara virou sucesso nacional, principalmente entre as crianças. Ter seu trabalho reconhecido é gratificante, já sentia o feedback como modelo. Mas na TV, parece que tudo que você faz é ampliado infinitamente. Além disso, fui escalada para as 3 sequencias do trabalho do Tiago Santiago (autor): Caminhos do Coração, Mutantes e Promessas de Amor. Estrear na TV fazendo 3 obras seguidas não é pra qualquer um, rsrsrsrs.
Amigos fiz muitos. Diferente do que se pensa, existem muitos atores generosos em cena. O Fernando Pavão, meu par romântico em boa parte da obra, é uma pessoa com lugar garantido no meu coração. Profissional excepcional, talentosíssimo e querido demais. Aprendi muito com ele, e sou grata. Bianca Rinaldi, Antonio e Rocco Pitanga, Ligia Fagundes, Jorge Pontual, Karen Junqueira, Zé Dumont, Felipe Folgosi... o ruim de citar nomes é que você sempre esquece alguém. Mas enfim, foi ótimo contracenar com esses talentos, aprender na prática e ainda carregar maior parte deles na minha vida!

De onde você é e onde mora ?
Sao Paulo e tenho tanto orgulho disso!!!! ZN pra ser mais exata. Moro na ponte aerea, rsrsrs.

Ser muito bonita ajuda ou atrapalha ?
Isso é um elogio??? rsrsrsrs. Falando sério agora, sempre batalhei pela minha independência. Trabalho sério desde os 13 anos e aprendi com o meu pai que, sendo mulher e negra, você tem que trabalhar muito mais pra ser reconhecida. De onde eu venho, nada nunca foi fácil. A boa notícia??? Adoro ser desafiada.

Quem é a Pathy de Jesus no dia a dia ?
Afffffff... não sei, rsrsrs. Posso tentar falar da Patrícia... Hoje em dia sou uma pessoa centrada, que tem o privilégio de trabalhar com o que ama, que adora música, correr, comer bem e dar risada! Que trabalha demais e sem preguiça, que não tem medo de desafios. Que vive a vida a cada segundo, porque aprendeu na dor que ela é curta demais pra se perder tempo com bobagens.

O que gosta de ler, indique um livro ?
O último livro que comprei e estou devorando: Precious, de Sapphire. Conta a história de Claireece Precious Jones, uma jovem negra semi-analfabeta do Harlem... Pesado. Se for fraco, não leia. Este Best Seller ganhou vários prêmios e deu origem ao longa Precious, produzido pela Oprah Winfrey. (sinto cheiro de Oscar por aí...)

Cinema, tem planos ?
Acho que todo ator tem planos de fazer cinema. Estou começando minha carreira, tenho muita coisa pra fazer, pra aprender, pra experimentar. Testes e testes... Vamos esperar.


Uma lembrança que deve ser dificio de falar, mas o que pode nos dizer do DJ Primo, que deixou tantos amigos que gostavam dele ?
Digo que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Que me transformou no ser humano que sou hoje, me ensinando a ser mais tolerante, paciente e perseverante. Agradeço a Deus por isso. Meu melhor amigo, era muito divertido fazer qualquer coisa com ele. Um gênio. Tinha tanto talento que não cabia dentro dele. Só de observa-lo trabalhando, dava inspiração, vontade de buscar minha meta, me jogar... Que a memória dele esteja sempre viva e de forma positiva dentro de cada um que teve o privilégio de conhecer meu anjo negro de calças largas e tênis colorido.
PR!MO VIVE! PR!MO É LUZ!

Considerações finais e metas para 2010 ?
Começo agradecendo o espaço, é sempre muito bom poder falar um pouco do trabalho, da vida... A princípio, decorar textos e textos, gravar, gravar, gravar e discotecar sempre que possível, porque sem isso eu fico mal!!! rsrsrs... Espero que todos gostem do próximo trabalho. Como sou adepta do FAÇO, DEPOIS FALO... Boas coisas estão por acontecer. Vamos aguardar...
Ah, e assistam Uma Rosa Com Amor, estréia prevista para começo de março!


Pathy de Jesus



elenco da novela

A COISA, DE TODAS AS COISAS.

Por: Manogerman. ©

É preciso fazer as coisas para que não nos tornemos uma coisa.
Fazer coisas, escrever, ler, participar, ter, construir, sentir, gostar e viver coisas.
Ser um doutor, padre, pastor ou policial, ser um estudante ou um simples amante, um pequeno ou grande inventor, um advogado ou assalariado.
Ser um bom marido ou um bandido.
Banqueiro ou bancário, bancar o otário.
Ser patrão ou empregado ou um tremendo cachorrão.
Andar na contra mão dizer sim ou não.
Freqüentar bares e botequins, templos e igrejas, tomar muitas cervejas.
Pular carnaval, jogar futebol e participar de bacanal, jogar batalha naval e pular quintais.
Roubar mangas nos terrenos urbanos.
Soltar pipas nas avenidas, jogar pião no chão, bolinhas de gude nas esquinas e brincar com as meninas.
Cria um gato ou cachorro, engaiola um passarinho, quebrar vidros dos vizinhos.
Fazer um belo casamento ou casar por sacramento.
Participar das coisas que a vida oferece ter sucesso sendo motorista de expresso ou lotação, pilotar avião, ser o capitão.
Ser um homem de bem batizar alguém ser padrinho de outrem.
Comer o bolo do vizinho, cantar parabéns para os meninos.
Fazer coisas feias ou bonitas faça coisas esquisitas.
Faça coisas e deixem que falem das coisas.
Faço coisa, más e boas, mas faço alguma coisa.
Ter dinheiro no banco, carro na garagem, casa para morar e lugar onde possa se chatear.
Posso descansar e me deitar.
Mas meu travesseiro não me deixa dormir.
E das coisas do mundo tenho que rir.
Sonhos e pesadelos de uma noite inteira pensando que esta a beira de um abismo.
Mas um novo dia vai ter que ser vivido.
Viver com felicidades ou com bobagens.
Correr, correr e não fazer coisa alguma.
Não viu a coisa, chegar, parar ou partir.
Se correr a coisa pega se ficar à coisa come.
Não queres transformar em uma coisa, mas quando menos espera está sentada em um banco de uma praça qualquer em volta de uma mesa de cimento junto com outras coisas jogando fora pensamentos ou cartas fora do baralho.
Queira as coisas faça coisas, pois poderá ser tarde e você vai se tornar uma coisa.
Vai ficar parado perto de um espelho, observar que o cabelo caiu, os dentes sumiu, o rosto enrugou, as gorduras murcharam as pelancas apareceram à coisa chegou e você se perguntou:
Que coisa!

Germano Gonçalves (O urbanista concreto)
escritor.
Contato: ggarrudas@hotmail.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Periferia adentro

por Jéssica Balbino


Quarta-feira, uma hora da tarde. O trem pára. Estação Jaraguá, zona oeste, São Paulo, capital. Para sair do trem é um sofrimento já que ele está parado muito longe da plataforma e é preciso pular. É mês de julho, inverno. Mas o sol está muito quente. Passa dos 30° C. É preciso caminhar um quarteirão e tomar um ônibus para a Praça Panamericana.Uma praça bonita, porém, sem muito verde. Tem uma pista de skate toda graffitada, denunciando a presença do hip hop por ali.Em frente ao supermercado Panamericano também há vários muros e fachadas de estabelecimentos comerciais exibindo seus graffites. Subindo uma ladeira íngreme dá pra entrar numa viela, cheia de casas próximas. É uma quase-favela. O real retrato do gueto, da periferia. Aliás, estas são as palavras que mais aparecem na literatura ou em qualquer coisa relacionada ao hip hop e são quase endeusadas pelos autores e ativistas.Mas o gueto é ali mesmo, naquelas casas, com seus “muros” de madeira pichados e graffitados, com seus aparelhos de som “top de linha”, contrastando com a pobreza do lugar, e tocando rap no último volume. O rap é a trilha sonora deste pessoal, que encontra nas letras de protesto uma forma de gritar para o mundo, de chamar atenção da sociedade para seus problemas cotidianos. É nesta poesia urbana que eles encontram uma forma de extravasar tudo que lhes oprime.Saindo desta rua, uma escadaria enorme tem de ser enfrentada e os moradores locais reclamam diariamente deste percurso. No topo do morro tem um portão branco e, descendo vários degraus, está à casa de Pow, 28 anos, integrante de um grupo famoso na cena do hip hop paulistano.Ele anda o mais rápido que pode, vai se encontrar com o MC Eduardo, do grupo de rap e vão compor alguns sons para tocar no próximo baile da quebrada. Numa das vielas o cheiro de sangue fresco ainda é forte. São os vestígios de mais uma morte ‘da noite de ontem’. “- Aqui não era para ser um campo de futebol?” perguntam alguns garotos ao se depararem com mais um corpo num dos inúmeros cemitérios clandestinos no meio daquela favela. Pow não liga para os comentários “é só mais um corpo”, pensa. Ele já está acostumado com a cena. “Corpo jogado na vala da periferia é o mesmo que moleque batendo bola no campinho. Faz parte do dia-a-dia”, corre e volta a pensar na letra que está compondo. “Falta alimento em nossas mesas e o país é culpado”, cantarola baixinho. A céu aberto estão covas e corpos, sangue fresco de quem morreu há pouco, e é enterrado ali mesmo, como indigente, com a mãe chorando ao lado. Lágrimas desesperadas, de quem já sabia o futuro do filho.A indiferença está em quem passa. Pode ser conhecido ou não o corpo de quem está numa das valas. Não vale a pena. A bola batendo entre os corpos transforma as covas em mais um campinho de futebol, entre os muitos já existentes nas periferias. Nos jornais, na banca em frente a Praça Panamericana estão os jornais do dia, com manchetes como “Integrante de grupo de rap é morto após confronto com traficantes” ; “Bandido é alvejado no Panamericano” e “Jovem rapper é morto por envolvimento com tráfico”. As fotos, ainda piores que as manchetes, trazem fotos do corpo do jovem em meio às valas e a mãe, chorando ao lado. O menino que queria o campo de futebol prometido sonha a noite, com uma bola nova, um par de chuteiras, e um campo igual ao que ele vê na TV. Mas ele vai ter que esperar, crescer para poder virar ladrão, traficante e respeitado no morro, aí vai poder comprar tudo isso, se ele não morrer e cair na cova de mais um cemitério que poderia virar quadra esportiva.Após enfrentar o morro e chegar em casa, Pow desembrulha a carne que comprou e no jornal vê o corpo do MC Eduardo. O grito em forma de rap ecoa por todas as vielas e chega ao ouvido dos mais desatentos “Falta alimento em nossas mesas e o país é culpado”.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

10 perguntas para Dudu de Morro Agudo


Dudu de Morro Agudo



DMA e Edy Rock no FSM 2010


Quem é o DMA, no dia a dia
Sou um cara que sonha 24h por dia. Gosto de trabalhar, namorar, ver filmes, ler livros e beber cerveja.


Fale sobre o Movimento Enraizados, que vc dirige na Baixada Fluminense
O Movimento Enraizados é uma rede de ajuda mútua que está presente com artistas nos 27 estados do Brasil e em 12 países. A gente tem um trabalho de formação de novos grupos organizados. Trabalhamos com hip hop como base, mas usamos como ferramenta o audiovisual, teatro, literatura, o cyberativismo e a comunicação alternativa para praticar a exigibilidade de direitos.
Alguns nos chamam de bairristas, outros nos chamam de provincianos, pois como você mesmo diz, temos que "mudar a realidade da periferia" e "não mudar da periferia", por isso em Morro Agudo, na Baixada Fluminense, temos dois Espaços de Referência e um deles com Estúdio, Lan House, Biblioteca, Loja, Lanchonete, Som, Palco, Iluminação, isto é, tudo o que a gente precisa pra fazer o nosso trabalho de maneira independente. O Movimento Enraizados é como uma flor de lotus, que nasce com as raízes na lama, no lodo, mas consegue emergire acaba superando todas as dificuldades.

E o livro sobre o Enraizados que vc está escrevendo para sair pela Coleção Tramas Urbanos da Aeroplano Editora
A Heloisa Buarque de Holanda me convidou a escrever um livro contando a história do Movimento Enraizados assim que eu cheguei da França no ano passado. Achei a idéia boa pro momento, então comecei a escrever levando em consideração alguns aspectos que considero importante. Claro que o livro sai sobre a minha ótica, as minhas vivências dentro da organização e dou um enfoque maior a partir de 2005, quando o Dumontt entrou pro Enraizados e as coisas começaram a acontecer mais efetivamente. Mas o livro tem histórias bem legais e descontraídas também, acho que vão gostar.


A coletânea Pelas Periferias do Brasil foi a abertura de espaço no meio literário, como foi participar
Considero a participação no projeto importante por poder expor minhas idéias de uma maneira até então diferente pra mim, participar do livro ao lado de nomes como Renan, Alessandro Buzo, GOG entre outros foi uma honra pra mim e espero participar em novas edições da coletânea.


Fale do seu disco, Rolo Compressor
Rolo Compressor é o meu primeiro disco solo.
Um trabalho que ganhou uma projeção que - apesar de eu trabalhar muito pra isso - me surpreendeu e me surpreende a cada dia. Lancei o disco em quatro cidades da França - Paris, Nancy, Medon e Blanc Mesnil - e em Santiago, no Chile. Vamos ter que fazer mais cinco mil cópias porque o disco esgotou nos estoques e nas lojas e os pedidos não param de chegar. No próximo dia 28 de fevereiro vou fazer um show no 4º Festival do Cerrado (http://www.hiphopdocerrado.com.br), no DF, a convite do DJ Raffa e da Aninha, que também gostaram do disco. Então eu tenho que estar feliz com tudo o que tá acontecendo na minha vida por causa do Rolo Compressor.


E o filme Mães do Hip Hop, o que pode dizer sobre ele.....
A idéia de fazer o filme foi um presente de Deus. Eu estava, a muito tempo, com vontade de fazer um documentário de hip hop, mas não queria seguir o padrão de colocar MCs, Grafiteiros, Djs e B. Boys, queria algo diferente e inovador. Então surgiu a idéia de fazer um filme de hip hop onde os protagosnistas não seriam os artistas do hip hop e sim suas mães.
A gente conseguiu trabalhar eixos importantes como gênero, segurança pública (e outras políticas públicas como saúde e educação), etnia e é claro, hip hop. O filme já está rodando o Brasil inteiro e outros países também. Agora estamos terminando as legendas em inglês e espanhol para poder autorar o DVD e lançar oficialmente.



Curtiu um som seu na trilha sonora do filme PROFISSÃO MC
Fiquei lisonjeado com a moral que você deu. Tá vendo, é isso que eu estava te falando em uma das respostas acima, esse foi mais um importante canal do disco Rolo Compressor. Sei que milhares de pessoas já viram o filme Profissão MC que, sem rasgação de seda, ficou muito bom, e essa galera ouve minha música por tabela. Essas parcerias são muito importantes.


Nos fale sobre a sua viagem de um mês pela França em 2009

Foi uma das coisas mais sensacionais que fiz na minha vida. Foram 35 dias andando de um lado pro outro na França, passando por várias cidades, conhecendo muitas pessoas, cantando, escrevendo, gravando, produzindo eventos, fazendo palestras e exibindo os filmes. Acredito que toda a equipe (Dumontt, DJ Soneca e Léo da XIII) curtiram bastante, dois deles nunca sequer tinham viajado de avião e quase morreram nesta primeira viagem, pois a gente ia naquele voo da Air France que caiu, sorte nossa que mudamos a passagem para três dias antes por causa de um show que fechamos em Nancy.

Quais os proximos passos dessa promissora carreira internacional
Esse ano vou aproveitar as viagens que tenho que fazer pelo Brasil, por causa do projeto da Rede Enraizados, para fazer algumas gravações para o meu novo disco - ainda sem nome.
Pretendo ir novamente no Chile pra passar uns dias fazendo um som com uma galera que conheci por lá, talvez vá para França em maio novamente também pra gravar, quero fazer um som com a banda Atomic Kids. E pretendo ir para Miame e Chicago, também para fazer música com uma galera que conheci durante o FSM, mas nada é cem por cento certo.


Planos e projetos para 2010 e considerações finais'

Em 2010 vamos finalizar dois discos em nossos estúdios, o Amalgama (formado por grupos de rap de Morro Agudo) que está em processo de gravação e o Gravidade Zero, que é um coletivo formado por mim, pelo Wilson Nenem e pelo Átomo. O núcleo de audiovisual do Movimento Enraizados tá na missão de fazer no mínimo cinco video clipes do disco Rolo Compressor. Vou disponibilizar todas as acapalas do disco para que novos produtores façam remixes e pretendo fazer muitos show pelo Brasil afora. O Dumontt tá com a idéia de fazer a Banda Enraizados pra tocar comigo, mas isso é só uma idéia por enquanto.


DMA e Paty de Jesus (atriz)



DMA e Anderson (Afroreggae)


DMA em ação


MOVIMENTO ENRAIZADOS
Rua Thomaz Fonseca, 508
Morro Agudo - Nova Iguaçu - RJ
55+21+2768-2207
http://www.enraizados.com.br

Obrigado a quem compareceu e a quem mentalmente torcia a favor

SP, 08 de fevereiro de 2010
fotos: Marilda Borges


Buzo, Da Antiga e Toni Nogueira



Celia e Buzo


Ontem, segunda feira (08/02) às 17h vários amigos e amigas atendendo a uma "intimação" minha, compareceram na Inauguração da Livraria Suburbano Convicto no Bixiga, região central de SP.
Na real estamos abertos a uma semana, ontem foi só uma desculpa pra tomar uma breja e chamar os amigos pra conhecer a casa nova.
Mui grato a todos que vieram, tivemos até a participação internacional do Sérgio Vaz, direto do México.
Acabou cedo porque não era mesmo balada, nem uma puts festa, rolou lindo das 17h às 19h e depois fomos pro bar da esquina, alguém tinha que recepcionar o Fanti que chegou 19h30, depois de algumas saideiras a gente também caminhou.
Independente de ter ido ontem ou não, reforço o convite para vir conhecer a Livraria Suburbano Convicto do Bixiga, especializada em literatura marginal.
Estaremos abertos, de seg. à sexta (das 10h às 19h) e aos sábados das 9h às 14h
CAPETALISMO SELVAGEM, aceitamos master, visa, diners
Mas faz parte, tem que ser finaceiramente interessante para manter e crescer.
São Paulo ganhou mais um espaço para literatura das quebradas, breve "Encontro com o Autor" e muito mais.
* Temos bombonieri (só chocolate) e bebidas (agua, gatorade, refri, cerveja).
Um lugar para passar o tempo, retirar informativos culturais e comprar um livro.
Com esse pensamento a gente chegou, 3 anos depois à essa loja II, a Loja I segue no mesmo endereço, Rua Nogueira Vioti, 56 - Itaim Pta
Tudo nosso família, abaixo fotos de Marilda Borges (trabalhamo ontem, né ..Nega), aproveito e mando uma salve pra essa guerreira, lado a lado em qualquer missão. ainda por cima a mulher da minha vida e a mãe do meu filho. Te amo.
Amo a vida e os amigos verdadeiros, tamo junto na luta ou na descontração, é "nóis" q ta e depois de "nóis" é "nóis" de novo.
Aos zé porva, zoião, pessimista...........eu só lamento.

Alessandro Buzo
escritor, apresentador e cineasta
maloqueiro, favelado e palmeirense.
alessandrobuzo@terra.com.br


Toni C e Buzo



Crônica Mendes que trouxe um livro de presente pra mim, obrigado amigo.


Eleilson Leite, Alessandro Buzo e Sérgio Vaz


Livraria Suburbano Convicto do Bixiga


A loja já tem alguns seguidores que vieram mais de uma vez, salve Periferia Nacional


Manos de uma produtora no mesmo prédio (Espaço ZÉ Maria, DGT)


Da Antiga, Tubarão, Adriano (Ação), Eleilson Leite, Buzo, Vaz e Criolo Doido


Tubarão, Buzo, Vaz e Ingrid


Giovanna Lacal e Xantilee, vão tocar no "Suburbano no Centro", fim do mês na Ação


Nóis q ta


Galera do fundão



Enquadramos elas. As fotografas Mônica Cardim, Marilda Borges e Nina Fidelis.
VINGAMOS !!!!! Essa foto: Buzo


Mauricio Falcão e Buzo


Sanna (Finfândia), Andreas (Colombia)


Direto do México, evento internacional



Fanti, Buzo e Tubarão

Espaço ZÉ Maria, prédio da DGT Filmes.
Rua 13 de Maio, 70 - 2o andar
(11) 2569-9151 - suburbanoconvicto@hotmail.com


João, vizinho de andar e Buzo




Manos na area


Sergio GAG e Mônica Cardim

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre o FSM 2010

Por Michel da Silva Yakini

Pra não passar em branco, quero semear algumas palavras sobre o Forum Social Mundial 2010, que rolou em Porto Alegre e nas suas margens.
Foi a primeira vez que participei do evento , que é uma faca de dois gumes: Há quem ame e há quem odeie.
Minha impressão é que realmente a intenção mais divulgada do Forum, que é a integração do debate entre os diferentes povos, não é a prioridade da organização. Os debates aconteceram de forma fragmentada, a presença das diferentes culturas não era tão realidade assim e mesmo a população local de Porto Alegre e das beiras do trilho, pouco ou nada sabiam sobre o evento.
Reencontrei por lá vários manos: Alexandre de Maio, Dudu de Morro Agudo, Evaristo (Sarau Griots) e o GOG. Além de rever o show do menestréu Tom Zé (meu desejo é envelhecer como esse cara).
O mais bacana foi participar do acampamento que reuniu pessoas da Argentina, Uruguai, Rio Grande -RS e Uberlândia, onde estavam ativistas da chamada Cultura Livre e expositores da Feira de Economia Solidaria.
Conseguimos nos integrar tanto nas discussões, como também na feira, onde expomos livros do Elo da Corrente, Sarau da Brasa e Edições Toró. Além de fazer muito contato para futuros projetos e aprender a costurar um bocado com pessoas que são uma aula de humildade e sabedoria.
Também sobrou tempo pra visitar o estádio do Beira-Rio e ver um jogo do Inter (da hora!), bater uma bola com os argentinos (jogo disputado, mas não deu pra eles) e conhecer um poquito mais do litoral catarinense e gaúcho. Porque ninguém é de ferro e a gente também merece sorrir.
Em 2011 o Forum será em Dacar, Senegal
Quem sabe ....

Michel da Silva Yakini
Fonte: www.elo-da-corrente.blogspot.com

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jairo do Periafricania



www.periafricaniarap.blogspot.com

Nossos colunistas - Entrevista com Emerson Alcalde

Seguindo a série de entrevistas com nossos colunistas, com vcs, direto do Cangaíba, zona leste de SP, Emerson Alcalde. Ator e poeta.




Quem é o Emerson Alcalde?
É ator e morador da zona leste de São Paulo, bairro cangaíba. Formado no Curso Superior de Teatro pela Universidade Anhembi Morumbi, ganhou bolsa de estudo de 100% pelo cursinho da JOC.
Na área da arte-educação ministrou oficinas de teatro pelas secretarias de cultura e educação, do Estado e do Município de São Paulo, entre outros projetos atuou como oficineiro de teatro pelas ONGs; COOPRED e Recanto Nascer do Sol pelo “Programa São Paulo é uma escola” em mais de dez escolas públicas da prefeitura por um período de três anos.
No Hip-Hop fiz escolinha de Dj com o Slik do grupo de rap DMN no Espaço Cultural de Guarulhos. Integrou o coletivo de rap Legião Dmc’s (Pose Família Z/L) de 1998 até 2003, como cantor e letrista. Fazendo apresentações em diversos eventos em toda zona leste de SP juntamente com os principais nomes do rap da cidade.
Na poesia participa de saraus e slam (batalha de poesias)

O que é literatura pra você?
Pra mim literatura é um meio que possibilita a reflexão.

Por que virou colunista desse blog ?
Por que acredito que este blog tem os mesmo princípios que eu. Dialogar com as periferias do Brasil através de textos literários.
Ah, mas o motivo concreto foi por causa de um texto que o Buzo escreveu falando que teatro era para elite e eu respondi dizendo que de fato era mesmo, mas que existia um movimento teatral na periferia e inclusive no Itaim Paulista e a partir e por isso me pediu pra escrever um texto falando sobre o assunto. Escrevi sobre isto e sobre outros também.

O que você faz no dia a dia?
Eu estudo muito. E faço exercícios para ator. E trabalho em uma empresa de recreação e teatro infantil. E figuração e atuação em filmes e vídeos (menos pornô rsrsrs)

Onde e como você conheceu os livros?
Conheci os livros por incentivo das letras de alguns rappers e pela professora de português que diziam que eu tinha boas idéias, porem não dominava a gramática. Certo dia saindo da Galeria 24 de maio entrei num Sebo e comprei um livro por 1 real e a partir daí não parei mais de ler.

Indique 3 autores que vc gosta de ler?
Eu leio mais literatura dramática são eles: Plínio Marco, Shakespeare e Bertolt Brecht

3 livros ?
Hamlet, Capão Pecado e Malcon X.

Porque o povo brasileiro lê pouco?
Acredito que o povo brasileiro lê pouco por questões culturais e históricas. Os nossos colonizadores não eram cultos. E o por isso não existe incentivo. Agora que os índices de analfabetismo esta diminuindo de maneira considerável. Antigamente as pessoas não sabiam nem lê. Antigamente na época na minha avó no começo do século. Nos meados dos anos 50 ainda existia pouquíssimas escolas e havia uma política de exclusão declarada, apenas os melhores continuam seus estudos e os que não vão para a firma.

Fale de onde você mora?
Moro no cangaíba, no começo da periferia da zona leste, um bairro com aproximadamente 50 mil moradores e não possui nenhum hospital e nenhuma biblioteca, apenas um teatro da prefeitura que está desativado a mais de quatros anos.
Mas é um lugar que gosto muito. O lado bom é o Parque Ecológico do Tietê, meio abandonado, mas nos finais de semana fazem a alegria do povão, tem piscina, barco a remo, trenzinho, campos e quadras de esportes.
O bairro tem quatro favelas: Favela Caixa D’água, Piratininga, Arizona e Morro da Fé. Onde o Hip-Hop e o Samba são muito fortes. Freqüento muito a caixa d’água tenho amigos de infância, e discutimos muito os problemas em reuniões para propor melhorias aos vereadores.

O que acha de livros que viram filme?
Acho bem louco. Porque quando vira filme se abre novas possibilidades e abrange a massa com mais facilidade, mas acho que não se deve se esquecer dos livros, pois este veiculo é que mais possibilita a imaginação.

Um filme?
Perigo para a sociedade

Fale do seu trabalho no teatro?
No teatro profissional atuou e dirigiu os espetáculos: “A Almanjarra” de Arthur Azevedo; “Os Periecos”; “O Boneco do Marcinho”; “Pixologia”, as duas de sua autoria, sendo esta última conquistando o 3º lugar no Festival Nacional de Monólogos de Mogi das Cruzes, pela Cia. Extremos Atos da cooperativa paulista de teatro, criada em 2005 com o propósito de desenvolver uma pesquisa artística da arte periférica. Participou do projeto Machadianas (estudo da obra de Machado de Assis), como ator, no Teatro ÁGORA com a peça Anedota. Na área da dramaturgia integrou o Núcleo de Estudos da Dramaturgia Contemporânea da Escola Livre de Teatro em Santo André, durante dois anos.

Considerações finais.........
É enorme satisfação escrever e postar textos em um espaço dedicado a literatura periférica. Isso é um sonho sendo realizado. Grande abraço. Paz.

Entrevista exclusiva com Kamau

Entrevistamos com exclusividade um dos maiores nomes da "nova escola" do Rap Nacional, mas pra início de conversa nós quisemos saber o que proprio KAMAU, pensa disso, existe nova e velha escola ?
Com vcs.........Kamau, por Alessandro Buzo
Fotos: Luciana Faria/Divulgação



Kamau, o que pensa de história de nova e velha escola ?
K: Acredito que exista uma diferenciação natural no jeito de fazer rima de certas épocas. Mas não costumo dividir as escolas. Eu acompanho o rap desde 88 e comecei a fazer só em 97. Me espelho em pessoas que via na época e como rimavam na época de 88 e em pessoas que vejo agora. Acho que devemos sempre respeitar as raízes e os que não só abriram os caminhos mas também o pavimentaram pra que pudéssemos caminhar agora do jeito que melhor entendermos. E que possamos sempre saber o caminho de volta ao ponto de partida.

Como você começou rimar, quando disse que era isso que queria pra sua vida ?
K: Comecei a rimar em 97. Eu escutei rap por um bom tempo e, graças à proximidade com KL Jay, sempre observei de perto os bastidores desse universo musical. Então quando comecei eu já levava a sério, mas não era prioridade. À partir do momento que o disco do Consequência saiu em agosto de 2002, não pensei em outra coisa a não ser fazer o melhor possível pelo que acredito. E minha música é o que eu acredito.

Nos fale do seu CD, como viu a repercussão dele ?
K: Foi maior do que eu esperava mas ao mesmo tempo me senti devidamente preparado para o que aconteceu. Não me deslumbrei com nada a ponto de mudar de idéia ou de postura. E ainda acho que mais coisas poderiam acontecer se eu tivesse uma melhor estrutura de trabalho. Fico feliz em ver que ainda falam sobre meu álbum numa época em que as músicas são para "efeito imediato" e somem tão rápido quanto apareceram. E mais ainda com a tarefa de se sobressair em meio ao volume de música "lançada" a cada dia. Isso me motiva a trabalhar melhor a cada dia e, mais importante ainda, à minha maneira.

Hoje as pessoas baixam música, CD virou um cartão de visitas ?
K: Os pontos de vista variam. Ver meu álbum em CD foi um sonho realizado com a melhor qualidade que pude. Me esforcei para oferecer o melhor possível em termos de música, e no CD como produto para que meu investimento retornasse às minhas mãos e para que eu possa continuar investindo na música que acredito.

Tem feitos muitos shows, inclusive fora de SP, como vê o momento atual da sua carreira ?
K: Me vejo no melhor momento da minha carreira. Agora posso fazer shows com uma estrutura mínima para proporcionar bons motivos pras pessoas saírem de casa e querer assistir. Eu sempre me coloco como fã pois foi isso que me trouxe até a música em primeiro lugar. Sempre penso se o show vai ser cansativo, repetitivo, se já fui ao lugar e como foi o último show por lá.
Ainda há muitos lugares pelo Brasil onde eu gostaria de me apresentar e conversar com as pessoas. Espero concretizar essa vontade e fortalecer cada vez mais a corrente pela música boa.

O que vem por ai, planos para 2010......
K: Ainda não tenho planos devidamente estruturados. Mas quero lançar mais videoclipes do Non Ducor Duco e traduzir em imagens mais algumas rimas que tenho em mente. E mais algumas outras coisas que ainda não tem data mas estão sendo trabalhadas. Avisarei, onde e como puder, assim que tudo estiver mais concreto.

O que vc curte em casa, musicalmente falando.....
K: Eu ouvia 90% rap. Agora eu diminui pra 74,52% (mente matemática...) a proporção de rap e tenho escutado bastante jazz, algumas coisas de MPB e rock progressivo e outras coisas que eu já costumava ouvir. Tanto para pesquisa quanto para alguns momentos do dia e da vida. E tenho dividido o palco com vários artistas que muito me agregaram musicalmente. Kiko Dinucci, Mão de Oito e Marcela Bellas são alguns nomes que posso dizer agora que tem trabalhos muito bons na rua e são, de certa forma, diferentes na estética sonora. Ellen Oléria também é uma outra cantora com quem eu gostaria de dividir o palco e alguma composição futuramente.

Um filme ou mais de um que gosta muito ?
K: A trilogia do Homem-Aranha (um grande poder requer grande responsabilidade), Malcolm X, Love Jones, Faça a Coisa Certa, Duro Aprendizado

Um Livro ?
K: Biografia de Tim Maia, Malcolm X e Negras Raízes.

O que te deixa feliz ? O que te deixa puto da vida e considerações finais...........
K: Bons momentos me deixam feliz. Música boa me deixa feliz. Felicidade alheia me deixa feliz. Uma das coisas que me alegrou bastante esses dias foi o nascimento da filha do meu irmão Emicida. E fazer boas apresentações e boas composições me deixa muito feliz também, pois mostra eu que estou no caminho certo.
Não sou de ficar puto não. Quem me conhece, sabe. Mas me incomoda a necessidade de "definições científicas" que as pessoas tem sobre a arte e seus autores. Me soa bem paradoxo querer colocar na gaveta certa nossa liberdade de expressão.

Pra finalizar:
K: Fortaleçam a forma de arte em que vocês acreditam para que ela se perpetue por várias gerações.
Consumam, façam de coração, criem, divulguem, sintam, vivam. Não é muito pra se pedir mas, com certeza, é uma grande contribuição.




www.planoaudio.net
www.twitter.com/Kamau_

Plano Audio
Mantendo a raiz desde ontem!


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Homem do Gueto

por Jéssica Balbino*

Hoje o hip hop chora, o homem do gueto foi embora. Cantou, pregou, tentou. Não conseguiu. Cansou, não agüentou. Se matou. Mas não se matou assim, de repente, como quem dá um tiro na cabeça, puxa uma corda no pescoço, se atira dum prédio e pronto! Não... O homem do gueto morreu aos poucos, como bom brasileiro que era, pensava que seu lema era “não desistir nunca”. Com dez anos de idade, quando o homem do gueto ainda era um menino, viu o pai se separar da mãe e fugir como um covarde. Alguns anos depois, tomou um tiro de raspão do padastro e carregou a mãe baleada pelo padastro até o hospital. Viu a coroa morrer. Chorou, cansou, mas não desistiu. .Se lembrou das madrugadas em que levantava sob a geada, para apanhar café com a coroa e ajudar a sustentar o lar. Chorou. Mas não desistiu. Agüentou. “Mãe, fique na paz, pois seu filho aqui na terra te ama demais...”, cantou.Pensou que fazer umas letras de rap e cantar para a juventude amenizaria a dor e ajudaria na construção de um país melhor, afinal, o homem do gueto era brasileiro e não poderia, em hipótese alguma, desistir. Queria respeito, dignidade, cantar um rap que abalasse toda a cidade. Não deu. Se fodeu. Leu num livro que não devia se meter com as drogas, mas foi numa balada, uma noite qualquer, cantando um rap, que ficou de barato com a primeira “bola” que dera. O homem do gueto, apesar de ser ele mesmo, também caiu em tentação. Rodou na mão dos “homi”. Acontecia com todos manos mesmo, por que ele seria diferente? Desistiu. Não de viver, mas da maconha. Continuou cantando. Trabalhando. Acordava toda madrugada. “Não sabem como faz frio aqui no gueto dessa cidade de desacerto”, pensava. Mas nem pensava no dia que passava, apenas trabalhava. Quanto tinha 16 anos, o homem do gueto, que ainda era um garoto, arrumou uma garota, conhecida como “mina de fé”, que o acompanhava nas baladas de hip hop, aprovava o rap, e não fazia cara feia para as novas composições. Uma mina que o chamava de homem do gueto. Mas a mina de fé, assim como a mãe do homem do gueto, se apaixonou. Não por ele, mas pelo “vida loka” que morava na esquina da mesma rua. Ele era melhor e tinha “carro do ano”, sem falar que não pagava um veneno no trampo.O homem do gueto chorou de novo. Se cansou, mas não desistiu. No trampo, resolveu chutar o balde, não agüentava mais inveja, cara feia e bronca do patrão. Mesmo com as contas pra acertar, deixou de trabalhar.Se jogou no hip hop. Letras de rap, viagens para São Paulo. “O berço da cultura do gueto no Brasil”. Decepção. Histórias, mais letras. Trabalhos sociais, voluntários, ajudar a molecada mais nova, da rua, da mesma quebrada eram as idéias que martelavam na cabeça do homem do gueto, agora, homem feito, maior de idade.“Periferia mano, é bem diferente, só mano linha de frente”, dizia. Se enganou. Quando mais precisou de ajuda para botar os projetos do bem pra frente, não conseguiu. Em cada porta que batia, era um “não” que recebia. “Por que é tão difícil correr pelo certo?”, pensava. E foi assim, sem emprego, vendo a mina com outro, o pai bebendo como o padastro e quase todos amigos mortos por conta das drogas e do crime que ele morreu. Dia após dia, com a barriga vazia. Morreu fraco. A fraqueza da fome o consumiu e todos que o admiravam hoje choram, o homem do gueto foi embora !

*Jornalista, escritora, palestrante e participante da coletânea Suburbano Convicto - Pelas Periferias do Brasil vol.
Ijessica@pocos-net.com.br
www.jessicabalbino.blogspot.com

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Descaso...

Por: Fanti Manumilde

Descaso de verdade é com o Jardim Pantanal.
Será que não existimos pra esse irracional.
Prefeito do caralho vê se num fódi.
Quero ver pisar na lama igual o povo pobre.
Entra no carro e some pra sua área nobre.
Como sempre faz, nesse jeitinho esnobe.
E muitos ainda votaram nele talvez por capricho.
Agora agüenta este governo nocivo.
Porém, estamos com o povo, se emancipando.
Na luta surgindo dos escombros.
Ai um apresentador aparece na tevê.
Reproduzindo mentiras, falsidades de bbb.
Depois não querem que sejamos violentos.
Depois não querem ouvir versos sangrentos.
Enchentes, desabamentos, soterramentos.
Varias pessoas inocentes estão morrendo.
Mas não esquenta logo mais tem carnaval.
Vai ter festa, alegria, depois tem mundial.
Tá bom pra você, sempre a mesma história.
É o povo se fudendo, vivendo sem glória.
A mídia ganha ibope com o nosso sofrimento.
Explorando a dor alheia sem ressentimentos.
Tristeza, lágrimas, tudo é entulho.
O cheiro de esgoto nos causa engulhos.
Se eles entendessem o que escrevo irmão.
Estaria formada a nossa rebelião.
Prefeito sou seu inimigo até o fim.
Quando vir a Heliópolis se lembre de mim.
Miguelaram os livros, o ensino, escolas pros meninos.
E agora pagam recompensa pro nosso extermínio.
Que país é esse? De pernas pro ar.
Perna aberta igual puta, só deixando entrar.


www.twitter.com/FANTIMANUMILDE
www.myspace.com/fantisolo
www.fantimanumilde.blogspot.com

TODAS AS CULTURAS.

Por: Manogermam. ©

O canto certeiro do povo mineiro.
O encanto do frevo pernambucano.
A ginga do povo baiano.
O samba do povo carioca.
Alagoas índios e sua canoas.
O poeta nos avisa do artista lá da Paraíba.
O elegante povo paulista.
A poesia viva no Piauí.
A cabra da peste lá do Ceará.
O cabra-macho lá do sertão.
Maria bonita e lampião.
Espírito é de Santo, o mato é grosso.
Catarina é Santa, o rio é grande.
De norte a sul, e no Paraná os pássaros sempre a voar.
Maranhão todos nós somos irmão.
Mulato, negro, caboclo e mameluco.
Já vivemos do café, e do açúcar.
Terra que nos da muito ouro.
Deus está conosco até o pescoço.
Faça sol ou faça chuva na caatinga tudo muda.
Rompendo fronteiras mostrando nosso valor.
Amazônia cheia de flor.
Rondônia e Roraima sempre encantam.
Acre e Amapá todos vão sonhar.
Tocantins meu país é assim.
Bate o sino lá de Belém do Pará.
O forro pé de serra, Severina cheia de fé.
Luis Gonzaga e padre Cícero, todos pedem a reza.
Como canta Carmem Miranda.
Há onde anda o nosso funk
Do rock ao pop logo vem o hip-hop.
O baião e a bossa nova estão com tudo e muita prosa.
A música e a dança, a arte e a malandragem.
Comida caseira e a cachaça brasileira.

Germano Gonçalves (O urbanista concreto)
Escritor.
Contato: ggarrudas@hotmail.com