quarta-feira, 31 de março de 2010

Agenda do Buzo num BLOG exclusivo.....

Para saber onde o Buzo vai estar e quando.........ficou fácil.


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www.agendabuzo.blogspot.com

"Alessandro Buzo"



Livros, palestras, oficinas, imprensa.
Fone assessoria de imprensa:
Cel: (11) 8218-7512 / 8429-4452
suburbanoconvicto@hotmail.com

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terça-feira, 30 de março de 2010

Ser tudo e ser nada – Parte II

SER NADA. (Trilogia do ser)
Por Manogerman

Ser nada, não ter coisa alguma a não ser a vida.
Nascer, crescer, viver, envelhecer e morrer!
Nascer em um habitáculo apertado frio e úmido
A porta da entrada é a da saída, dor do parto dor da vida.
Como se dizem nos ditos populares:
Este veio de encomenda.
Crescer junto da molecada correndo de um lado para o outro,
Com uma alegria de que vai ser feliz um dia.
Ser nada brinca sem maldade, afronta sem piedade.
Chora para ter, o que só o dinheiro pode trazer.
Pés descalços a vida é airada, pelas coisas dela espelhada.
Viver só com uma lembrança de sua humilde infância.
Na escola as coisas do pensamento se misturam com as coisas da barriga.
E o que fica é desânimo durante todo o dia
Sem condições de estudar, vai para vida trabalhar.
Em busca da felicidade tenta buscar algo para desfrutar.
E lavai o tempo, logo vem o casamento que não passa de sacramento.
Moradia de periferia.
Profissão de peão.
Ao degustar um belo jantar, cuidado para não acabar.
E uma senhora sempre a lhe cobrar as refeições que deixou a desejar.
Ao se deitar somente para descansar.
Sem o direito de sonhar, pela frente mais um dia a trabalhar.
Envelhecer em praças de aposentadorias, e acabar com a própria alegria.
Os janeiros se passaram nada conquistado, só um olhar cansado.
Uma coisa veio a se alastrar não podendo nada mais aproveitar.
Rápida e direta está coisa chegou e a vida acabou.
Solitário ficou um homem de branco chegou.
Nem banho tomou e todos o desconsideraram.
Na vida coisa alguma conquistou.
Com piedade alguém chorou.
Com raiva cova adentro alguém jogou.
E ser nada realmente acabou.
Ser tudo e ser nada, ser tudo e nada.
Tudo acaba na mesma coisa.

Germano Gonçalves (O urbanista concreto)
ggarrudas@hotmail.com
escritor.

Caverna do medo.

Por: Danilo Henrique Santana de Moraes
danilo_creze@hotmail.com

Sua entrada é a saída.
Sua saída? Haaa! Como é difícil sair.
Se junta com a solidão.
Lagrimas aduba o rosto.
Ao mesmo tempo do aperto no coração.
Vitimas ou castigados?
Esquecidos ou acomodados?
Inexplicável.
Medo.
O que faz sentir medo?
Caverna obscura, mas qual a cura?
Será que a alma é impura?
Desfazer, Fazer. Arriscar! Nunca esperar.
O medo impede.
Companhia, amizade, saudade.
Solidão!
Pensamento, expressões, lagrima.
A vida é uma dádiva.
O medo e a solidão uma fraqueza.
Ninguém deseja, mas ela vem.
Caverna do medo tem entrada, mas tem saída.
Lutar. Para não sumir na escuridão.
Então, Amar é a solução.

Seu nome era Velocidade

Por: Rodrigo Mendonça
rodrigo.m.matos@hotmail.com

Com grande consternação eu escrevo este artigo, este dia ensolarado em São Paulo já não me vem como algo adequado, eu vinha de Taipas para cá pensando como começar a escrever sobre um dos melhores rappers que eu já tive noticia aqui no Brasil, não consegui expelir duas linhas sequer, não sei como posso me referir de forma simples a um homem que cantou tão abstratamente as cores que via. O inicio de sua carreira foi no exato ano em que eu nasci 1987, porém seu primeiro álbum foi lançado apenas em 2001, antes disso, lá atrás em 1993 o demotape (Speedfreaks) já começava a escrever essa história.
Com seis álbuns solos deixou algumas músicas no imaginário do RAP nacional. Ficou conhecido principalmente com por sua parceria com Black Alien que em 2001 lhe rendeu o hit "Quem Que Caguetou?"/"Follow Me, Follow Me" com 80. 000 cópias lançadas, dois anos depois esta mesma música se tornou um Hit na Europa tornando se inclusive trilha do comercial Le Marathon da Nissan, e aliás esta mesma track foi remixada por um dos maiores Djs do mundo “Fatboy Slim”.
Speed tinha um sarcasmo singular em suas letras, por vezes era inclusive macabro, seu humor era estampado na maioria de seus sons que são vários, gravou ao lado de artistas como: Rodox, Chorão, Lucio Maia, Marcelo D2, Rhossi, Xis, Zegon, Negralha, Paulo Napoli, Fernanda Abreu e tantos outros.
Speed Freaks ou apenas Speed era nascido de Niteroí e tinha por nome de batismo Claudio Márcio de Souza Santos, com 31 anos de vida foi um dos principais rappers da cena carioca, na noite de sexta (26) seu corpo despenha-se ao chão em um valão da Rua Capitão Evangelista e Speed entra para a história.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Nesta quinta - 1o de Abril na Livraria Suburbano Convicto....2o Suburbano em Debate discute: A Produção Literária na Periferia

2o Suburbano em Debate.
01/04/2010 (das 19h às 21h) - gratís

Tema: A produção literária na periferia.

Mesa: Sacolinha
Rodrigo Ciriaco
Robson Canto
Mediador: Alessandro Buzo

Local: Livraria Suburbano Convicto no Bixiga
Rua 13 de Maio, 70 - 2o And
(gratis)
Inf (11) 2569-9151
suburbanoconvicto@hotmail.com
www.livrariasuburbanoconvicto.blogspot.com


Sacolinha, autor dos livros Graduado em Marginalidade e 85 Letras e Um Disparo


Rodrigo Ciriaco, autor do livro "Te Pego Lá Fora"


Robson Canto, autor do Livro "Noite Adentro"

Selo Povo - Turnê 2010



* 18 de junho de 2010 na Livraria Suburbano Convicto (Bixiga)
* Clique na Imagem para ampliar

Literatura é a Cura

Acabei de ler "Zé Contente - A luta pela sobrevivência no Carandiru e em outras prisões" de Horácio Indarte - Editora Sulina - 160 paginas
Buzo comenta: O livro me surpreendeu, muito bem escrito, rico em detalhes, mostra o autor que foi preso por tráfico, com quantidade de 5 gramas de cocaína, na verdade ele era usuário, mas......
Vale a pena ler a sua trajetório no 15DP (Itaim Bibi), Carandirú e Penitenciária de Pirajuí. Ele não era do crime e teve que se adaptar para sobreviver, uma história muito comum no Brasil e suas desigualdades sociais.

sábado, 27 de março de 2010

Blogs impulsionam criação literária nas periferias

Por: Jessíca Balbino
* Publicado no Jornal Mantiqueira de Poços de Caldas



Literatura Marginal é fortalecida por meio da produção de textos em blogs por todo país

Assim que se levanta, o escritor, empresário e agitador cultural Alessandro Buzo se conecta a Internet e atualiza os oito blogs que tem. Às vezes ele posta, mais de uma vez ao dia, notícias e textos literários nos canais de comunicação que ele mesmo administra.
Mas nem sempre foi assim, antes de ganhar o mundo virtual, Buzo foi vendedor e passou por maus bocados até conseguir lançar o primeiro livro de forma independente em 2000. Daí em diante, não parou mais e hoje já soma cinco livros publicados e mais três em processo de confecção, previstos para serem lançados ainda este ano. Atribui a divulgação do próprio trabalho aos blogs, por onde consegue efetuar vendas de exemplares de vários autores das periferias. Além disso, organiza coletâneas com a participação de escritores independentes de todo Brasil, com quem, normalmente, faz contato através de blogs. “O blog é uma ferramenta que impulsiona a literatura. Antigamente o texto ia para a gaveta e hoje vai para o blog. Pode ser lido por qualquer pessoa no mundo. Na gaveta ele morria e no blog cria asas”, considera. Nesta linha, Buzo mantém o blog Literatura Periférica, onde abre espaço para colunistas de todos estados do país, estimulando, mais uma vez, a criação literária.
Um dos colunistas é André Ebner, da cidade de Cravinhos, São Paulo. Há dois anos e meio ele tem o próprio blog, além de escrever frases e pensamentos para o Literatura Periférica. “A Internet é uma ferramenta poderosíssima para a liberdade de pensamento”, considera o jovem que está escrevendo o primeiro livro de poesia. O escritor Jeferson, conhecido como Tubarão, da baixada santista, também é um dos colunistas do blog e já se lançou como escritor na coletânea Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil, organizada por Buzo. Para ele, que visita diariamente vários blogs de amigos e outros escritores, se um blog for direcionado, pode ser uma ferramenta impulsionadora da literatura. “É um meio que cada um tem de se expressar à sua maneira. É uma mídia livre”, pensa.
No mesmo estilo há o blog Literatura Suburbana, que através do coordenador Israel Neto, faz publicações de livretos de poesias de vários escritores. “No último ano cerca de 30 escritores participaram do projeto e publicamos seis livretos, além de oficinas de produção literária e saraus”, define.
Outro escritor e agitador cultural que atua na blogosfera e promove a literatura é Michel da Silva. Atuante no movimento literário-cultural Elo da Corrente em Pirituba- SP, ele pensa que a literatura depende da relação do escritor. “Para ser viva, instigada e os blogs são uma ferramenta moderna para contemplar esta dinâmica. Estamos criando um movimento forte de comunicação”, coloca.
Famoso por ser um dos pioneiros nesta arte, o escritor Ademiro Alves, conhecido como Sacolinha também tem um blog próprio, onde divulga a própria agenda de eventos e também os da periferia de Suzano, em São Paulo, onde vive e trabalha. “Se o espaço do blog for bem utilizado pelos autores das periferias, só tende a crescer e impulsionar ainda mais pessoas. Costumo ler os blogs antes mesmo de ler os jornais”.
Filho desta geração, Danilo Henrique, de Salvador, Bahia, é um adepto dos blogs e influenciado pelos escritores da literatura marginal, criou o próprio espaço que procura alimentar com textos da própria autoria. “Neste ano vou procurar 2010 maneiras de viver a vida e descobrir coisas novas. Uma delas é ter um blog, divulgar meus textos e me envolver com literatura”, pontua.
A cientista social e pesquisadora do fenômeno da literatura periférica, Érica Peçanha do Nascimento diz que estes escritores desempenham atividades culturais conjuntas e divulgam os trabalhos uns dos outros, sobretudo nos blogs, onde recomendam livros e publicam entrevistas. O comportamento é justificado pela afinidade dos temas, do tipo de literatura produzida e da amizade. “A relação estabelecida entre suas produções literárias e uma determinada realidade social desencadearam relações de amizade entre eles e uma atuação cultural em comum”, acredita.

Fonte: www.centralhiphop.com.br

sexta-feira, 26 de março de 2010

Entrevista com o escritor Horácio Indarte


Horácio Indarte, autor de Zé Contente

Ele foi preso como usuário e condenado por tráfico, saiba mais em entrevista exclusiva no Blog "Buzo Entrevista"
www.buzoentrevista.blogspot.com

QUANDO PASSAS

Por: Vivaldo Terres

Às vezes quando passas na calçada...
...triste ou cansada!
Paras a olhar!
Aquela loja de cor amarela.
Cujo quem amas ali pode estar...
al o desejo ardente que te faz viver!
E a te guiar...
Pois sabes que este amor é impossível
Pois não tens esperanças de o conquistar
Mesmo sabendo que é impossível...
...e de conquistá-lo não ter condição!
Mas este amor que trazes neste peito enfermo,
Te faz viver sem esta ilusão!

Vivaldo Terres é poeta em Itajai-SC
vivaldoterres@ yahoo.com. br


+ uma de Vivaldo Terres........

QUANTO TEMPO

Quanto tempo passou...
...sem que eu percebesse!
Que de tanto amar-me estavas envelhecida,
Enveredando para o vício: no cigarro e na bebida.
Mas como amigo nunca percebi!
Tal tristeza no teu coração...
Pois com medo de seres rejeitada!
Não me confessava este amor!
E eu fazia o mesmo...
...com medo de me dizeres o não!
Éramos dois bobos tristes e sem forças...
Não nos declarávamos. ..
Por medo de não sermos correspondidos!
Mas felizmente eu te confessei...
Que te amava muito!
E hoje juntos somos bem felizes.

HOJE !!!! Cinema, lançamento de Video Clipe e RAP. Suburbano no Centro na Ação Educativa

Sexta-Feira, 26 de março de 2010..........a partir das (19H).....
Muita coisa boa vai rolar....pra começar exibiremos o filme (26min) Mães do Hip Hop, dirigido pelos meus amigos do Movimento Enraizados, salve DMA, Re.Fem e toda rapa.
Na sequência G.E.D.E.O.N. leva um som, seguido do Mano Rogério.....
Então acontece o Lançamento Oficial do Video Clipe....FAÇA POR AMOR do Grupo A FAMILIA, após o clipe, pocket show com eles memo..........A FAMILIA chegando pra fazer barulho.
- Aqui no pé do morro é nóis q ta
Sem falar que é tudo de graça, que vai colar uma galera do graffiti, porque tem evento paralelo rolando, vai ser uma noite para celebrar o Hip Hop.
Você é meu convidado (a)



Clique na imagem para ampliar

www.suburbanonocentro.blogspot.com

quinta-feira, 25 de março de 2010

Site Oficial Alessandro Buzo

Literatura Suburbana convida....

Salve Meu Povo,
O Coletivo Literatura Suburbana em parceria com os coletivos Desalienarte e CICAS, Publicará no mês de maio um livreto especial do dia do Trabalho intitulado "Poesias para o Trabalho", e você pode participar, envie até o dia 14 de Abril sua pesia, cronica ou conto (que tenham o trabalho como tema) para o email literaturasuburbana@yahoo.com.br, acompanhado de foto.
Os livretos serãao destribuidos num evento no CICAS na semana do dia do Trabalho...
Participe!!!

Mais Informações: http://www.znnalinha.com.br/blog_literatura/index.php
Réu (11) 9446-6214
literaturasuburbana@yahoo.com.br

Bolketim do Kaos pode voltar pelo VAI, contamos com sua torcida.....

Hoje (quinta, 25.03.10), deve sair o Resultado do Programa VAI da PMSP.
Estamos na torcida para ser a volta do JORNAL BOLETIM DO KAOS, que tanta gente pergunta nas ruas.
Se acontecer de voltarmos pelo VAI, será assim......

6 mesês
5 mil exemplares por mês
8 paginas (metade do que era antes).......

Com certeza dá para ter muito conteúdo e seria a volta.
Teriamos folego para tentar se articular e não sofrer mais interrupção.
Então se vc curte o Boletim do Kaos, torça !!!!!


boletimdokaos@hotmail.com
www.boletimdokaos.blogspot.com

Alessandro Buzo e Alexandre de Maio
editores

quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma questão de orgulho

Por: Samuel da Costa
samueldeitajai@yahoo.com.br


Talvez falar em orgulho negro na atualidade seja difícil, assim como debater o dito orgulho branco, pois é só relembrar- mos que um pouco mais de meio século, assistimos a ascensão e queda de um império que deveria durar mil anos. Ao contrário disso o mundo pode assistir o massacre indiscriminado de judeus europeus, entre outras minorias, no que alguns nominaram de ‘’Solução Final da Causa Judaica’’ ou simplesmente Holocausto. Mas o que isso tem haver com os dias de hoje e com o Brasil? Apesar da guerra perdida no campo de batalha bélico, o legado de supremacia ariana nos assombrar, e assombrar muito. O padrão de beleza posto e imposto, por muito tempo, não só no Brasil, bem como no ocidente não seria se os belos olhos azuis e a linda pele branca? Mas o que sobrou para as minorias de poder? Mas quem são essas minorias senão fantasmas a esgueirar-se na sub-cultura, no sub-esporte, na sub-arte e no sub-emprego, com sabedoria de quem a muito aprendeu a apanhar e se destacando a duras penas. E todos os orgulhos, não brancos, quando se afloram, uma torrente de criticas negativas vem à tona, por parte de setores conservadores da sociedade. Mas o que é ser descendente de escravos no século XXl? Talvez rezar para não ser parado pela polícia, de noite ou de dia, e ser confundido com um bandido qualquer. O que é ser negra nos dias de hoje? Talvez ser o últimos personagem nas estatísticas do IBGE e despontar em índices como: alfabetismo, baixos salários entre outros. Mas o que sobrou para a elite branca senão os melhores cargos na dita democracia burguesa. Ocupar as melhores posições em tudo e, em toda a parte, e se esgueirar em uma linda tarde de sol de verão. Aparecer bem e sempre e em tudo a hora com sorrisos brancos e bem tratados em comerciais da teve. E ao que sobrou para as minorias étnicas? Creio que não muito, pois ainda estamos aqui em algum lugar no porão da sociedade a protesta em votos nulos. Gritando e berrando, para quem não quer nos ouvir, por espaço nesse dias da comunicação global, nesse dias de presidentes negros e bilionárias apresentadoras de televisão. Sobre um olhar, inquisidor e colonizado de quem quis nascer no norte do globo, falando um idioma estrangeiro. Mas o que restou para as crianças negras senão empinar pinas ou soltar foguetes nas favelas. O que sobrou senão um divida social de 500 anos e certas elites arianas não estão nem um pouco a fim de pagar.

Por: Samuel da Costa é militante do movimento negro em Itajaí - SC

Ser Nada e ser tudo – Parte I

SER TUDO. (Trilogia do ser)
Por: Manogerman.


Ser tudo ter todas as coisas.
Nascer, crescer, viver, envelhecer e morrer.
Nascer em um ambiente de paz, harmonia onde todas as coisas são maravilhosas.
Nascer em família de boa estrutura, saber o que quer no futuro e saber que ele será promissor.
Nascer em berço de ouro com chances de se ter todas as coisas ao seu redor.
Crescer junto de meninos e meninas das melhores qualidades sociais, brincarem com os melhores brinquedos, passear nos melhor parque de diversões, em fim uma infância de grandeza, sendo possuidor de muitos bens ou coisas de valor.
Crescer junto de pessoas de ótimas formações educativas, freqüentarem as melhores escolas, faculdades para ser tudo na vida um grande homem um respeitado doutor.
Viver cheio de glorias, conquistar o seu espaço na sociedade para ter as melhores oportunidades na vida.
Estar sempre se aperfeiçoando, desfrutando de melhores locais sociais.
Degustar o melhor vinho sempre bem acompanhado.
Caminhar firme e seguro em busca do príncipe ou princesa.
Melhor casamento, festa de arromba.
Melhor profissão de doutor a patrão.
Melhor moradia de casarão para mansão.
Melhor todas as coisas.
Jantar com caviar, uma senhora para lhe servir, outra para lhe acompanhar.
Ao se deitar em plumas ao se levantar em paetês.
Ao envelhecer em cadeira de balanço a pensar em todas as coisas, que jeito dar a estas coisas.
O tempo é uma coisa que vai passando.
Ser tudo com todas as suas coisas vai aproveitando neste determinado tempo, cada vez mais devagar, já sem aquela fortaleza.
Todas as coisas já são simplesmente coisas.
A coisa vai chegando num só silêncio vai tomando conta de todas as coisas.
A coisa chegou e o ser tudo de todas as coisas partiu.
Tudo está ajeitado cada coisa no seu lugar o que tiver de ser feito será.
Dormindo estava e dormindo ficou, as coisas acabaram deixando todas as coisas serem feitas sem opinar por coisa alguma.
Coroas de flores ao seu redor, o seu melhor paletó.
Multidão a chorar, lagrima nos rostos a ser enxugado com panos de cetim, o silêncio no ar a ser quebrado somente pelas respirações voluntárias dos seres que ali se encontravam por respeito ao ser tudo.


Germano Gonçalves (O urbanista concreto)
escritor

terça-feira, 23 de março de 2010

Literatura é a Cura

Acabei de ler "Uma Menina Chamada Julieta do Ziraldo", melhoramentos 112 paginas.
A versão feminina do menino maluquinho, um livro encantador.
Para pais e filhos, eu indico.

Estou lendo agora "Zé Contente - A luta pela sobrevivência no Carandiru e em outras prisões" de Horácio Indarte - Editora Sulina - 160 paginas
* O livro está me surpreendendo, é muito bom

domingo, 21 de março de 2010

Homenagem à Dina Di



http://centralhiphop.uol.com.br/site/?url=materias_detalhes.php&id=952



Morre Dina Di, grande guerreira do hip hop nacional
por Jéssica Balbino
Fonte: www.jessicabalbino.blogspot.com

Com uma vida nada fácil, ela foi a primeira a esmurrar a porta do barraco brasileiro e anunciar as mulheres no rap. Uma mina de fato, como poucas dentro do hip hop.
A atitude e a força na voz a fazem a "Rainha do Rap", eternizada mesmo após a confirmação da sua morte às 23h30 de sexta-feira (19).
Vítima de uma infecção hospitalar após o parto da filha no último dia 2 de março, Dina Di deixou o mundo que nem sempre lhe foi o melhor lugar e partiu.
No legado ela deixa o estilo e a rima na ponta da língua. Tinha o rapper na carne e transformava as feridas arrombadas em letras.
Dos CDs gravados, ficou conhecida após se apresentar como "a noiva de chuck" e o casamento só aconteceu há pouco tempo.
Conheceu o hip hop aos 16 anos e escondida em roupas largas e bonés, apresentou as primeiras rimas, sempre defedendo o universo feminina.
Morreu após dar a luz, na maior representação feminina que existe, o parto e o nascimento de um filho. Por ser conhecida, tem a história divulgada.
Vítima de mais um sistema de saúde falido no nosso país.
Com a visão que tinha da rua, montou um grupo de mesmo nome e gravou três CDs que ganharam os guetos rapidamente.
Entre as vozes femininas do rap, Dina Di foi quem mais levantou a bandeira do movimento. Vítima do próprio sistema que tenta combater, viveu uma vida literalmente à margem da sociedade.
Não teve tempo de amamentar a filha como deveria e nem de vê-la crescer. Deixou mais uma, entre as milhares do Brasil, criança sem mãe neste país que não é pátria.
Mesmo sendo quase invisível no sistema que o hip hop combate, ela foi uma denúnciua andante, conceituou o rap na carne.
Sempre teve medo de descern do palco e ver a Dina Di morrer. Antes de ir para o hospital, estava agendando shows por todo o Brasil. Não deu tempo de visitar Poços de Caldas.
Antes de se tornar conhecida, perdeu as contas de quantas vezes passou pela Febem desde que fugir de casa, aos 13 anos.
O pai de Dina Di era mestre de obras e morreu engasgado com um pedaço de carne num boteco, na periferia. A mãe dela era camelô e foi assassinada dentro de casa, uma morte lenta e dolorosa, ela foi asfixiada com um pedaço de pano que lhe enfiaram na garganta, enquanto estava amarrada com os fios do varal de roupas.
Mas, nada disso a impediu de escrever com as vísceras e alma, relatando todasas dores que a perfuram.
Certa vez uma reportagem foi finalizada com a seguinte frase: "palco, diante de milhares de sobras humanas com voz e com raiva, Dina Dee e os seus têm chance de não morrer no beco".
Que pena que o otimismo não foi o suficiente. Ela morreu antes da hora. Se foi antes do tempo. Não ensinou tudo que podia e nem cantou tudo que queria.
Mas, talvez nós, que acompanhamos esta trajetória e sabemos das dores de sermos tachados de trapos humanos consigamos melhorar um pouco a nossa periferia, a nossa volta e não percamos mais mulheres para a saúde falida do nosso país.

De volta em negro

Por: Samuel da Costa

Em memória de Miguel Maria da Costa

Talvez seja hora de voltar à estrada!
Fazer as malas e partir...
Voltar a usar aquelas roupas velhas & surradas...
Ir para outro lugar!
Dizer adeus...
‘’Re-luzir’’ minha cor de ébano...
...ao sol!
Ganhar as ruas...
Tentar vida nova!
Experimentar novos ares!
Conhecer novos amores!
Mas o que me aguarda nas estradas?
Novos amigos?
Outros sabores?
Novos saberes
Quero partir...
Não quero mais ficar aqui estático...

Samuel C. da Costa é poeta em Itajaí
samueldeitajai@yahoo.com.br

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sou Suburbano Convicto

Na luta
Pelo ideal
Não posso sempre "ser legal"
Também não é preciso....
Fazer cara de mau
O papo é reto
Isso basta
Zé Povinho tem de monte
Falem bem
Falem mal, mas.........
Falem de Mim.
Sou o Suburbano Convicto.
A pedra no sapato.
Sou um loko que sonha
Sou quem realiza.
Ninguém falou que seria fácil,
Mas não espere eu dizer....
Que parei, que desisti.
Não vou dar esse gostinho....pra ti.

Alessandro Buzo
www.buzo.com.br
alessandrobuzo@terra.com.br

Seu Carlos! Você é uma piada.

Por Danilo Henrique
danilo_creze@hotmail.com


- Bom dia!
- Ei bom dia!
- O que foi rapaz?
- Não é que hoje é meu primeiro dia de trabalho aqui, com quem eu falo para liberar a entrada?
- Haaa! Converse com a gerente ali.
- Ta bom!
- Olha a roupa que o meliante vem pra trabalhar no primeiro dia, esse vai ser problema, a cara já denuncia.
- Oba! Lembra de mim? É que vocês mi ligaram dizendo que eu começava hoje.
- Ah ta bom, foi mesmo. Deixa só eu pegar sua farda, um momento.
- Valeria!
- Oi Carlos.
- você viu o jeito do garoto?
- É eu vi, fazer o que, os tempos são outros.
- Como vocês contratam isso ai?
- Ah também não seja radical, vamos esperar para ver.
- Humm! Sei não hein, vamos ver.
- Filho, vem cá.
- Oi senhor.
- Você mora aonde?
- No Garcia.
- Humm! La o bicho pega.
- Não! Nem tanto, é tranqüilo.
- Você mora com quem?
- Só com meu irmão.
- Haaa! Ta bom, então vai lá se trocar.
- Que cara de drogado da porra!
- Filha da puta! Isso é um interrogatório é.
- Iai! 50 cent.
- Hiii! Qual foi rapaz? Que 50 cent? aquele bosta...
- Suas roupas, você curti hip hop é?
- Curto sim! Por que?
- Por nada, eu curto o estilo, mas não tenho coragem de mi vestir assim não.
- Por quê? Se você curte a parada não porque não usar.
- É, mas a sociedade discrimina muito.
- Que nada, tio.
- Quando você chegou o gerente ficou te olhando da cabeça aos pés, e balançando a cabeça negativamente.
- HAHAHAH! Já to acostumado com isso, muitos lugares que vou me olham assim, num ligo não .
- Cuidado que ele é safado, ele num foi com sua cara, e vai querer te queimar com a dona da empresa.
- Que?! To nem ai! To trampando tio, isso que importa. Um dia o preconceito mata ele.
- Com certeza ,irmão.
- Vamo trabalhar que é noiz.
- Vamo nessa.
- Cara, hora do descanso, vamos la tio.
- Pó, ta mó cedo, ainda to na disposição aqui,
- Nosso horário de descanso é esse tio.
- Então vamo, não quero confusão com o tiozinho não.
- Que som louco é esse ai tio?
- Isso aqui é rap do bom irmão, sabotage.
- Iiixii! Nem conheço louco.
- De boa irmão, vou descer, to na disposição aqui.
- Hei! Ta no horário de descanso não rapaz?
- Pó seu Carlos, eu to na disposição aqui pra trabalhar e já desci só fiz lanchar mesmo, tem algum problema aii?
- Não não rapaz! Ta ouvindo o que?
- Um rap! Só pra relaxa mesmo, algum problema ouvir um som?
- Não!
- Viu Carlos, bom começo do garoto não? só te digo uma coisa. olha o preconceito rapaz.
- Não mi enche Valeria

quinta-feira, 18 de março de 2010

2o Suburbano em Debate - Dia 1o de Abril e nem é mentira

TEMA: A produção literária na Periferia

MESA:
Sacolinha (autor dos livros: Graduado em Marginalidade e "85 Letras e Um Disparo")
Rodrigo Ciriaco (autor do livro: Te Pego Lá Fora)
Róbson Canto (autor do livro: Noite Adentro

Mediador: Alessandro Buzo (autor de 5 livros, entre eles "Guerreira" e "Favela Toma Conta"


Sacolinha


Rodrigo Ciriaco


Robson Canto (a dir.)

Data: 01 de Abril de 2010 - quinta-feira
Das 19h às 21h

19a edição do "Encontro com o Autor" com TONI C

O "Encontro com o Autor" é realizado pela Suburbano Convicto Produções na Livraria Suburbano Convicto do Bixiga.
A ideia é diminuir a distância entre o autor e seu público.

Na 19a edição o convidado é o TONI C, lançando o livro "Hip Hop à Lápis - Literatura do Oprimido". Coletânea com 60 autores.



Dia 10 de Abril de 2010 (sábado), das 15h às 17h
Gratís


Toni C e Alessandro Buzo

Literatura é a Cura

Acabei de ler "Sidarta" de Hermann Hesse...........................
Nunca tinha lido nada do autor, gostei, mais esperava mais........talvez não tenha escolhido o melhor titulo dele, aceito sugestões....
Estou lendo muito pouco porque tenho trabalhado demais, claro que isso não é desculpa, vou dar uma atenção melhor, afinal, estou com uma verdadeira lista de titulos para ler.

Blog do "Favela Toma Conta"


www.favelatomaconta.blogspot.com

Senhor da Limpeza

Por: Por: Emerson Al-Qalde
emersonalcalde@yahoo.com.br


Sou o senhor da limpeza minha função é tornar a cidade uma beleza.
Um lugar que não haja sujeira, que não exista encardido pelo caminho, chão branquinho. Comigo tudo ficarás puro e limpo, um campo limpo sem ângela, sem miriam e sem missionária em um grande Olimpo. Juntarei toda a bela Cintra num monte azul igual no sul com mariana, madalena e Ana rosa formando a árvore genealógica da família verde e azul.
Joga água lá pra cima! Vem, vem chegando a faxina! Varre, varre! Vou varrer! Ta me olhando assim por quê? Estou trabalhando e você? Vá pra lá! Onde ninguém possa te vê, lá sim poderás viver!
Vou tirar da Augusta a angústia da puta que pariu os filhos do café que agora abriga os da cana que parecem o povo de Gana que vêm no arrasta-pé.
Na paulista vou deixar a Bela Vista com o branco casarão e o negro barracão vai-vai lá pro Capão com o seu Bixigão. Só consolação, os jardins, os pinheiros, os campos belos. E uma nova Luz repleta de lírios amarelos com missa de Frei Caneca abençoando esse novo castelo.
Tenho que deixar essa praça, sem mancha, sem jaça. A República vai parecer Colônia. A garoa vai cair como neve sobre cedros, igualzinho na Polônia.
A palavra de ordem é revitalizar, ou seja, desanuviar, clarear. Uma política que realmente se diga; transparente. Aliada com o meio ambiente em uma separação por cor, reciclando idéias arianas que o socialismo ofuscou. Pela maneira mais correta e disciplinar da coleta seletiva também apagarão dos muros grafite e pichação e no lugar reprodução de obras renascentistas. E frases de Goethe e Nietzsche, educando os leigos pobres e tristes
As fachadas dos comércios terão estética refinada, referência a Bauhaus e sua arquitetura fascinada. Vidraças, cerâmica germânica. Nas rádios só se escutarão canções wagnerianas ditando um novo ritmo para o avanço da raça humana.
Ruas imaculadas moradores sentirão orgulho de residir e poder dar um passeio ver o asseio de madrugada ao lado de pessoas polidas e bem asseadas. E para completar esse lindo processo de higienização só faltarás adotar como idioma local: o alemão.

quarta-feira, 17 de março de 2010

1o Suburbano em Debate

Por: Tubarão (DuLixo), direto de Santos


Emicida, Max BO e Markão (DMN)

Salve todos(as)...ontem aconteceu em SP o 1º Suburbano em Debate idealizado e mediado pelo cara dos mil corres...Alessandro Buzo...o evento rolou em sua loja e livraria Suburbano Convicto...lugar que tá se tornando um espaço cultural no bairro do Bixiga...para esse primeiro debate colaram como debatedores... Emicida...Max B.O. e Markão do D.M.N.
O tema dessa primeira edição era O Rap em 2010, 2011...
onde os debatedores puderam expor suas expectativas e reflexões......"Que possamos saber adiministrar nossa música....para que erros do passado não voltem a serem cometidos"... é a preocupação de Markão integrante do grupo DMN um dos percursores do rap nacional..."Quando 50 mil pessoas cantaram comigo no show no sambódromo do Anhembi eu senti que a voz tem um peso...bateu forte no peito"...relembrou...Max B.O. que agora apresenta o programa Manos e Minas na Tv Cultura...tem 16 anos de rap...mais ainda sem um cd gravado..."Pô no rap sou pós Markão e pré Emicida..rsrsr...mas acho que agora chegou o momento de colocar um cd na rua". reflete o rapper que passou por vários grupos até seguir seu trampo solo...proveniente da improvisação trazendo uma nova forma de fazer rap"Minha mãe é pernambucana e tem parente repentista acho que vem dai a influência"...Emicida que ganhou esse nome nas batalhas de mc´s onde acabava com seus oponentes... já vendeu uma pancada de cd de sua mix tape produzido de maneiral artesanal. " Eu memo fazia a capa...comprava papel...cortava...colava..carimbava...e gravava o cd" e teve mais de um milhão de acessos em seus videos na internet...Cada um com seu estilo diferente...com visões otimistas para o futuro do rap...se cada um assumir seu papel irá fortalecer o rap... é preciso vários profissionais em diversas funções tão importantes quanto estar em cima do palco...gravadoras...equipes de bailes...produtores...só assim o rap cresce e caminha com suas próprias pernas... essa foi a mensagem que ficou do debate...além das histórias da caminhada de cada um...quem foi aprovou... mês que vem o debate será sobre literatura periférica com Rodrigo Ciriaco e Sacolinha já confirmados...coisa boa vem por ai...abraços...

Fonte: www.dulixo13.blogspot

Essência

Por: Francisco Sotero
franciscovilmario@yahoo.com.br


A prata reluz o brilho do metal precioso
Como o brilho do seu sorriso em seu rosto
Fulguras o semblante estontiante da sua foto na instante
Isso traz a paz como sê fosse um tranqulizante
Imagens frescas e singelas em minha mente num instante
Um raio cai eletrizante após a tempestade apenas pingos restantes
Observo interruptamente o conta gotas natural
Lembro como o seu beijo é trascedental chegando ser sobrenatural
O meu corpo no teu unindo o espiritual
Um amor conjugal e descomunal e sem igual
Olhares trocados e conjugado no verbo querer
Querer amar você, querer poder conversar com você, querer ri com você
Querer um dia ti ter nos meus braços
Confortanto tua cabeça no meu peito suado
De tanto fazer amor sem descompasso
Tudo muito belo, lindo nossos corpos se unindo
Em uma só nota musical
O canto dos pássaros no quintal
O cheiro das flores como tal
A tua presença com a sua essência na minha vida é essencial........

Caso Vagner Love

Por Alessandro Buzo

A pouco mais de uma semana, quando assisti ao clipe ENTERRO DO NEGUINHO do grupo de Brasília, Atitude Feminina, curti demais, só que entrei em contato com a Re.Fem (que dirigiu) e perguntei.....Vc sabe que esse clipe é um prato cheio aos críticos do RAP. O motivo: - Neguinho é um bandido sangue bom, aquele que rouba, mas faz a festa da comunidade onde mora, na sua quebrada é querido.
O clipe fala do seu enterro, pessoas chorando por ele, comoção. Mas será que não vai ser mal interpretado.........claro que vai, mas o argumento dela: - Quem nasceu na quebrada e não conhece um bandido sangue bom.
Outra coisa ela me disse: - Fizemos o clipe pra favela, não pra esses criticos, deixem que fale, a quebrada gostou.
OK, concordo.
Falei do assunto também no Fórum das Mulheres, com a Aninha do Grupo Atitude Feminina, ela me disse que a mensagem do clipe é: - Mesmo sendo sangue bom, ele morre, o que prova que o crime não compensa.
Logo em seguida de tudo isso, me vem pela mídia o CASO VAGNER LOVE, que subiu o morro escoltado por policiais armados.
Ontem vi pessoas como o Neto, comentarista esportivo da BAND, dizer: - A gente precisa ver quem a gente defende na TV, defendemos o LOVE quando ele foi agredido por torcedores do Palmeiras e agora ele vai na baile funk no meio dos bandidos.
O que a sociedade não entende, e os zé povinho como o Neto, é que se o cara que nasceu na periferia, como o Love. Se não vai no morro, dizem que perdeu suas raizes, se vai, será mesmo escoltado pelos bandidos, mas a culpa de ter bandidos armados, não é do Love, é das autoridades, se não tivesse bandido de fuzzil no morro, que iria levar ele até o baile, seria a comunidade.
Estar junto, no mesmo ambiente, não quer dizer que apoio, ou faz apologia, ou ainda que tem negócios junto.
O Brasil prefere pessoas como o REI Roberto Carlos, que tem milhares de senhoras fãs nos morros, mas não passa nem perto de um, não vai aonde o povo está.
Tiro por mim, quantos bandidos não conheço ou conheci na minha comunidade, o Itaim Paulista na Zona Leste de SP, quantos deles não ficam feliz de me ver, porque de certa forma ele é uma liderança no bairro e eu também (de outra forma). Mas cumprimentar, receber um elogio, não quer dizer que eu apoio o que eles fazem e muito menos quero nenhum envolvimento.
Quando comecei a promover o evento FAVELA TOMA CONTA, recebi contato de traficantes da região, querendo saber se eu precisava de alguma coisa, sempre disse que não, mas com jeito, pra não parecer menosprezo, só não quero ajuda e muito menos dinheiro, mas não posso ignorar e nem maltratar, porque o cara tem um poder e não vou ser eu que vou combater isso, problema das autoridades que nada fazem.
O José Neumane Pinto do Jornal do SBT Manhã de hoje, disse muito bem: - O problema de ter bandido armado é de quem deixa eles mandarem e desmandarem.
Bom ver alguém na imprensa dizer coisas assim, em vez de reproduzir a ze povinhagem e a hipocrisia que corre solta nas ruas, pessoas que criticam o LOVE e assistem BBB que não acrecentam nada.
Uma época, meu numero de celular espalhou numas cadeias, porque sempre mando livros, revistas e fanzines pro carcere, fique preocupado com isso, será que poderia acontecer algum problema por isso, por receber tantas ligações da cadeia, até que li o livro PCC A FACÇÃO, da jornalista Fátima Souza, ele me exclareceu, não é eu que não devo falar com quem me liga da cadeia e sim as autoridades que devem impedir eles de me ligarem.
O Caso do Love é apenas um cara que veio da favela e quer continuar indo nela, os bandidos estarem lá armados, não é culpa dele. É como ele disse: - Normal.
Em vez de crucificar o LOVE, acabe com o problema e não fiquem zé povinhando como o Neto e outros tantos.
Só falo o que eu penso, mesmo que nem todos concordem com isso.

Alessandro Buzo
alessandrobuzo@terra.com.br

terça-feira, 16 de março de 2010

Blogs impulsionam criação literária nas periferias

Reportagem: Jornal Mantiqueira, sul de Minas Gerais
publicada em 14/03/10

Literatura Marginal é fortalecida por meio da produção de textos em blogs por todo país
Por: Jéssica Balbino
jessica@mantiqueira.inf.br
www.jessicabalbino.blogspot.com

Jéssica Balbinojessica@mantiqueira.inf.brjessicabalbino.blogspot.com
Poços de Caldas, MG

Assim que se levanta, o escritor, empresário e agitador cultural Alessandro Buzo se conecta a internet e atualiza os oito blogs que tem. Às vezes ele posta, mais de uma vez ao dia, notícias e textos literários nos canais de comunicação que ele mesmo administra. Mas nem sempre foi assim, antes de ganhar o mundo virtual, Buzo foi vendedor e passou por maus bocados até conseguir lançar o primeiro livro de forma independente em 2000. Daí em diante, não parou mais e hoje já soma cinco livros publicados e mais três em processo de confecção, previstos para serem lançados ainda este ano. Atribui a divulgação do próprio trabalho aos blogs, por onde consegue efetuar vendas de exemplares de vários autores das periferias. Além disso, organiza coletâneas com a participação de escritores independentes de todo Brasil, com quem, normalmente, faz contato através de blogs. “O blog é uma ferramenta que impulsiona a literatura. Antigamente o texto ia para a gaveta e hoje vai para o blog. Pode ser lido por qualquer pessoa no mundo. Na gaveta ele morria e no blog cria asas”, considera. Nesta linha, Buzo mantém o blog Literatura Periférica, onde abre espaço para colunistas de todos estados do país, estimulando, mais uma vez, a criação literária.Um dos colunistas é André Ebner, da cidade de Cravinhos-SP. Há dois anos e meio ele tem o próprio blog, além de escrever frases e pensamentos para o Literatura Periférica. “A internet é uma ferramenta poderosíssima para a liberdade de pensamento”, considera o jovem que está escrevendo o primeiro livro de poesia. O escritor Jeferson, conhecido como Tubarão, da baixada santista, também é um dos colunistas do blog e já se lançou como escritor na coletânea Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil, organizada por Buzo. Para ele, que visita diariamente vários blogs de amigos e outros escritores, se um blog for direcionado, pode ser uma ferramenta impulsionadora da literatura. “É um meio que cada um tem de se expressar à sua maneira. É uma mídia livre”, pensa. No mesmo estilo há o blog Literatura Suburbana, que através do coordenador Israel Neto, faz publicações de livretos de poesias de vários escritores. “No último ano cerca de 30 escritores participaram do projeto e publicamos seis livretos, além de oficinas de produção literária e saraus”, define. Outro escritor e agitador cultural que atua na ‘blogosfera’ e promove a literatura é Michel da Silva. Atuante no movimento literário-cultural Elo da Corrente em Pirituba- SP, ele pensa que a literatura depende da relação do escritor. “Para ser viva, instigada e os blogs são uma ferramenta moderna para contemplar esta dinâmica. Estamos criando um movimento forte de comunicação”, coloca. Famoso por ser um dos pioneiros nesta arte, o escritor Ademiro Alves, conhecido como Sacolinha também tem um blog próprio, onde divulga a própria agenda de eventos e também os da periferia de Suzano – SP, onde vive e trabalha. “Se o espaço do blog for bem utilizado pelos autores das periferias, só tende a crescer e impulsionar ainda mais pessoas. Costumo ler os blogs antes mesmo de ler os jornais”. Filho desta geração, Danilo Henrique, de Salvador – BA é um adepto dos blogs e influenciado pelos escritores da literatura marginal, criou o próprio espaço que procura alimentar com textos da própria autoria. “Neste ano vou procurar 2010 maneiras de viver a vida e descobrir coisas novas. Uma delas é ter um blog, divulgar meus textos e me envolver com literatura”, pontua. A cientista social e pesquisadora do fenômeno da literatura periférica, Érica Peçanha do Nascimento diz que estes escritores desempenham atividades culturais conjuntas e divulgam os trabalhos uns dos outros, sobretudo nos blogs, onde recomendam livros e publicam entrevistas. O comportamento é justificado pela afinidade dos temas, do tipo de literatura produzida e da amizade. “A relação estabelecida entre suas produções literárias e uma determinada realidade social desencadearam relações de amizade entre eles e uma atuação cultural em comum”, acredita.

Isso revolta qualquer um...........

domingo, duas horas da tarde. a galera se preparando pra macarronada, o futebol da molecada - que rodou diante do palestra - e eu lá, na minha escola. mais os meus companheiros: os estudantes. para a retomada. volta aos ensaios do teatro. "um por todos, todos por um". aos poucos, vão chegando. somando. um daqui. mais dois acolá. e mais outros. time quase completo. conversamos, trocamos idéia. primeira tarefa, pegar os materias de cena e cenário.

rodo número 01: ontem
a sala que era nossa, nunca foi. constatei. nunca será? não sei. não foi agora. o que achamos foi o lixão. explico: final do ano passado, pedimos uma sala na escola para guardar nossos materiais. do teatro. de cena e cenário. nos foi concedido. aprovado em reunião do conselho de escola. mas este ano teve uma nova - pequenina - reforma. consertos, pinturas. e qual sala liberaram para os pedreiros, pintores ficarem, usarem, e guardarem suas coisas? a nossa. sem pedir, sem autorizar. e o que era material de cena, virou lixo. o que estava guardada em caixas, virou lixo. o que eram R$ 400,00 reais de investimento, do nosso bolso, virou lixo. tudo o que tinha valor sentimental, foi jogado no chão. furtado. como se não fosse nada. sujo. respingado. pintado contra a vontade. largado. como se não tivesse valor. para o nosso grupo de teatro tinha. a galera da trupe ficou arrasada. não houve mais clima para ensaio. houve clima para revolta. tristeza, insatisfação. e comprometimento do espetáculo. talvez do grupo? não. da minha parte não. nóis enverga mais não quebra. e alguém há de pagar o prejuízo. ah vai.



rodo número 02: hoje
na quinta-série, mais um aluno. grande, alto. 14 anos. um gigante perto da molecadinha. quinze anos talvez. te juro, eu pensei: caraca, jogam um estagiário na sala e nem me avisam. não era. era outro aluno. veio de outra escola. e com aviso, de um menino da sala: professor, ele não sabe escrever. nem ler. puta-que-pariu, pensei. mais um, que não sabe escrever. junto com os outros três, dez, vinte, que estão na quinta-série e também não sabem. não aprenderam. e eu não sei ensinar. direito. não me educaram pra alfabetizador. a Academia não me ensinou. bosta, o que eles sabem disso aqui? e a turma de reforço, ainda não saiu. será que sai este ano. minhocas na cabeça, frustração me pegando. talvez.

rodo número 03: a noite
a conta, quase no vermelho. o aluguel ainda não foi pago. e tenho que fazer compras no mercado. o básico. preciso comer. não pego nem carrinho, vou na cestinha. hoje é metade do mês, não posso gastar mais de vinte reais para o básico. pra não estourar demais o orçamento. vou de cestinha na mão. uma bolacha aqui, um suco ali. um leite acolá. uma fruta. um pão e tal. e vou contando. porra, tá passando. e vou pegando. não o que quero, mas o que o dinheiro dá pra comprar. não o que o dinheiro dá pra comprar, mas o que estou precisando. não o que estou precisando, mas o que a contabilidade não dá no bolso. resultado: 12 produtos, trinta e cinco reais. tiro dois. três. trinta reais. posso? não tenho direito nem de escolher direito o que quero comer? que merda é essa?

rodo número 04: agora
sentimento de frustração. salário de merda, vida corrida, ânsia da luta e vários contra. vários bola fora. eu penso: quando o bicho pegar, não me chame. também estou sozinho. ou assim me sinto. ou assim estou. persistindo. com vários rodos. cotidiano. e tem hora que as pernas fraquejam. tem hora que dá vontade de quebrar. gritar já não basta. tem hora que dá vontade de correr. sabendo ainda que o bicho pega. não tem jeito. sento a bunda e escrevo. é o único jeito de passar o pano. aliviar os plano. nessa vidinha de merda que a gente não querendo leva. nesse rodo quase insano. cotidiano. que vamos levando.

o barato é mais ou menos assim...

FONTE: www.efeito-colateral.blogspot.com

Site Oficial Alessandro Buzo



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Na fila!

Por: Danilo Henrique Santana de Moraes
danilo_creze@hotmail.com


Quatro da manha.
dona Ligia sai do bairro de Castelo branco, rumo ao centro de Salvador.
Está indo resolver a situação de seu marido Batista no INSS.
Ao sair ás ruas de seu bairro fala com alguns conhecidos.
- oi dona Ligia – fala o conhecido dono da padaria – ta indo onde com tanta pressa a essa hora?
- to indo ao INSS para dar entrada no beneficio do Batista..
- Hum então, não se demore não, que lá é só para amanha, minha amiga!
Ela se despede com um até logo e segue seu caminho.
Quase uma hora no ponto e o ônibus chega, atrasado.
Logo entra reclamando horrores com o cobrador.
- Que demora da porra é essa rapaz ! pensei que não ia chegar, essa empresa ta cada vez pior hein.
O cobrador, sem responder, entrega o troco, de cara feira e xingando-a toda por dentro.
O ônibus não tão cheio, entretanto, é mal cuidado e faz dona Ligia exclamar para ela mesma.
- Pagamos dois e trinta para anda numa carroça dessas. Que prefeitura miserável essa, que porra!
Quase uma hora de viagem depois e ela chega a estação. A agencia não é tão longe dali. Mas, apressada corre pela estação e acaba levando um tombo feio na escada.
Não se machuca, no entanto, o atraso do ônibus e a condição de viajem se unem ao tombo e ela explode em raiva.
- Que desgraça! Porra.
O grito faz com que as pessoas que assistiram a queda caiam na gargalhada:
- Vai maluca! Gritam algumas pessoas, que fazem as risadas aumentarem pela estação.
Em meio aos sarros e gargalhadas ela segue andando apressadamente. E
Sem graça, ela sai da estação.
Não tem nenhuma surpresa, quando chega na agencia. já sabia o que iria encontrar: uma fila imensa e muita desorganização.
São mais de seis da manha, e ainda não tinham começado a entregas as senhas. Se acomoda na fila e pergunta a senhora que esta na frente.
- Que horas começam a entregar as senhas, por favor?
- As sete e meia, responde a vizinha da fila.
- É cheguei cedo então, ainda bem.
- Hum sei não hein. parece que só vão entregar quarenta senhas. estou aventurando que algumas pessoas saiam da fila.
- iiiiixiiiii ! hoje não é meu dia!
- O ônibus já chegou atrasado ainda era uma carroça, para completar tomei uma queda feia na estação.
Dona Ligia falando e falando, mas ninguém da atenção. o tempo passa e algumas pessoas acabam desistindo, o que faz ela ter a chance de pegar uma senha.
Sete e meia e nada das senhas começarem a ser distribuídas, o pessoal começa a se irritar com aquela situação.
Oito e o clima fica cada vez mais tenso, o pessoal, revoltado, começa a xingar e gritar, dando inicio do tumulto na agencia. o pessoal resolve sair para começar a entrega das senhas.
Quando pensava- se que o clima vai amenizar, a gritaria começa: estão furando fila.
Mas, mesmo assim, a entrega de senhas continua.
Dona Ligia consegui pegar a senha, mas o tumulto toma proporções não esperadas e acaba em pancadaria, o pau come solto. ela leva um empurrão e cai no chão. E a segunda vez naquela manha.
- Meu deus, mas o que é isso? desse povo? – fala a senhora.
E neste momento que a policia chega e já vem. Atinge os idosos, as senhoras de idade... tudo por causa de rapazes que queriam entrar primeiro na agencia.
A baderna resulta na suspensão do atendimento e dona Ligia não consegui resolver a situação do marido, que por conta de um acidente de trabalho esta impossibilitado de trabalhar.
Sem nada a resolver, volta para casa. Toma um ônibus de pior condição e ainda no prejuízo de duas quedas e se passando por maluca.
(...)

ROCK HIP-HOP.

Por: Manogerman.

Minha vida foi andar,
pelas estradas da vida.
Pelos caminhos que eu passava,
construía meu ninho,
curtia rock e bebia vinho.
Hoje em dia vivo de historia
e o rock ficou na memória.
Os meus heróis passaram da hora.
Não ando mais pelas estradas.
Fico guardado em meu quarto
da periferia, onde tento fazer
minha história entre livros de
contos, poemas e antologias.
Eis que ouço um som cheio de magia
vem de frente do meu portão,
é da casa do Pezão.
Não é rock, é apenas palavrão.
Não! Não é palavrão
é a realidade de uma nação
falada entre os irmãos.
Que som bom?
È um movimento.
É a poesia em procedimento.
E todos podem, falar e cantar.
O hip-hop.
Este é o som.
Que veio relembrar o rock,
dos hippies e dos excluídos,
do faça amor, não faça guerra.
O hip-hop.
A poesia para ser eterna.
Valorizar a vida dos que habitam
a periferia, que era triste e vazia.
E que agora com o hip-hop, brilha!
Dos que não vive na cidade
e só querem oportunidades.

Germano Gonçalves (O urbanista concreto).
escritor.
ggarrudas@hotmail.com

segunda-feira, 15 de março de 2010

domingo, 14 de março de 2010

Claudia Canto (Novo livro) - CIDADE TIRADENTES DE MENINA A MULHER

Um dos grandes bolsões de São Paulo, onde cerca de 60% da população é de origem negra. O maior complexo habitacional da América Latina, com cerca de 40 mil unidades habitacionais.
Quando foi inaugurada, não se previa que a área pudesse se tornar...
Paro por aqui!
Não quero começar assim como um relato geográfico de uma estatística fria, como se fosse apenas números, como se não tivéssemos vida, dor amor saúde e flagelos.
E o que de concreto isso significa?
Significa essencialmente, que antes da Cidade Tiradentes surgir na ninha vida, o cenário era sombrio.
Ela nos tirou de um recôndito de tristeza e desatino.
Meu antigo lar eram apenas dois compartimentos pequenos e mal iluminados, e com isto a cor predominante era a penumbra. Era ali naquele ambiente que cohabitarmos com ratos e baratas, que se escondiam nos buracos do assoalho de madeira, que tentávamos fechar com jornais velhos, mas nossas artimanhas não adiantavam, porque a noite bem de noitinha, eles saiam sempre para nos visitar.
* Trechos do livro Cidade Tiradentes de Menina a Mulher
De Cláudia Canto

Breve lançamentos: Galeria Olido, CEUs Inácio Monteiro, Cidade Tiradentes, Assembleia Legislativa, e outros a confirmar

Contato autora: claudiacantos@hotmail.com

sábado, 13 de março de 2010

A queima roupa

Samuel da Costa
Po: samueldeitajai@yahoo.com.br

l
Raimundo Nonato Corrêa raramente sorria quando estava trabalhando, mas naquele dia seria diferente. Na opinião de Raimundo, a instrução era a pior parte de ser um policial militar. E de fato, se arrastar na lama e, entrar em tubos de esgotos e sentir o odor do gás de efeito moral lhe invadir os pulmões não era nada agradável. Os familiares de Raimundo, principalmente os mais velhos, não gostavam da ideia de ter um membro da família na ‘’volante’’. Por isso tinha certas coisas que Raimundo sentia, mas não se atrevia a fazer perguntas. O que sabia do passado dos seus, era que eles vieram do nordeste a tempos atrás, vieram para sul tentar vida nova. O que deixaram para trás, além da pobreza extrema, não o interessava, mas o incomodava e incomodava muito. Era um sentimento angustiante e, era só isso e nada mais. E naquele dia em especial, aonde o sol abrasador acima da cabeça de Raimundo parecia lhe torrar as ideias, as ordens do seu instrutor, suavam como música em seus ouvidos. Alguma coisa gritava em seu ser, um sentimento animal urrava na sua mente. Uma ideia fixa lhe invadia a mente.
– As senhoras hoje vão testar suas habilidades mais profundas! Os berros do sargento explodiam nos ouvidos por Raimundo, de repente um sorriso brotou na face morena do soldado.
– O que as senhoras e as senhoritas têm em suas mãos é um Fuzil Automático M964 FAL, calibre 7,62mm, uma peça genuinamente brasileira e, recém saída das caixas. E eu quero respeito, ao segurar esta obra de arte genuinamente brasileira. – Os soldados estavam todos sujos e com um zunido nos tímpanos, devidos aos diversos disparos realizados pela peça de artilharia. Ao se aproximar do soldado, Raimundo, o instrutor de tiro leva um susto. Além, de acertar todos os tiros, Raimundo, demonstrava um frieza de um atirador de primeira linha. Uma frieza que o sargento poucos vezes vira em seus muitos anos de instrução, principalmente em um aspirante. Raimundo, com toda a certeza, era melhor que ele com uma arma nas mãos. Isso não batia com os rumores que ouvira do restante da tropa, que Raimundo não fazia jus à farda que vestia. Ocupado em seus devaneios, o sargento não notara que soldado, Raimundo, coloca uma bala no bolso. Nesse momento um sorriso lhe brota na face.
ll
– Cabra safado...
Foi a última coisa que o soldado Carvalho escutou, após a bala de fuzil lhe atravessou a bochecha e se perder no vazio. E enquanto caia, veio à imagem em sua mente, da ordem que recebera do coronel Moreira Cesar: – Quero esse Paraíba fora da corporação secreta...
E assim foi feito, o promissor soldado Raimundo Corrêa sofreria uma serie de injurias e pequenas provocações. Levados ao extremo, no passar dos dias, semanas, meses e por fim de um ano. E em certas regiões do Brasil, uma ofensa pessoal se resolvia a bala. E um tiro na cara, era a forma de revidar certas ofensas de cunho pessoal em certas regiões do Brasil. E naquele sete de setembro, com sua costumeira saudação à bandeira. Com toda a corporação perfilada, Raimundo Corrêa sentido o sangue ferver. E dando vazão a todo o seu ódio acumulado, se vira para o soldado Carvalho ao seu lado e lhe aponta o fuzil carregado. Tinha que dar um tiro na cara ‘’do cabra safado’’ na frente de todos...

Como surgiu a atual Literatura Marginal, periferica, divergente.........

Um nova amiga do interior da Bahia, está descobrindo agora a literatura produzida na periferia e além de comprar alguns livros na Livraria Suburbano Convicto (deposito bancário x sedex), quer saber de mim, mais sobre o assunto e a primeira questão dela foi..........como surgiu a Literatura Marginal.....abaixo o que respondi a ela sobre o assunto. Nas minhas palavras é claro...........


Antigamente existia a Literatura Marginal, mas era pessoas da classe média que escreviam questões do povo, como Plinio Marcos, João Antônio, esses hoje são referência pra gente......mas a atual LITERATURA MARGINAL (adianto que nem todos autores perifericos gostam desse nome), teve início com o livro Capão Pecado do Ferréz e depois que ele lançou a revista especial CAROS AMIGOS/LITERATURA MARGINAL (teve 3 atos, participei do Vol I e VOL III).....depois virou livro pela Agir "Literatura Marginal - Talentos da Escrita Periferica", do qual participei também.
Antes disso tinha o livro do Paulo Lins "Cidade de Deus", não era "tão" famoso antes do filme......................
Na sequência venho "EU" que vos falo, Alessandro Buzo, que lancei o meu primeiro livro em dezembro de 2000 - "O Trem - Baseado em Fatos Reais"........o Sérgio Vaz já tinha livros anteriormente também, mas ficou "mais" conhecido depois que fundou o Sarau da Cooperifa, 9 anos atrás........e na sequência lançou Poesia dos Deuses Inferiores e depois Colecionador de Pedras.
A cena cresceu, outros saraus surgiram na periferia de SP e ajudou e muito a propagar a palavra.........dando ao movimento um BOOOM, depois foram surgindo outros livros, a maioria independente e nomes como Sacolinha, Allan da Rosa, Robson Canto, Dinha, Akin Kinte, Elizandra Souza, Rodrigo Ciriaco entre outros.
Por grandes editoras, além dos livros do Ferréz e MV Bill, surgiu a coleção "Literatura Periferica" da Global Editora e a "Tramas Urbanas" da Aeroplano, a primeira até agora com 5 titulos, entre eles o meu Guerreira e a outra com mais de 10 titulos, entre eles o meu "Favela Toma Conta", no momento escrevo para mesma coleção "Hip Hop - De Dentro do Movimento"..........a cena só cresce e cada vez mais manos e minas lançam seus titulos, quantos irão dar continuidade e lançar o segundo, só Deus e o tempo poderão nos dizer.
Mas a nossa luta é por mais cultura na quebrada, Desligue a TV e leia um livro.
É mais ou menos assim que aconteceu, assim que surgiu a nossa literatura, que pra mim, apesar de aceitar todos os nomes, é apenas LITERATURA.
Alessandro Buzo
www.buzo.com.br

quinta-feira, 11 de março de 2010

Só debatendo vamos progredir.....uma atividade que venho pra ficar e fazer barulho.



Clique na imagem para ampliar...........

Proximas mesas..........
01/04/2010 - Tema: A produção Literária na Periferia
Mesa: Confirmado até agora o escritor Sacolinha.

Depois teremos.....comunicação no Século XXI, cinema na periferia, sarau - O mundo das palavras e muitas outras, duas vezes por mês.
Sempre na Livraria Suburbano Convicto no Bixiga e mediação de Alessandro Buzo

Cenas do Cotidiano

O ônibus IV – A integração
Por Jéssica Balbino*
jessica@pocos-net.com.br


Entra no ônibus e nem olha para o motorista. Está puta. A condução passou com quase 30 minutos de atraso.
- É esse novo sistema. Vou me ferrar e ainda por cima vou tomar um fumo do meu chefe. Desse jeito minhas chances de seduzi-lo vão acabar. Já não fui trabalhar na sexta-feira e agora vou chegar atrasada – pensa consigo mesma enquanto procura o dinheiro na bolsa para pagar a condução.
Passa pela roleta e continua reclamando internamente. Não tem lugar para se sentar e todos dentro do ônibus comentam o novo sistema de transporte implantado.
Ela ainda não teve tempo de pensar sobre isso. Ficou remoendo o fato de tão ido ao show da dupla sertaneja preferida.
Conseguiu que o namorado a deixasse ir. Conseguiu também que ele pagasse. Mas, a gripe que pegou por ter andado na chuva na última quinta-feira a derrubou na cama por todo fim de semana.
Enquanto tomava chás quentes e media a febre, ficou a pensar que a pior febre era a interna, provocada pelo desejo de ser novamente encoxada pelo estranho que a bolinou numa das viagens da última semana. Só de pensar ela sente o calor lhe queimar por dentro. Ainda não conseguiu esquecer e não sabe o que fazer para encontrar o tal homem.
Não consegue se encostar em canto algum e é obrigada a se sustentar nos próprios saltos. Pela primeira vez, se odeia por ter que ir trabalhar toda arrumada. Sabe que nunca vai conseguir chegar no serviço parecendo uma executiva ou administradora. Não há salto, roupa passada ou cabelo arrumado que resista a um ônibus cheio.
Esta é também a primeira vez que não consegue se concentrar em si própria. Vê que todos os lugares estão cheios e sabe que a chance de que alguém se levante no meio da viagem é nula. Sabe também que vai chegar fedida no trabalho.
Começa a se lembrar das contas que tem para pagar, mas é desconcentrada por duas senhoras que reclamam do novo sistema.
- É atraso em cima de atraso. Os ônibus estão cada vez mais cheios e o valor da passagem para quem não tem o cartão é bem acima do preço – diz uma delas.
- É verdade. Ouvi dizer que vão colocar fogo nos ônibus. Morro de medo – completa a outra.
Ela se põe a pensar sobre isso. É também a primeira vez que numa viagem de ônibus pensa em algo diferente do que a própria vida. Não tem opinião formada e não sabe bem o que quer. Tampouco como o sistema irá afetar a sua vida.
Outras pessoas entram no ônibus. Um homem grita com o cobrador e chama atenção de todos. Ele afirma que o sistema debitou R$ 2 ao invés de R$ 1 do cartão dele. O cobrador é mal educado e o homem parte para cima dele.
O motorista até que gosta da situação, afinal, ele detesta aquele cobrador novo e metido a inteligente. Odeio os puxa-saco do patrão e como está para se aposentar, nem se preocupa com a insatisfação de todos. Quer mesmo é parar de trabalhar.
Alguns idosos se esforçam para se afastar da briga, mas é inevitável que tomem cotoveladas, socos e alguns pontapés. Jovens estudantes também partem para cima do cobrador, que fica acuado no alto da própria cadeira.
Os passageiros que seguram crianças no colo pedem para descer, mas o motorista se nega a abrir a porta e como o ônibus já está lotado, são quase 200 pessoas num espaço que cabe apenas 80, não para nos próximos pontos.
Tem a mãe, a mulher, as filhas e todas as gerações xingadas pelos ocupantes do transporte.
A moça não sabe como reagir. Tenta voltar aos próprios pensamentos, às contas que tem a pagar, ao chefe que pretende seduzir, ao outro cobrador que a paquera, ao tarado que a encoxa e faz gozar, ao namorado que ela tem apenas por comodidade, aos sonhos de ter um carro e fugir daquele inferno, mas simplesmente não consegue pensar.
Tem vontade de abandonar tudo. De se casar e viver longe dali. De não precisar mais trabalhar. Odeia pegar ônibus. Sente vontade de descer ali mesmo e sabe que não pode. Fica ainda mais irritada quando os jovens partem para cima do cobrador e passam por ela sem notá-la.
- Será que estou feia? Ninguém nem me cantou hoje. Ninguém reparou em mim. Faz 20 minutos que estou dentro deste ônibus e nenhum homem se aproximou – constata, bastante insatisfeita e começando a ficar preocupada.
Contudo, rapidamente tem o pensamento desviado porque uma senhora analfabeta percebe que está no ônibus errado. Por não saber ler, pegou uma linha no sentido contrário. Ela começa a gritar e xingar tudo e todos.
A moça quase se comove, mas deixa de pensar nisso quando a marmita do cara ao lado estoura e molha o pé dela.
- Puta que pariu hein ! Toma cuidado com essa comida podre. E agora? Como vou trabalhar ? – berra.
O cara se desculpa e tenta recolher a comida.
O ônibus chega ao itinerário. Ela chuta a comida e a marmita na mão dele. Que fica sem graça e só pensa que ficará sem comer até o almoço do outro dia. Ele não tem dinheiro para almoçar.
Ela nem liga para isso. Corre para tentar limpar o sapato antes de embarcar no próximo ônibus. Vê que já está mais de 1h atrasada. Se divide entre limpar o pé sujo de macarronada e vigiar se o próximo ônibus não chega.
Se sente pobre. Se sente igual aos demais ali. A superioridade que sempre comprou para si em 72 parcelas de bolsas, sapatos, roupas e celulares fica mínima perto da dependência daquele novo sistema de transporte infernal que ela tem que agüentar e se sujeitar.
Se odeia. Odeia não ter sido xavecada nesta viagem. Odeia o negro que deixou a marmita estourar no pé dela. Quase sente pena de si mesma. Vê o ônibus chegando. Corre, tenta se sentar e é empurrada pela bengala de um deficiente físico.
Ele joga o corpo no banco e se acomoda. Mais uma vez ela vai em pé. Paga o dobro pela passagem por não ter o cartão.
Quando chegar na empresa, vai pedir reembolso, senão, nada de almoço no restaurante da esquina.
Tenta lembrar do êxtase que sentiu ao ser encoxada, mas logo é acordada do devaneio –por quem entra no ônibus e tenta se acomodar. Ouve as reclamações e mais ameaças e incêndio contra a empresa concessionária do transporte.
Uma mulher puxa papo:
- Nossa, ficou tão ruim esse transporte né, moça?
- Pois é.
- Onde eu faço o cartão?
- Não sei, paguei em dinheiro.
- Esses mercenários da empresa só pensam neles. E ainda tem estes motoristas e cobradores mal educados.
- É.
- Você está indo para onde?
- Trabalho.
- Sim, mas onde fica?
- No centro.
- Uai, este não é o ônibus da zona leste?
- Não. Esta escrito ali.
- É que eu não sei ler, sabe?
- Aham.
- E agora?
Se vira e deixa a mulher falando sozinha. Odeia analfabetos. Apesar de ler apenas o necessário, não gosta destes miseráveis. Acha que eles atrasam o mundo.
Vê uma jovem, assim como ela, arrumada para trabalhar. Ela se apóia de alguma maneira e abre um livro de capa azul. Não tem nada escrito.
Se põe a imaginar como deve estar interessante para ela ignorar o que se passa a própria volta. Não consegue. Odeia também quem lê demais.
- Deve se achar inteligente – pensa.
Percebe que novamente nenhum homem a cantou. Nem mesmo o mocinho que vai em pé ao lado dela conversando com uma gordinha. Eles tem um papo meio socialista sobre como o sistema de transporte poderia ser mais eficiente se fizesse algumas mudanças.
Ela os odeia também, afinal, não consegue acompanhar o raciocínio. Não vê a hora daquele dia acabar e ela se deitar e sonhar com o tarado estranho.
Esta parte do itinerário transcorreu sem brigas e os 25 minutos duraram menos do que era esperado. Ela desceu e correu para o trabalho. Não vê a hora de voltar às 18h.
(...)
Entra no ônibus as 19h30 e tenta conter as lágrimas. Só não consegue esconder o rosto vermelho de choro prolongado.
Passa na roleta e ao ver que não conseguir se sentar, desiste de manter a pose e soluça alto, desejando que o cobrador fosse aquele idiota que a xavecava eternamente.
- Por onde ele andará? – se pergunta.



* Jéssica Balbino – mineira, 24 anos, moradora da periferia de Poços de Caldas, jornalista formada, autora do livro Hip Hop – A Cultura Marginal, integrante do livro Suburbano Convicto – Pelas periferias do Brasil

quarta-feira, 10 de março de 2010

Texto que escrevi especialmente pro dia das mulheres, publicado no Site Radar Urbano

O Radar Urbano (www.radarurbano.com.br) fez um convite ao mestre (palavras deles do Site) Alessandro Buzo para que ele escrevesse um texto para homenagear todas as mulheres nessa data tão especial que é o dia de hoje.
Prontamente veio um sim por parte de Alessandro Buzo e você confere nas linhas abaixo o texto Mulheres Guerreiras.
O Radar Urbano deseja um Feliz dia das Mulheres a todas aquelas guerreiras que estão conosco dia após dia.


Mulheres Guerreiras
Por: Alessandro Buzo

Falar das mulheres é uma missão especial, afinal elas são muito especiais.
Guerreiras, batalhadoras, mães, esposas, enfim, sempre segurando a onda, seja uma ondinha ou um tsunami.
Não existe nada mais sagrado nas periferias do que a figura da mãe.
Por que ?
As mulheres, diferentes de muitos “homens”, não abandonam.
Quantas não criam seus filhos sozinhas………..muitas.
Elas hoje estão conquistando cada vez mais espaço e são destaques em várias frentes, mas será que alguma coisa mudou, a machismo acabou ? Acho que infelismente não.
A Lei Maria da Penha inibiu os maridos violentos ? Muito pouco.
A gente vê com frequencia na TV, casos de violência contra a mulher, muitas vezes motivadas por homens que não aceitam o fim de um relacionamento, mas porque acaba ?
Acaba porque muitos não dão valor enquanto tem e querer retomar a força quando perdem.
Cresci numa sociedade onde parece normal o homem ser infiel, na verdade é o início do fim, porque a traição é a base da maioria dos casos de fim do casamento.
Falando na sociedade machista que vivemos, quantos manos você conhece, que são casados e ninguém nunca viu sua esposa ? São muitos os casos, de homens que estão em festas, eventos, sem nunca ter a presença da sua esposa, essa deve ficar em casa cuidando de tudo. Menos junto dele, nunca compartilhando.
Sou contra essa postura e me orgulho de ter uma mulher que se faz presente, quebramos juntos vários tabus, porque as pessoas estranhavam a Marilda Borges sempre ao meu lado, até tiravam barato, mas hoje, depois de 10 anos de carreira, sempre com ela do meu lado, muitos se acostumaram e nem estranham mais.
Minha mulher é quem cuida da realidade para eu poder sonhar, mas não precisa cuidar dessa realidade em casa, pode estar ao meu lado.
Quantas vezes não paguei sua passagem para ela poder me acompanhar numa viagem.
Conheci casais que se diziam modernos: – Cada um faz o que quer.
Mas hoje não estão mais juntos.
Conheci homens que diziam que fazem o que quiserem e vão onde quiser. Mas não estão mais juntos. Porque uma hora enche estar no segundo plano e muitas mulheres dizem não a isso, depois que perdem os caras correm atrás, muitas vezes é tarde demais.
Não vejo minha vida sem minha nega do lado, somos um só.
Do nosso amor nasceu meu maior tesouro, nosso maior tesouro, seu nome, Evandro Borges.
Mas não podia escrever sobre as mulheres sem citar a maior guerreira que já vi, em memória de minha mãe, Luzia Buzo.
Ela cuidou e educou dois filhos, quando meu pai foi embora e nunca mais voltou, obrigando ela a deixar uma vida de 20 anos como dona de casa e indo a luta, trabalhou como doméstica e depois funcionária pública, até o final de sua vida, tentando dar o melhor a seus dois filhos, eu e meu irmão Alvaro.
Por ela talvez a gente não tenha caido no crime, ela era bem clara quanto a isso: – Não quero ver filho meu na cadeia.
Por mais que tenhamos feito um monte de merda na adolescencia, nunca passamos do limite por respeito a ela.
Minha mão Luzia Buzo é o maior simbolo de dignidade que conheci e pra sempre estará guardada em meu coração, ela teve o prazer de ver eu lançando meu primeiro livro, de ver minhas primeiras conquistas, na verdade era um resgate, a cultura me resgatou das drogas e do caminho triste. Somando a isso minha esposa, hoje sou um homem de bem, que cumpre suas obrigações e é um pai presente, porque não acredito em revolucionário que abandona seus filhos e quer salvar o mundo.
Admiro várias mulheres, mas se for citar nomes, com certeza esquecerei de algumas, então no dia da mulher…………meu texto especialmente escrito pro Radar Urbano, vai em homenagem as duas mulheres da minha vida, Luzia Buzo e Marilda Borges, amo vocês do fundo do meu coração e obrigado por fazer de mim um homem de bem, um bom marido (eu acho), e um bom pai (tenho certeza disso).
A todas as outras mulheres, obrigado por vocês serem tão guerreiras e lutem por igualdade porque o machismo não está com nada.
Viva as mulheres !!!!!!

Alessandro Buzo
www.buzo.com.br
alessandrobuzo@terra.com.br

Blog do "Buzão"


www.buzaotv.blogspot.com

terça-feira, 9 de março de 2010

NOSSA SENHORA DA ESQUINA

Por: O AUGUSTO
cirilolins@gmail.com



Morreu ontem,
com muita dignidade,
a puta mais velha da cidade.

Da sua idade
não estou bem certo,
mas sei que dos oitenta
chegou perto.

Veio a morte
pela parede fria
do seu quarto,
onde jazia
um quadro de São Jorge.

Usava um antigo
vestido vermelho,
mesma cor do batom
na boca,
que nunca abriu
pra falar mal do governo.

Por esposas iradas,
mas de uma vez,
foi desafiada.
Sofreu sevícias
na mão dos homens
da policia.

Um cliente muito terno,
que escrevia poesias
em um caderno,
lhe jurou amor eterno.
Deu jóia,
roupa cara
comida para o sustento...
Mas ela fugiu
quando ele propôs a ela
um casamento.

Ela não se contentava
com paixões reles.
Não queria ser tratada
igual as outras mulheres.
Que se vendem para os maridos,
pr´os patrões e para os filhos;
em suas sinas resignadas...
A troco de nada!

Preferiu os bregas,
o Parque do Ibirapuera
e idas ocasionais a São Vicente.

Sempre achou deprimente
visitar o filho no domingo.
Macarrão
Faustão
e a nora tida como santa.

Espanta
esse critério
que define
o que é
e o que não é
sério.
A puta mais velha da cidade...

Morreu sem alarde
sem companhia.
Morreu de pneumonia;
mas não houve melancolia
e nem luto.

Com sua morte anunciada,
as putas os putos
largaram as calçadas
do Trianom
e foram fazer folia
lá longe, na periferia,
em que ela morava.
Foi um grande frissom!!!

Teve festa com seresta
com samba e com cachaça.
Veio criança, velho,politico...
E até o padre, sumido,
deu o ar da sua graça.

Todos celebraram a passagem
daquela dama fina
que um dia
saiu menina
do raio da silibrina.
E agora é canonizada
a Nossa Senhora da Esquina.

BIG BROTHER BRASIL

Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria,
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia.
Dá valor ao que é banal,
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo, não vejo
Um programa tão "fuleiro",
Produzido pela Globo,
Visando Ibope e dinheiro,
Que, além de alienar,
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro,
Que está em formação
E precisa evoluir,
Através da Educação.
Mas se torna um refém
Iletrado, "zé-ninguém"
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão,
Lá está toda a família,
Longe da realidade,
Onde a bobagem fervilha.
Não sabendo, essa gente
Desprovida e inocente,
Desta enorme "armadilha".



Cuidado, Pedro Bial,
Chega de esculhambação.
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação.
Deixe de chamar de "heróis"
Essas 'girls" e esses "boys"
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval.
Pois tiveram que lutar,
Pra manter e te educar,
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal,
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio,
Porque, quando você fala,
A sua palavra é bala,
A ferir o nosso brio.

Um país, como Brasil,
Carente de educação,
Precisa de gente grande
Para dar boa lição.
Mas você, na Rede Globo,
Faz esse papel de bobo,
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bial,
Nosso povo brasileiro,
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro.
Dá muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade,
Neste momento atual,
Se preocupa com a crise
Econômica e social,
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.


Esse programa da Globo
Vem nos mostrar, sem engano,
Que, tudo que ali ocorre,
Parece um zoológico humano,
Onde impera a esperteza,
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas,
Sem critério e sem ética,
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética,
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente,
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial:
O que vocês tão querendo
É injetar o banal,
Deseducando o Brasil,
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude,
Que precisa de esperança
Educação e atitude.
Porém a mediocridade,
Unida à banalidade,
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas,
Num espaço luxuoso,
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos”, na piscina,
A gastar adrenalina,
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”,
Deixando o povo demente
Refém do seu poder,
Pois saiba que, "a exceção"
(amantes da educação),
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um "mercador da ilusão",
Junto à poderosa Globo,
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita, no seu labor,
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos,
Que estão nessa cegueira,
Não façam mais ligações,
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo,
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil,
Que em nada contribui
Para o povo varonil,
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor,
Que nós somos os culpados,
Porque, saem do nosso bolso,
Esses milhões desejados,
Que são ligações diárias,
Bastante desnecessárias,
Pra esses desocupados.

A loja do BBB,
Vendendo só porcaria,
Enganando muita gente,
Que logo se contagia
Com tanta futilidade,
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco,
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração,
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2010.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Quem são os loucos modernos ...

Acordei de madrugada, entrei na internet, liguei a TV......
Uma matéria falava do Chacrinha, nem sei que programa era, estava acabando, então começou o filme Bicho de Sete Cabeças, inspirado no livro Canto dos Malditos do Carrano (faleceu ano passado), o livro é baseado na história real do Carrano e o filme baseado no livro, o pai dele ao descobrir que o mesmo fumava maconha, internou ele num hospital psiquiátrico (hospicio) onde ele foi enlouquecendo de tantas drogas e maus tratos.
Já tinha visto o filme muito tempo atrás, revi.
Mas o titulo desse texto (quem são os loucos modernos), nada tem a ver com o filme e sim com entrada ao vivo do BBB no intervalo.
Mano, quem assiste uma merda dessa, deveria ser internado num hospicio como o do filme e tomar eletrochoque na bunda.
Por Deus, onde vai parar nossa sociedade, quem é normal e quem é doidão.
Será que é normal por 10 anos milhões de brasileiros assistirem essa porcaria de reality show ....dar uma puta audiencia pra um lixo desse.
Não consigo entender de dentro da minha humilde opinião como pessoas normais, assistem a isso, é degradante, anti ético, irreal.
São 10 anos desse lixo e não vejo no Brasil ninguém levantar a voz contra essa porcaria, porque..........tem medo de ser vetado na Globo, no fundo queriam estar lá ....o que será.
O tal Pedro Bial era um jornalista, se vendeu por dinheiro e virou o Sr BBB, assim como o Brito Jr na Fazenda da Record.
Não acredito que o Bial e o Brito Jr sejam tão irracionais para gostar do que apresentam, será que é o poder do dinheiro....será que é o que.
O BBB por 10 anos tem criado pseudos celebridades, quem se destacou, quem seguiu uma carreira artistica......a Sabrina Sato, que não passa de uma gostosa burra no Pânico, a Grazi, talvez única que se salva, mas é preciso 10 anos dum lixo desse para revelar uma única atriz .....e os outros tantos celebridades que ficam por ai, indo em festas, camarotes do carnaval e outros lugares, ex-BBB...........por Deus.
Foda-se se eu nunca mais passar num programa da Globo, mas não da pra se calar, não suporto todo início de ano abrir a internet e ver BBB, abrir o jornal BBB, no intervalo do jogo BBB, todo lugar BBB, condução BBB, nas ruas BBB.
Se dane se nunca serei convidado pra ir no Jô Soares, se não passar mais nada meu ou sobre mim na poderosa Globo, tenho que dizer..........Odeio BBB, nunca vi, nunca assisti, mas me incomoda, o mal que o Brasil faz reflete em mim.
Talvez os 30 segundos que assisti hoje, no intervalo do filme Bicho de Sete Cabeças, tenha sido o máximo que vi em 10 anos de BBB, mas porque milhões assistem isso, tem gente que assina para ver 24 horas............meu DEUS. Quem assina BBB tinha que apanhar na rua, ir preso, sei lá.
O Brasil é foda, cheio de preconceitos, radicalismos, ipocrisia...sei lá o que mais.
Ai essa dita sociedade, que preza o certinho, o comportado, chega em casa depois de um dia de trabalho e vai assistir BBB.
Bando de ipocritas, se escandalizam com muito pouco e não se horrorizam com BBB, A Fazenda, pelo contrario, acham bonito ser feio.
Que se dane se eu nunca mais for chamado por um programa da Globo, mas precisa desabafar, não suporto mais BBB e um monte de alienado que assiste essa merda.
Não tenho rabo preso com ninguém e escrevo aqui o que me der na telha, não vou me calar porque o Jô, o Bial, o Boni ou seja lá quem não vai gostar, não vai divulgar meu trabalho na poderosa venus platinada, na poderosa plim plim.
Eu odeio BBB e to me lixando, se não puder aqui no meu blog dizer e escrever o que eu quiser, melhor deletar essa merda.
Não quero ser gentil, comportado, sei lá o que, só quero deixar claro que eu não faço parte dos alienados que assistem BBB, deixar isso bem claro, tornar público, me deixa um pouco melhor.
Ainda existem muitos hospicios no país, o Carrano lutou pelo fim deles mas morreu antes, uma dica, manda pra lá todo mundo que vê BBB.

Alessandro Buzo
www.buzo.com.br
alessandrobuzo@terra.com.br

Silêncio

Gritar para quem quando ninguém...
...me houve?
Deslizar de que maneira, até a alma...
...dos irmãos?
Se durante o dia eu vejo uma jovem de jaleco branco...
...que vai ensinar suas crianças.
Durante a noite houvesse apenas gritos de uma...
...mãe que não acredita na morte de mais um filho.
Se eu pudesse mudar isso, seria egoísmo meu?
A conclusão o destino dominou surpreendente- mente...
...como sua presença!
Surgindo como os raios de sol, entre as nuvens.
E tão manjado quanto sua despedida...
...na calada da noite.
Ninguém me houve, ninguém me atende...
gritar para quem?
Olhando com olhos de cego, e ouvindo com...
...ouvidos de surdo.
Gritar para quem se ninguém me houve?


José Luiz Grando é militante do movimento negro em Itajaí
Contato: grandojl@yahoo. com.br

Mulheres

por Crônica Mendes
cronicamendes@afamiliarap.com.br


Querem o que?
O que querem?

Sua força e sua luta.
Eu compartilho.
Sua beleza, sua coragem.
Admiro.
Seu amor, seu afeto.
Eu sinto.
Seu choro, sua lágrimas...
Desculpe-me.
Seu corpo sua alma.
Invejo.
Sua Perfeição, seu carisma.
Eu respeito...
Você é tudo que de bom a vida pode ter.
Você é sua.
Só você.

O mundo que te persegue,
é o mesmo que te inveja.
O homem que te espanca,
é o mesmo ingrato que te deseja.

Quem não te ama, não merece tuas lágrimas.
Quem não te respeita não merecer seu carinho e atenção.
O mundo é seu Mulher.
E ele tem medo que você descubra isso.

Viva Mulher!
Te amo mulher,
por todos os dias de minha VIDA!

Ó Vênus.
Ó Deusa.

MULHER QUE É MULHER NÃO CHORA.

Manogerman ©

Por estarem cansadas de derramarem as remanescentes lágrimas, pelos filhos levados pelas drogas. Marido por conseqüências do destino, meninos por balas perdidas e, muitas outras por atritos banais, filhas por anorexia, lipoaspiração e as mães ficam sem ação.
Antigamente se chorava praticamente de tudo.
Todos os dias; de doença, de saudade e, ainda se chorava de amor, chorava pelos animais, pássaros e gatos ao perder um cãozinho de estimação, o copo que o filho quebrou o presente que o marido não entregou a viajem que não realizou. E quando o pranto era algo lastimável perda de um ente querido forrava-se com vestimentas escuras durante certo tempo como sinal do seu pesar ou tristeza. Hoje em dia não se pode nem se dar o luxo de chorar por alegrias.
Mulheres do sexo frágil que na dor do parto chora imaginando o contentamento de gerar a vida que a diferencia. Mulher que ainda precisa verter lágrimas tendo que trabalharem como domésticas de um lugar que nem é seu. Em empresas que lhes prende a maioria das horas dos dias, e ao chegarem a seus aposentos nem um minuto de repouso, fazer o jantar sem ao menos ter o almoço, agradar o esposo, lustrar os móveis, passa roupa, lava-pratos, lava roupa, zelosa na arrumação da casa, nem dorme logo acorda, bate a porta o mundo lá fora te espera, travar batalhas pela igualdade social mostrar seu potencial dividir tarefas iguais a seu semelhante e, ainda mostrar para seu oposto que faz as coisas com gosto.
Não a mais lagrimas, porque nas épocas atuais têm que talhar e costurar seus próprios destinos com ou sem os seus vestidos, de calça comprida se misturando com o inimigo.
Hoje os choros estão difíceis complicaram tudo querem acabar com o mundo, não acabem com as lágrimas, porem chorar é sentimento que vem de dentro, bate forte no peito e não envergonha quem tem boas qualidades morais.

Germano Gonçalves. O urbanista concreto
(escritor)
ggarrudas@hotmail.com

Me empresta, por favor?

Por: Samuel da Costa
samueldeitajai@yahoo.com.br

– Eu quero voltar lá de novo Roberto! Diz Sylvia animadamente ao marido no volante do carro. Como era longo e tortuoso o caminho de volta para casa. E Roberto, de repente lembra-se da conversa banal no escritório, dias atrás. Um amigo do trabalho, um pouco mais velho que ele, vinha com essa conversa: - O pior do casamento Roberto meu amigo, é a crise dos sete anos! Roberto nem deu atenção para esse tipo de conversa na hora. Mas no fundo não poderia deixar de pensar em seu relacionamento com Sylvia, sua mulher e, como as coisas estavam frias de uns tempos para cá. Aquele fogo todo, tão comum no início do namoro e do casamento, era definitivamente coisa do passado. E uma série de ‘’desculpas’’ sem fim, parecia permear sua relação com Sylvia. Desculpas de ambos os lados, que os dois toleravam por puro comodismo apenas. Certo dia, quando Roberto volta do trabalho para casa, Sylvia vem com uma conversa estranha, sobre um tal Hell–fire Club. Segundo ela, era uma casa noturno para ‘’casais modernos’’. Nem adiantou Roberto perguntar, aonde ela encontrou essa tal ‘’casa noturna para casais modernos’’.
***
Na mesa ao lado, Roberto reconhece a figura senda com uma mulher à tira colo, só não sabia de onde. Era um senhor calvo e de meia idade. E a mulher que o acompanhava, estava vestida com roupas provocantes e, lhe davam a aparência de uma prostituta barata. E uma segunda olhada, Roberto reconhece o ‘’senhor calvo’’, era um candidato a vereador na última eleição, bem votado por sinal, mas não conseguiu se eleger. Roberto viu quando o senhor ‘’esticou’’ quatro carreiras de um pó branco na mesa. Até que um segurança apareceu e, pôs o senhor e sua ‘’companheira’’ para fora do recinto, de forma bem discreta por sinal.
– Me empresta, por favor?
- Emprestar o que meu amigo?
– A tua mulher hora!
A pergunta trousse Roberto de volta para a realidade. Era um homem jovem, alto, tez morena e bem vestido, que fizera pergunta. E o jovem estava de pé ao lado de Sylvia, Sylvia estava sentada ao lado de Roberto. Ele não notou, mas Sylvia devorava o jovem desconhecido com os olhos. A mulher de Roberto, nem esperou a resposta do marido e, estendeu a mão para o ‘’jovem desconhecido’’. Mas rápido ainda, outra mulher toma o lugar de Sylvia, uma mulher jovem, loura e esguia. Ao sentar a loura passa as mãos no meio das pernas de Roberto e, com a língua banha a orelha de Roberto com saliva. E mais que de repente, um arrepio passa a corre lhe pela espinha dorsal. Mas Roberto não tira os olhos e a mente de Sylvia e do desconhecido que se beijavam e se abraçavam a poucos centímetros dele e da sua mais nova companhia.

Samuel Costa contista em Itajaí - SC